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Nanotecnologia na entrega de fármacos: o futuro é já hoje!
DATA
28/12/2018 09:49:43
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Nanotecnologia na entrega de fármacos: o futuro é já hoje!

O investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (UC), João Nuno Moreira, foi convidado a apresentar, no 1.º Simpósio Português de Investigação e Inovação em Urologia, a estratégia terapêutica que a sua equipa está a desenvolver em laboratório e que consiste numa plataforma de base nanotecnológica para entrega de fármacos, que explora a sobre-expressão de proteínas em tumores sólidos.

João Nuno Moreira coordena um grupo de investigação que visa testar em modelos animais uma estratégia terapêutica, com sucesso já demonstrado a nível in vitro, de combate ao cancro da mama triplo negativo e ao mesotelioma.

A plataforma nanotecnológica desenvolvida pela equipa de investigação do CNC explora a sobre-expressão de uma proteína (nucleolina), denominador comum em diferentes tumores sólidos: a proteína é alvejada por fármacos antitumorais transportados através de uma nanopartícula, com o intuito de reduzir o impacto do tumor e a sua recidiva.

“Embora o contexto urológico – mais concretamente o cancro da bexiga – não seja uma prioridade para a nossa equipa de investigação, constatámos, em colaboração com Lúcio Lara Santos do Instituto Português de Oncologia do Porto que esta proteína também está sobre-expressa em tumores da bexiga”, refere João Nuno Moreira, adiantando que o trabalho até aqui levado a cabo incide particularmente em cancro da mama triplo negativo e em mesotelioma, “mas existindo a sobre-expressão da nucleolina em tumores da bexiga perspetivamos que a nossa tecnologia possa vir a ter uma aplicação também nesse âmbito”.

Até porque, explica, “a plataforma é flexível, podendo ser adaptada a diferentes fármacos/moléculas para entrega, bem como a diferentes tipos de tumor a atacar”. É neste sentido que os investigadores do CNC estão atualmente a trabalhar, em parceria com os Institutos Portugueses de Oncologia (IPO) de Coimbra e do Porto, que permitem aceder às amostras dos doentes e assim fazer a ponte com a clínica e avançar na translação do conhecimento.

“Quando digo que esta proteína está sobre-expressa no tumor x ou y, já estou a fazê-lo com base em análises realizadas em amostras de doentes”, esclarece o investigador, lembrando que “os modelos celulares e animais utilizados nas provas de conceito apresentam sempre limitações naquilo que é a reprodução da doença humana”.

Numa analogia entre a nanotecnologia e a famosa marca-conceito de brinquedos dinamarquesa – a Lego –, João Nuno Moreira destaca a versatilidade da plataforma de entrega de fármacos desenvolvida pela equipa de investigação que lidera. “É quase como montar uma casa de Lego, em que podemos ir adicionando ou retirando diferentes peças, em função dos fármacos que se pretendam encapsular e/ou dos alvos que se pretendam atingir num tumor”, diz, salientando que “estamos atualmente num momento de incorporação de novas peças, no sentido de ultrapassar as barreiras que se colocaram, e avançamos rapidamente na translação da ciência para a cabeceira do doente”.

Neste sentido, João Nuno Moreira não hesita em afirmar que “a aplicação da nanotecnologia à Medicina é uma realidade já no presente, e não apenas uma possibilidade futura!”

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