Jornal Médico

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DATA
01/05/2016 16:29:56
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Jornal Médico
Estudo da Fundação Portuguesa de Cardiologia revela: Portugueses desconhecem tratamento e gravidade da doença

Um estudo sobre o nível de conhecimento dos portugueses em relação à patologia da Insuficiência Cardíaca revelou recentemente que estes desconhecem questões pertinentes sobre o tratamento e a gravidade doença.

Esta análise, intitulada de “Os portugueses e a Insuficiência Cardíaca”, resulta de uma parceria entre a Fundação Portuguesa de Cardiologia e a GFK Metris, cujo objetivo é também compreender que tipo de falsas ideias existem em relação à Insuficiência Cardíaca. O processo desenvolveu-se através de um inquérito de escolha múltipla, aplicado pessoalmente a uma amostra representativa da população portuguesa, constituída por um total de 1.215 indivíduos, com idade superior ou igual a 18 anos a residir em Portugal Continental, no cruzamento de diferentes variáveis como o sexo, a idade, a região e o habitat/dimensão dos agre- gados populacionais.

Os inquiridos revelaram, de acordo com António Gomes, diretor da GFK Metris, estarem “bem informa- dos”, uma vez que “a maioria das questões regista um nível de respostas corretas acima dos 50%”. Contudo, e apesar de terem presente a dimensão ameaçadora desta doença (87% consideram que a Insuficiência Cardíaca é uma doença que ameaça a vida das pessoas), os portugueses demonstraram desconhecimento no que concerne aos aspetos mais “técnicos” desta doença, assim como do respetivo tratamento. Acerca deste último, 73% dos inquiridos afirmaram que pode ser necessária “implantação de pacemakers” (resposta maioritariamente verificada no status A-C), 25% não responderam/não sabiam (status E), 1% referiu o uso de meias elásticas e 1% a implantação de próteses oculares.

A título de exemplo, quando questionados se “O doente com Insuficiência Cardíaca deve beber água?”, cerca de 46% dos intervenientes no estudo afirmou que este “não deve beber água”, 34% escolheu a opção “moderadamente” e 19% disse não sabiam/não responderam. Os inquiridos revelaram ainda alguma dificuldade em associar os sintomas mais comuns à doença propriamente dita: 18% dos entrevistados consideraram a falta de ar, 27% optaram pelo cansaço fácil, 8% não responderam/não sabiam, 1% afirmou ser o edema das pernas e 46% consideraram todos os sintomas anteriormente mencionados. A principal justificação apontada para a fraca opção pela hipótese do “edema das pernas” diz respeito à falta de informação acerca da definição em si mesma. Dentro da mesma temática, 95% dos entrevistados afirmaram que quando sentem ou referem sintomas sugestivos de Insuficiência Cardíaca devem consultar o médico enquanto que apenas 1% referiu não dar importância.

46% dos inquiridos afirmou que o doente com Insuficiência Cardíaca não deve beber água

Cerca de 65% dos inquiridos acreditam que ocorrem muitas mortes prematuras porque as pessoas não sentem o perigo desta ameaça e 23% defende que a sociedade está devidamente alertada. Numa tentativa de “regressar” às origens da Insuficiência Cardíaca, foram abordados os fatores que podem conduzir um indivíduo à insuficiência cardíaca, ao que 29% afirmaram dever-se à hipertensão arterial, 4% devido à diabetes mellitus, 1% devido ao consumo excessivo de álcool e 59% consideraram todos as motivações anteriormente mencionadas. Apenas 7% não respondeu/não sabia. A fim de refletir sobre a mortalidade da doença, 65% dos inquiridos acreditam que ocorrem muitas mortes prematuras porque as pessoas não sentem o perigo desta ameaça e 23% defende que a sociedade está devida- mente alertada.

As preocupações assentes no momento anterior à elaboração desta análise provocam um crescendo no ob- jetivo de aumentar o nível de conhecimento dos portugueses em relação à Insuficiência Cardíaca, a às doenças cardiovasculares em geral, aos principais fatores de risco e abre caminho à necessidade de caminhar mais vigorosa e confiadamente à grande meta: a prevenção.

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