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SPG: Cancro digestivo mata um português por hora
DATA
17/01/2019 11:12:50
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SPG: Cancro digestivo mata um português por hora

A Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia (SPG) alertou para o aumento do número de casos de cancro digestivo. Atualmente, esta doença mata uma pessoa por hora em Portugal.

De acordo com a SPG, “o cancro digestivo representa 10% da mortalidade portuguesa, um grave problema de saúde pública que tem registado uma subida nos últimos anos e que agrupa três das doenças que mais matam no nosso país: cancro do cólon e do reto, cancro do estômago e cancro do fígado”, além do cancro do pâncreas e do esófago.

Com objetivo de alertar para o impacto do cancro digestivo em Portugal, a SPG vai realizar a Reunião Monotemática, já no próximo dia 26 de janeiro, em Lisboa. Trata-se de um encontro científico dirigido a especialistas na área da Saúde cujo objetivo é analisar as diversas abordagens terapêuticas para o tratamento dos cinco tipos de cancro digestivo.

“Um terço de todos os cancros do país são do aparelho digestivo”, disse à agência Lusa o hepatologista Rui Tato Marinho, defendendo a importância de consciencializar os portugueses para os fatores destas doenças e para os comportamentos que devem adotar para as prevenir.

Segundo o especialista, “o aparecimento do cancro é uma consequência natural do envelhecimento e do comportamento humano”, sendo que, muitas vezes, começa a gerar-se 30 ou 40 anos antes de aparecer devido a “comportamentos menos bons”, como fumar, beber ou má alimentação.

“Há fatores de risco globais em relação aos cancros, nomeadamente o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, que são fatores de risco, por exemplo, para o cancro do pâncreas”, em que mais 95% dos doentes morrem ao fim de um ano.

Note-se que o cancro do pâncreas é um dos tumores que tem vindo a aumentar nos últimos anos, com 1.500 novos casos por ano, disse Tato Marinho, frisando que “quase todos os anos aumenta o número de mortos em 50 a 60 portugueses e em alguns países já ultrapassou o cancro da mama”.

“O ser gordo, o ser obeso” também é um fator de risco do cancro do cólon e do reto – a primeira causa de morte por cancro em Portugal, com cerca de 7.000 novos casos e 4.000 mortes por ano – , do cancro do pâncreas e do cancro do fígado, a quinta causa de morte dos portugueses em idades inferiores aos 70 anos.

Para prevenir a doença, os portugueses devem adotar “comportamentos corretos de saúde”, como evitar o excesso de peso, fazer exercício físico, não comer gorduras, doces, não fumar e não beber álcool em excesso, e para "detetar o cancro mais cedo e salvar vidas" devem fazer a colonoscopia a partir dos 50 anos.

“Habitualmente não somos vistos como especialistas em cancro, nem queremos ser, mas temos um papel muito importante não só no diagnóstico do cancro, como no fim do ciclo do cancro”, disse o especialista.

Rui Tato Marinho destacou, ainda, a importância de reuniões com médicos de várias especialidades. Além de haver “várias opiniões, que é sempre excelente, tomamos os procedimentos muito mais rápido. Isto é em prol da melhoria dos cuidados dos doentes que têm a infelicidade de ter cancro”, sublinhou.

Saúde Pública

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