Jornal Médico

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DATA
01/05/2016 17:34:05
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Jornal Médico
Qualidade de vida nas doenças cardiovasculares: um caminho progressivo

São 17 milhões em todo o mundo a sofrer na primeira pessoa e todos com a mesma preocupação: como ter qualidade de vida na doença?

O coração começa a dar os primeiros sinais de que algo não vai bem. “Se por qualquer razão o coração for sobrecarregado com um trabalho que é superior às suas capacidades, acabará por atingir uma situação de insuficiência e tudo aquilo que fizer será insuficiente”, afirma o Dr. Luís Negrão exemplificando que um doente com hipertensão não controlada vai “obrigar” o cora- ção a trabalhar demais para manter a pressão arterial elevada. O mesmo se passa com as pessoas com diabetes e o excesso de colesterol.

A falta de ar e o conhecido edema das pernas sentido pelos doentes com Insuficiência Cardíaca (IC) é, neste con- texto, facilmente explicado: a dificuldade do coração em fazer o normal bombeamento do sangue, a fim de ser devidamente oxigenado com a sua chegada aos pulmões, compromete a forma como este é enviado para os restantes órgãos. “Costumo dizer que um doente com Insufi- ciência Cardíaca cansa-se mais depressa a fazer a sua higiene diária do que a Rosa Mota numa maratona. Tudo porque o coração deste doente é perfeitamente incapaz, falhou e tornou-se ‘incompetente’”, explica o assessor médico da Fundação Portuguesa de Cardiologia.

O edema das pernas, conhecido pelo inchaço que provoca, revela sinais de melhoria quando o doente, ao fim do dia, diminui o declive existente entre os pés e o co- ração. Nessa altura, “todos esses líquidos, que ficaram ‘esquecidos’ nos membros inferiores, vão reentrar em circulação. O rim vai ter de os deitar fora porque estão em excesso, obrigando o indivíduo a acordar durante a noite mais vezes do que aquilo que seria habitual”.

A Insuficiência Cardíaca apresenta-se, assim, como a “fatura final” de uma longa lista de doenças, do AVC, à diabetes, passando ainda pela hipercolesterolemia, hiperglicemia e, é claro, a obesidade. Cerca de 25% dos doentes com IC morrem no primeiro internamento e uma em cada 10 morre nos 30 dias depois.

O edema das pernas é um dos sintomas da Insuficiência Cardíaca

O conceito de qualidade de vida ganhou muita importância, particularmente quando a doença já se encontra instalada. O aumento da esperança média de vida é uma explicação para que esta se tenha tornado uma preo- cupação crescente. Segundo o especialista, “se alguém quer ter qualidade de vida aos 80 anos tem de ter saúde aos 40, 50, 60 anos. Isto só é possível controlando eficazmente fatores de risco como a hipertensão, a hipercolesterolemia e a diabetes. Só assim é possível atingir 80 anos de vida com qualidade de vida e sem Insuficiência Cardíaca significativa”.

O controlo metabólico é primordial: com a doença já instalada, é essencial controlar os níveis, fazer um registo diário e preciso, a fim de evitar complicações indesejadas. “Se já tiver insuficiência cardíaca tenho de ter mais cuidado com estes fatores de risco, tenho de baixar drasticamente a os níveis de pressão arterial, regular os valores de colesterol para parâmetros mais normais, estar atento à diabetes e ter uma boa prática de atividade física.”

Lembra-se da última vez que fez uma caminhada? Para o Dr. Luís Negrão, este é o momento. “O doente tem de voltar a fazer as tais caminhadas e começar a preocupar-se redobradamente com aqueles fatores de risco que descurou durante anos”, garante, concluindo que “existe um parco conhecimento sobre aquilo que é a atividade física. Quando o indivíduo já tem IC, a atividade física não está contra indicada, mas deve ser aplicada e instaurada de uma forma muito paulatina e cuidada. O coração, que já está enfraquecido, não pode ser sobre- carregado. É um trabalho progressivo, que não pode ser feito em duas ou três semanas.”.

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