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Dificuldades no diálogo com pais e no relacionamento interpares preocupam jovens
DATA
04/10/2017 12:47:37
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Dificuldades no diálogo com pais e no relacionamento interpares preocupam jovens

A chegada de uma gravidez indesejada, independentemente da idade, é sempre um momento difícil para o jovem e/ou casal.

O Jornal Médico Grande Público falou com Janete Maurício Bento, psicóloga criminal e do comportamento desviante, para perceber quais as implicações psicológicas e sociais deste tipo de situações, particularmente quando o caminho é o da interrupção voluntária da gravidez (IVG).

 

Janete Bento 01À exceção dos casos em que faz parte dos seus planos pessoais, como busca de identidade ou de emancipação perante a família e o meio envolvente, enfrentar uma gravidez é uma situação que comporta sempre um elevado risco psicossocial para as jovens. O contexto familiar, social, económico, cultural, bem como religioso da jovem é determinante na forma como esta vivencia a sua gravidez.

Nas palavras da Dr.ª Janete Maurício Bento, psicóloga criminal e do comportamento desviante, “uma gravidez não planeada resulta como um facto inesperado para a jovem e que lhe pode provocar angústia por não saber como lidar com a situação, a quem contar, como contar e o que vai acontecer... As dúvidas prendem-se essencialmente com as consequências negativas que poderá sentir se decidir avançar com a gravidez, nomeadamente a dependência financeira da família, a possibilidade de interromper os seus estudos, de perder o seu trabalho. A possibilidade de vivenciar a parentalidade sozinha pode, entre outros aspetos, deixar a jovem numa situação limite”.

Perante a dificuldade em lidar com uma nova abordagem da sua própria vida, muitas jovens chegam à decisão de partir para uma interrupção voluntária da gravidez (IVG), algo que depende sempre do seu próprio enquadramento pessoas, familiar, social, económico, cultural e religioso. “Em determinados contextos, algumas jovens podem chegar a ser coagidas para recorrer à IVG, o que pode provocar traumas emocionais”, sublinha a especialista.

No que diz respeito aos traumas que podem advir da decisão de recorrer a uma IVG, a entrevistada define que “uma jovem que não se sinta compreendida e não tenha apoio na tomada de decisão pode vir a sentir angústia, culpa, tristeza ou até viver um episódio depressivo”.

Questionada sobre as principais queixas e/ou lamentos de jovens que vivenciam este tipo de situações, a psicóloga destaca a dificuldade em contar aos pais, seja por acreditarem que os vão desiludir ou o receio das culpas e/ou acusações que poderão surgir, bem como a incerteza se deve ou não recorrer à IVG. “É igualmente difícil para estas raparigas gerir a relação consigo próprias pela expectativa da maternidade e de como integrá-la nos seus projetos e interesses. Muitas delas têm receio que possam surgir alterações no relacionamento com o seu namorado. Existe, muitas vezes, dificuldade em conseguir gerir a relação com o seu grupo de amigos e em encontrar um espaço onde se sintam confortáveis para falar sobre os seus medos e dúvidas face à situação vivida”, enumera.

 

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