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Contraceção de longa duração: evidência científica ajuda a derrubar mitos
DATA
04/10/2017 14:31:20
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Contraceção de longa duração: evidência científica ajuda a derrubar mitos

Longe vão os dias em que a contraceção de longa duração era exclusiva das mulheres mais velhas. 

 

Igualmente vantajosa para as mais jovens, esta opção pode, na opinião da Dr.ª Fernanda Águas, presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG), “reduzir a taxa de falhas motivadas por esquecimentos”, já que não depende da utilizadora em si mesma. “Poderá ser a única alternativa para jovens com doenças que contraindiquem a toma da pílula”, afirma a especialista que, em entrevista ao Jornal Médico Grande Público, ajuda a derrubar mitos.

 

Fernanda Águas 01JORNAL MÉDICO GRANDE PÚBLICO | Que mitos ainda subsistem em torno da contraceção de longa duração?

Fernanda Águas (FA) | A contraceção de longa duração tem sido considerada como um tipo de contraceção indicado apenas para mulheres mais velhas e mulheres que já tenham tido filhos. Na base destes (pre)conceitos está a suposta ideia de que poderia afetar a fertilidade e aumentar o risco de infeções do útero, ovários e trompas.

 

JMGP | Que inovação vêm trazer à vida das jovens portuguesas?

FA | A contraceção de longa duração representa mais uma opção para as jovens cuja eficácia não depende da utilizadora o que vai reduzir a taxa de falhas motivada por esquecimentos. Poderá ser a única alternativa para jovens com doenças que contraindiquem a toma da pílula.

 

JMGP | O que é um contracetivo reversível?

FA | Um contracetivo reversível é aquele tem capacidade de evitar a gravidez durante o período de tempo em que é utilizado e que, após a suspensão, permite que a mulher mantenha intacta a sua fertilidade.

 

JMGP | O que nos diz a evidência científica em relação à contraceção de longa duração?

FA | Confirma-nos, precisamente, que esta é uma opção eficaz e segura.

 

JMGP | Já vários estudos foram publicados que evidenciam falhas nas tomas de outros métodos contracetivos. Como é que a contraceção de longa duração colmata esta questão?

FA | Não há nenhum método contracetivo que seja 100% eficaz, até os métodos ditos definitivos como a laqueação de trompas podem falhar. Contudo, está bem estabelecido que a eficácia dos métodos reversíveis mais dependentes da utilizadora, como por exemplo a pílula, difere se a toma for correta ou seja, sem esquecimentos, ou se a toma é a habitual em que cerca de um quarto das mulheres em Portugal referem falhar pelo menos um comprimido por mês. A contraceção de longa duração é completamente independente dos comportamentos da mulher, pelo que não há que ter preocupações com a toma/aplicação do contracetivo.

 

JMGP | Da sua experiência, tem havido alguma evolução nas idas às consultas de Ginecologia? As jovens vão acompanhadas ou sozinhas? Qual a idade média da primeira consulta? Quais as principais dúvidas?

FA | De acordo com as respostas ao inquérito sobre práticas contracetivas em Portugal de 2015 (da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e da Sociedade Portuguesa de Contraceção), apenas 11,9% das jovens entre os 15 e os 19 anos e 48,7% das jovens entre os 20 e os 29 anos, tinham tido uma consulta de Ginecologia/Planeamento Familiar no último ano. Este foi um dado que consideramos preocupante até porque as consultas de Planeamento Familiar e o atendimento a Adolescentes no âmbito do Planeamento Familiar são gratuitos e os contracetivos são igualmente cedidos gratuitamente nessas consultas. Esta realidade nacional é diferente daquela com que me deparo na minha prática clínica. No Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), a procura de consulta de Ginecologia/Planeamento Familiar tem sido crescente. A idade média a que recorrem à nossa consulta é de 16 anos. Habitualmente, as jovens vêm sozinhas à consulta, embora a presença das mães seja mais constante nas faixas etárias mais jovens. Estão cada vez mais e melhor informadas e as questões que colocam são as mais variadas desde efeitos/sintomas que associam aos contracetivos, eficácia dos diferentes métodos, interferência com outros medicamentos, se devem ou não fazer pausas na contraceção, se mais tarde vão ter dificuldade em ter filhos por fazerem contraceção, etc.

 

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