Jornal Médico

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DATA
01/05/2016 16:00:03
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A sua falta de ar tem um nome: Insuficiência Cardíaca

O cansaço é extremo e as dificuldades são recorrentemente confundidas com o avançar da idade. Saiba mais sobre a insuficiência cardíaca explicada por especialistas.

Se a característica da dispneia (falta de ar) não estiver ligada a um qualquer problema respiratório, então é bastante provável que a dificuldade crescente que verifica na subida de alguns lances de escada também não se relacione apenas com o avançar da idade.

Vamos dar-lhe o nome certo: Insuficiência Cardíaca, uma situação clínica que se caracteriza pela perda de capacidade do coração em bombear sangue para os tecidos e órgãos vitais, que se estima afetar cerca de 400 mil pessoas em Portugal e 26 milhões em todo o mundo. Por outras palavras, o coração perde eficácia no cumprimento da sua função de transferência do oxigénio e dos nutrientes necessários ao normal funcionamento do organismo. O risco de desenvolver esta patologia aumenta com a idade e é mais frequente no sexo masculino. Calcula-se que cerca de um em cada cinco pessoas (20%) irá desenvolver insuficiência cardíaca em algum momento da sua vida.

À característica da fadiga extrema juntam-se a acumulação de líquidos no abdómen (fígado e cavidade abdominal), nos pulmões e nas pernas, esta última igual- mente conhecida como edema das pernas. “Estes sintomas não são específicos. Como tal, as pessoas devem consultar o seu médico quando verificam a existência do mesmo, a fim de avaliar, através de um eletrocardiograma, de um conjunto de análises, ou de uma ecografia, se as queixas dizem ou não respeito à insuficiência cardíaca. Quanto mais cedo atuarmos, melhor”, adverte o Dr. Nuno Lousada, responsável do Hospital de Dia de Insuficiência Cardíaca do Serviço de Cardiologia do Hospital Pulido Valente (Centro Hospitalar Lisboa Norte) e membro do conselho de administração da Fundação Portuguesa de Cardiologia.

“Começa por prejudicar a execução de tarefas maiores e mais pesadas e passa a afetar tarefas mais leves”

Esta patologia revela-se de duas formas distintas: Insuficiência Cardíaca com a função sistólica do ventrículo esquerdo preservada e Insuficiência Cardíaca com a função sistólica do ventrículo esquerdo diminuída. Podem ainda ocorrer casos crónicos e agudos. Um exemplo de Insuficiência Cardíaca aguda (menos comum) pode definir-se por uma situação de traumatismo na sequência de um acidente de viação ou mesmo de uma infeção que resulte numa perda de sangue agravada. Um fator que faz depender a manifestação da patologia é a idade. A maioria dos casos – cerca de 80% – ocorre depois dos 60 anos: com o avançar da idade aumenta a prevalência.

Fatores de risco na Insuficiência Cardíaca

 

  • Diabetes;
  • Dislipidemia;
  • Enfarte agudo do miocárdio;
  • Excesso de peso e obesidade;
  • Hipertensão arterial;
  • Tabagismo.

 

“Pode verificar-se em crianças que nascem com más formações congénitas no coração ou em pessoas que sofrem de febre reumática, uma doença menos frequente nos dias de hoje”, afirma o especialista avançando que, em indivíduos com idade inferior a 60 anos, “a Insuficiência Cardíaca surge no quadro de pessoas que sofreram um enfarte do miocárdio, situação que originou uma obstrução das artérias do coração e que vai provocar a morte de algumas zonas deste órgão”.

A passagem do tempo marca também o progressivo aumento da dependência destes doentes. “O doente co- meça por apresentar sinais visíveis de cansaço. Torna- se cada vez menos capaz de resolver as questões do seu quotidiano, perdendo a sua autonomia. A falta de ar, mais frequente no período noturno, torna a Insuficiência Cardíaca prejudicial ao sono. O edema das pernas, por sua vez, coloca em risco a boa mobilidade e a qualidade do sono. Esta é uma doença que começa por prejudicar a execução de tarefas maiores e mais pesadas e que, progressivamente, passa a afetar tarefas mais leves”, explica o Dr. Nuno Lousada.

Uma Doença Com Custos A Todos Níveis

Sobre as implicações para a saúde individual destes doentes já não restam dúvidas. E as implicações financeiras? Como se revelam? E a que níveis?

De acordo com o Dr. Nuno Lousada, “a Insuficiência Cardíaca é uma das principais causas de internamento em países desenvolvidos e o custo associado a este tipo de internamentos é muito elevado, sendo que uma parte significativa (25%) não resiste ao primeiro internamento”. Esta representa uma despesa anual de 108 mil milhões de dólares/ano a nível mundial.

Nestes casos, o apoio dos familiares e amigos mais próximos é essencial, numa perspetiva de ajuda, numa atitude preventiva e de motivação na busca pela qualidade de vida. Por todos estes condicionantes, a prevenção é essencial. “Costumamos dizer na Fundação [Portuguesa de Cardiologia] que a Insuficiência Cardíaca, na sua forma mais grave, tem um impacto tão mortal quanto o cancro do pulmão, por exemplo.”

Sobre possíveis medidas de prevenção, o cardiologista é muito claro: “A melhor forma de prevenir é ter um estilo de vida ativo, mantendo controlados os principais fatores de risco, numa claro combate à obesidade, ao sedentarismo e ao tabagismo.”

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