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Os Prós e os Contras na Medicina do Sono
DATA
07/02/2019 11:07:10
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Jornal Médico
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Os Prós e os Contras na Medicina do Sono

A CUF Academic and Research Center promove, dia 23 de março, as II Jornadas do Sono onde serão discutidos os prós e contras da Medicina do Sono. O Jornal Médico falou com a responsável pela iniciativa, Susana Teixeira de Sousa, para avaliar as expetativas e objetivos da reunião.

Jornal Médico (JM) | Quais os principais objetivos da realização das Jornadas do Sono e o que podem esperar os participantes? 

Susana Teixeira de Sousa (STS) | A segunda edição das jornadas do sono CUF pretende ser um momento de atualização nas principais patologias do sono, partilhado pelos médicos das diferentes unidades do sono da CUF a nível nacional e que se dedicam à Medicina do Sono. Este ano, com o grande tema Prós e Contras, pretende ser um palco de discussão sobre temas relacionados com o diagnóstico e tratamento das principais patologias do sono, com especial destaque para a Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono.

JM | Como é encarada e tratada atualmente em Portugal a patologia do sono? Qual o estado do sono no nosso país, em termos genéricos?

STS | Infelizmente em Portugal o sono continua a não ser uma prioridade e é atualmente um problema de saúde pública. Em média, os portugueses continuam a dormir por um período inferior ao recomendado e hoje sabemos que a privação do sono se relaciona com o aumento do risco de diabetes, hipertensão e outras doenças cardiovasculares, obesidade e depressão. Felizmente tem existido cada vez mais informação sobre a importância de ter um sono em quantidade e de qualidade como parte integrante de outras medidas de vida saudável, como uma alimentação equilibrada e a prática de exercício físico regular.

JM | Um dos aspetos que as Jornadas vão focar prende-se com as diferenças entre homem e mulher no que diz respeito à patologia do sono. Pode explicar um pouco melhor?

STS | A fisiologia do sono normal é diferente no homem e na mulher o que também justifica as diferenças encontradas nas manifestações das principais patologias do sono. As razões prendem-se com questões hormonais, de acordo com o ciclo menstrual ou com a influência da menopausa, mas também com alterações anatómicas e com a diferente distribuição da gordura corporal. De uma forma geral podemos afirmar que a insónia predomina nas mulheres e a Síndrome de Apneia do sono é mais frequente nos homens. Este será um dos Prós e Contras em debate.  

JM | Quais os prós e contras no tratamento e as principais abordagens terapêuticas?

STS | A Medicina de hoje em dia vive uma época de ouro porque existe uma variedade de tratamentos disponíveis que permite adequar a terapêutica ao doente que está a nossa frente, justificando a era da Medicina Personalizada. Vão estar em debate os diferentes tratamentos para a Síndrome de Apneia do Sono - desde o tratamento considerado de primeira linha - CPAP, ou aplicação de pressão positiva contínua na via aérea - à intervenção da Medicina Dentária, ORL ou Cirurgia Maxilo-Facial. Em conclusão a abordagem terapêutica deve ser multidisciplinar para permitir uma estratégia terapêutica adequada e personalizada.

JMExiste forma de avaliar o impacto da patologia do sono na sociedade?

STS | Os distúrbios do sono afetam o próprio indivíduo, mas também têm impacto no seio conjugal, na estrutura familiar e na própria sociedade, associando-se a aumento de acidentes de viação e acidentes de trabalho. O impacto é vasto e difícil de mensurar pela repercussão a diferentes níveis no próprio indivíduo e na sociedade. 

JM | O que esperar da unidade de medicina do sono da CUF?

STS | Uma Unidade de Medicina do Sono CUF reúne uma equipa multidisciplinar de especialistas dedicados a Medicina do Sono, nomeadamente Pneumologia, Neurologia, Psiquiatria, O.R.L., Medicina Dentária, Cirurgia Maxilo-Facial, Nutrição, Cardiologia e Técnicos de Cardio-Pneumologia e Neurofisiologia, que procura dar uma resposta adequada e personalizada ao doente com patologia do sono, quer na abordagem diagnóstica quer na estratégia terapêutica. Estas segundas jornadas refletem a vertente da formação e atualização contínuas e investigação clínica que são a base de uma boa prática clínica.

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