Jornal Médico

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DATA
01/05/2016 15:51:44
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Insuficiência cardíaca: Uma perigosa epidemia

Tal como vem sendo hábito, durante o mês de maio, as atenções para o coração redobram. Este ano, a Funda- ção Portuguesa de Cardiologia (FPC) vai procurar sen- sibilizar a população portuguesa para a importância da insuficiência cardíaca na saúde dos portugueses através de várias iniciativas.

A frase-chave desta edição é Insuficiência cardíaca – Cuide da sua máquina . Infelizmente, e apesar dos enormes progressos diagnósticos e terapêuticos que têm ocorrido nas últimas décadas, as doenças cardiovasculares continuam a constituir a principal causa de doença, morte e custos em saúde da população portuguesa. A prevenção destas doenças deve assentar num estilo de vida que inclua uma alimentação saudável, atividade física regular e uma vida sem tabaco, o que por si só pode evitar a grande maioria de eventos agudos cardiovasculares, como o enfarte do miocárdio e o acidente vascular cerebral.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 1 bilião de pessoas tem excesso de peso ou são obesas, e estima-se que 60% da população mundial se- ja fisicamente pouco ativa ou inativa. Cerca de 700 milhões são hipertensos, a maior parte dos quais, não estão diagnosticados, tratados ou controlados. Presente- mente, 150 milhões de indivíduos são diabéticos e este número irá duplicar até 2025. O número de fumadores é superior a 500 milhões e estima-se que, no período de 2000 a 2025, morrerão cerca de 150 milhões de indiví- duos devido a complicações causadas pelo tabagismo. Segundo a OMS, 17 milhões de indivíduos morrem anualmente devido a causas cardiovasculares, dos quais sete milhões por enfarte do miocárdio e cinco milhões e meio por AVC. Um estudo do Banco Mundial de Saúde prevê que, pelo menos até ao ano 2030, a patologia cardiovascular continue a ser a principal causa de doença, de morte e de incapacidade a nível mundial.

A insuficiência cardíaca é uma doença que afeta cerca de 400 mil portugueses e está em franco aumento. É já hoje a principal causa de internamento hospitalar dos indivíduos com mais de 65 anos. Os principais motivos que estão a levar a este aumento são o envelhecimento da população, com as suas doenças associadas, como a hipertensão arterial e a epidemia de obesidade, que afetam negativamente todos os outros fatores de risco cardiovasculares.

O prognóstico da insuficiência cardíaca é sombrio, na medida em que somente cerca de metade dos doentes estão vivos cinco anos após o diagnóstico. A insuficiência cardíaca é responsável por 2 a 3 vezes mais mortes do que o cancro da mama e o cancro do cólon. Feliz- mente, o prognóstico tem melhorado muito, nos últimos anos, graças aos progressos no tratamento farmacológico e ao desenvolvimento de novos dispositivos médicos para apoio do coração. Apesar de alguns bons resultados obtidos em Portugal, é com frustração que reconhecemos que o controlo dos fatores de risco deveria ter melhorado um pouco mais nos últimos anos, o que não se verificou por se tratarem de fatores de risco “silenciosos”. É urgente lançar campanhas preventivas mais agressivas e melhor dirigidas. É imperioso aumentar os níveis de diagnóstico e de controlo.

A FPC, no seu compromisso com a promoção da saúde e a prevenção das doenças cardiovasculares, aconselha um regime alimentar variado, característico da Dieta Mediterrânica, que numerosos estudos confirmaram ter efeitos benéficos para a saúde e que ainda se pratica em Portugal, embora esteja em rápida adulteração. Caracterizada por um padrão alimentar único, rico em hortaliças, fruta, pão e cereais, peixe, carne de aves e azeite, esta dieta deve ser revitalizada para se adaptar aos tempos modernos. As crianças devem ser prioritárias, nomeadamente com o estabelecimento de programas de educação alimentar e de um serviço de refeições saudáveis nas cantinas escolares.

Face à situação atual, a FPC apela a que todos colo- quem a sua saúde, nas prioridades da sua vida pessoal, adotando estilos de vida saudáveis. Só deste modo se- rá possível alcançar o importante objetivo de melhorar a saúde e qualidade de vida dos nossos concidadãos.

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