Jornal Médico

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DATA
31/10/2016 17:21:00
AUTOR
Dra. Elsa Feliciano - Nutricionista e assessora de Nutrição da Fundação Portuguesa de Cardiologia
Alimentação: o que é que a sua cozinha pode fazer por si?

Raramente pensamos na cozinha como a primeira farmácia a que devemos recorrer. É nela que encontramos as armas para combater as doenças, num primeiro plano preventivo, e a ela regressamos para combater os excessos. Mas será possível fazê-lo sem ficar refém da mítica dicotomia dos “cozidos/grelhados”? A Dra. Elsa Feliciano, nutricionista e assessora de Nutrição da Fundação Portuguesa de Cardiologia esclarece algumas dessas questões e recorda-nos alguns dos perigos que podem estar presentes na nossa alimentação.

O primeiro desafio está lançado: como convencer um doente cardiovascular de que é possível comer bem, ter prazer à mesa e, ainda assim, manter uma alimentação saudável? A experiência da Dra. Elsa Feliciano tem de- monstrado que “as pessoas não aderem com facilidade a um estilo de vida e alimentação saudáveis se acharem que só podem comer cozidos e grelhados”.

Passada esta fase, é importante recordar os principais cuidados a ter, igualmente úteis para doentes cardio-vasculares e todos aqueles pretendem investir na prevenção desse risco.

A escolha da gordura e a respetiva quantidade a utilizar na confeção de alimentos, sendo o azeite a mais acon- selhada. “Obviamente, existem alimentos como a carne que já possuem algum teor de gordura, o qual pode ser aproveitado durante a sua confeção”, afirma a especialista, exemplificando que, “se fizermos um estufado, a própria gordura da carne acaba por se dissolver no molho e na maior parte das vezes é suficiente para lhe dar sabor, pelo que não é preciso adicionar uma grande quantidade de gordura”.

O método culinário. Ainda que a gordura seja adequadamente selecionada, se as temperaturas atingidas durante a preparação da refeição forem elevadas, de que é exemplo uma fritura ou até as partes carbonizados resultantes de um grelhado, pode tornar-se prejudicial, devendo estes ser evitados.

A quantidade de sal. Esclarecidos que estão os malefícios da hipertensão arterial, existe em Portugal um consumo muito superior àquilo que seria desejável e, segundo a Dra. Elsa Feliciano, “uma parte desta é consumida em produtos sobre os quais não temos controlo, como os queijos e os enchidos que adquirimos já preparados. Além disto, precisamos de tentar reduzir gradualmente a quantidade de sal que adicionado aos alimentos que confecionamos”. Não utilizar sal de mesa poderá ser uma das técnicas para atingir esse objetivo, não menos importante do que acrescentar ervas aromá- ticas, especiarias e outro tipo de temperos, minimizando essa ausência.

Na opinião da nossa entrevistada, “o consumo da sopa de legumes é fantástico pela sua riqueza nutricional. Contudo, há alguns fatores, como a quantidade excessiva de sal, que se não controlarmos a poderão tornar um alimento mais desequilibrado”.

Outros alimentos característicos do padrão mediterrânico são os legumes, dos quais pode tirar proveito, tanto em saladas como salteados, grelhados ou preparados no forno. “É importante que consigamos que uma grande parte da nossa alimentação tenha como base os legumes: do ponto de vista nutritivo é muito rico, pouco calórico e permite reduzir o consumo de arroz, batatas e massas”, destaca evidenciando que, “hoje em dia, não se estimula as crianças a comer sopa, legumes e peixe”, apesar de estas serem escolhas decisivas no seu desenvolvimento.

O consumo de peixe é outro ponto-chave. “Devíamos comer pelo menos três vezes por semana peixes gordos e no mínimo deveriam ser incluídas cinco vezes nas 14 refeições”, defende. Também o consumo de frutas é peça fundamental numa dieta variada. Contudo, é preciso dividir as frutas muito doces. “Há pessoas que comem duas ou três peças depois de uma refeição, o que é excessivo. A fruta é fantástica nas doses certas.”

E num país com tradições vinícolas, o consumo recomendado é de 2 dl para a mulher e 3 dl para os homens, podendo daí ser extraídos benefícios diversos. Contudo, e “se exagerarmos nas quantidades, os prejuízos serão superiores aos benefícios”.

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