Jornal Médico

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DATA
31/10/2016 11:08:00
AUTOR
Dra. Teresa Gomes Mota - Cardiologista e membro do conselho de administração da Fundação Portuguesa de Cardiologia
O que fazer quando surgem os primeiros sinais?

Aquela máxima que diz “que o coração não dói” não poderia estar mais errada. O coração dói e com ele traz outros sinais de doença. Depois de instalada, a palavra de ordem é controlar. A Dra. Teresa Gomes Mota, cardiologista e membro do conselho de administração da Fundação Portuguesa de Cardiologia, deixa alguns conselhos para que não deixe para amanhã a defesa da sua saúde.

Se o rastreio dos fatores de risco nas doenças cardiovasculares fosse igual ao conhecimento deste problema, Portugal não seria certamente um dos piores classificados a nível europeu. Genericamente, “é preciso fazer rastreios dos fatores de risco: medir a tensão arte- rial, o colesterol, fazer o despiste da diabetes que vai sendo cada vez mais comum em Portugal, verificar se não há excesso de peso desde logo nas crianças, etc.”. “O que está descrito e provado é que as classes econó- micas mais desfavorecidas são aquelas que têm mais doenças cardiovasculares, comprando, numa perspetiva de saúde, coisas mais “erradas” no supermercado.  É muito habitual ver crianças e jovens nos supermercados a comprar refrigerantes, fritos, croissants, etc.. Têm de ser educadas e vigiadas pelas escolas e pais/famílias. Nos adultos o problema também acontece. As pessoas trabalham cada vez mais, em horários mais alargados, e também acabam por escolher opções mais rápidas, piores”, explica.

Existem, porém, sintomas que “apontam” para o coração, atingindo-o, como a dor no peito. Na opinião da cardiologista, este é “o sinal mais importante que podemos ter no que diz respeito ao enfarte agudo do miocárdio. Se a dor na zona central for forte e persistir mesmo em repouso, podendo irradiar para o braço esquerdo, pescoço ou costas, estes devem ser motivos de alerta”, sublinha acrescentando que, no caso de se tratar de “um adulto que apresente fatores de risco, deve ser chamado de imediato o INEM porque este organismo tem capacidade de verificar, no próprio momento, se é uma dor do coração e se pode ou não haver um enfarte. É preciso atuar rapidamente”.

Se, ao invés, a dor aparece com o esforço, o indivíduo descansa e o mal-estar se esvanece, o caso pode ser outro, habitualmente é conhecido como “angina de peito”. Nessa situação, “sendo um sinal de alerta, já não é uma questão de emergência, mas de tentar identificar um problema localizado no coração que precisa de ser observado pelo médico”. As palpitações ou batimentos cardíacos irregulares são outra das preocupações dos especialistas, os quais podem significar arritmias. Também as tonturas, os desmaios e as perdas de sentidos podem, por vezes, ser causados por problemas cardíacos. Não ignore as pernas inchadas, pois se não houver outras patologias associadas que as justifiquem, poderá ser um alerta de insuficiência cardíaca.

Um outro sintoma que poderá indicar que a sua saúde cardiovascular se encontra ameaçada é o cansaço. Se tem 50 a 60 anos e o tem sentido, não o desvalorize. “As pessoas não devem subvalorizar os sintomas.  É claro que pode haver outros motivos para a pessoa estar cansada, tai como uma anemia ou um problema respiratório. Nessas situações devem dirigir-se ao médico para estabelecer o diagnóstico”, recorda a Dra. Teresa Gomes Mota.

Conselhos para uma vida mais saudável

Evite o uso de alimentos com sal, açúcar e farinhas refinadas; evite as gorduras saturadas;
Explore o conhecimento do seu organismo e aprenda a identificar os alimentos e as atividades físicas que mais lhe convêm;
Crie hábitos saudáveis e mantenha-os;
Evite elevadores e opte por escadas;
Pratique exercício físico;
Se utiliza transportes públicos, experimente sair uma estação antes da habitual;
Prepare diariamente um pequeno-almoço equilibrado, evitando alimentos ricos em açúcares rápidos;
Adquira uma marmita e aprenda a organizar a sua semana, equilibrando os nutrientes;
Não fume;
Crie momentos de calma ao longo do dia e evite o stress.

Por quê procurar um especialista?

Na maior parte das patologias do coração, quanto mais depressa forem identificadas, mais facilitado estará o seu controlo e respetivo tratamento, logo “maior é a probabilidade da pessoa viver mais tempo e com mais qualidade de vida”. Consciente do grande esforço evolutivo da Medicina, de que o aumento da sobrevida nestes casos é exemplo, a entrevistada não deixa de notar que “as pessoas agarraram-se à ideia de evolução da Medicina e pensam que, se tiverem um problema, vão curar-se e voltar ao mesmo, e não voltam”.

Para a Dra. Teresa Gomes Mota, o estilo de vida “cada vez menos saudável” é evidente e, perante a existência de fatores de risco como a obesidade, a hipertensão arterial, o colesterol elevado e o tabagismo tem de haver um esforço conjunto (escolas, famílias, autarquias, centros de saúde e locais de trabalho) para que “todos e cada um, isoladamente ou em conjunto”, possam tomar uma atitude em prol da saúde. “Todos temos de fazer algo porque a situação é insustentável. Vejamos o caso da diabetes em que a principal causa de morte são as doenças do coração. O aumento do número de pessoas com diabetes vai diminuir a esperança média de vida das gerações futuras”, e nessa altura, “a Medicina, os cuidados médicos e os recursos económicos não vão ser suficientes para travar este ritmo de aumento das doenças do coração devido aos fatores de risco e ao estilo de vida que temos”. E destaca: “A Fundação tem vindo a desenvolver atividades, nomeadamente no Dia Mundial do Coração, em parceria com os municípios no sentido de promover a saúde.” 

Quais são os principais sintomas de doença cardiovascular?
Batimento cardíaco irregular;
Cansaço;
Desmaio ou perda dos sentidos;
Dor no peito;
Palpitações.
Registe-se

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