Jornal Médico

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DATA
01/05/2016 17:42:04
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Jornal Médico
Rastreios: Remar contra a maré da doença

Rastrear é garantir o caminho da prevenção; mas como fazê-lo em relação à Insuficiência Cardíaca? Em que momento? Qual o papel do médico? E do doente? Leia a opinião dos especialistas e esteja atento a esta doença silenciosa.

Segundo o Dr. Nuno Lousada, os rastreios podem ajudar, em primeiro lugar, “em relação aos fatores de risco. Os rastreios dos doentes com Insuficiência Cardíaca não podem ser efetuados nos mesmos moldes de outros rastreios mais comuns, devido ao conjunto de diagnóstico que exigem e que é necessário saber diferenciar”. O entrevistado avança ainda que é, efetivamente, o especialista de Medicina Geral e Familiar o profissional certo a consultar nestas situações. “O médico de família pode solicitar um eletrocardiograma, uma auscultação e, eventualmente, um conjunto de análises para poder fazer uma avaliação clínica”, afirma garantindo que “só assim poderá perceber-se” o estado de saúde do doente.

Para o Dr. Luís Negrão, os rastreios assumem, neste contexto, um papel de extrema importância. “Só po- demos controlar aquilo que conhecemos: tem de haver uma medição regular para saber os níveis da diabetes ou do colesterol. O que verificamos é que toda a gente mede esses valores, veem que estes se encontram descontrolados e não fazem nada. Dizem muitas vezes que o médico lhes receitou os medicamentos mas que são um bocadinho ‘avessos’ a tomá-los”, afirma avançando que alguns pacientes se justificam com a hereditariedade dizendo já o meu pai era hipertenso”.

Os especialistas recomendam: “Só podemos controlar aquilo que conhecemos: tem de haver uma medição regular para saber os níveis da diabetes ou do colesterol”

Idealmente, o especialista que acompanha este tipo de doentes espera o ato de consciência e reconhecimento da gravidade do problema por parte do doente, a consciência do peso da hereditariedade, o registo regular dos valores sob observação (dependendo da patologia e respetivos fatores de risco) e, é claro, a tão espera- da mudança do estilo de vida e dos hábitos alimentares, processo que pode ajudar (e muito) na recuperação. No que diz respeito à análise feita durante um rastreio dos fatores de risco, o especialista procura compreender o percurso do doente, ao mesmo tempo que reforça algumas ideias-chave: tem caminhado? Tem reduzi- do a quantidade de sal utilizada na alimentação? Se já fez um destes rastreios reconhece as questões apresentadas. “Os rastreios servem para batalharmos na infor- mação e motivarmos as pessoas a alterarem essa situação, e não para diagnosticar.”

Relativamente à idade, o profissional avança que “a partir dos 60/65 anos é importante fazer um eletrocardiograma todos os anos, além do controlo regular da pressão arterial, da diabetes e da hipertensão”. E vai mais longe: “Se o resultado do eletrocardiograma é normal, as hipóteses de vir a sofrer de Insuficiência Cardíaca são quase mínimas”, explica concluindo que “o médico prescreve, mas o trabalho de vigilância pertence ao doente”.

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