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Uma em cada três pessoas tem dores no sistema musculoesquelético
DATA
19/12/2016 16:36:58
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Uma em cada três pessoas tem dores no sistema musculoesquelético

É frequente ouvir as pessoas à sua volta queixarem-se de dor nas costas mas, contas feitas, quantas vão mesmo ao médico? E a que tipo de especialista se dirigem? E são situações crónicas ou agudas? As explicações de Jorge Drapper Mineiro, ortopedista especialista em coluna vertebral do Hospital Cuf Descobertas, em Lisboa.

Não é fácil traçar um perfil-tipo de uma pessoa com lesões na coluna. “Há doentes que vão à urgência por qualquer motivo e outros que deixam arrastar o problema até nada poder ser feito. Esta é uma das razões pelas quais não é possível extrapolar uma resposta normalizada da população”, introduz o especialista.
Acresce a esta dificuldade a complexidade das lesões da própria coluna, podendo a dor dever-se a inúmeras causas, desde os defeitos de postura, às alterações do alinhamento da coluna vertebral, passando ainda por artroses e compressões dos nervos. Sabemos que a parte muscular é consequência (e não causa) da dor porque, como explica Jorge Drapper Mineiro, “quando alguém se queixa de dor numa articulação, o facto de não a exercitar vai provocar uma atrofia muscular”. Dentro das lesões da coluna existem duas causas principais: a patologia degenerativa e a doença por alterações posturais da coluna. A primeira abarca complicações como a osteoartrose, a espondilite, a artrose e a osteoporose. Uma das alterações posturais mais comuns é, por exemplo, a escoliose. Os dados não deixam dúvidas: estima-se que uma em cada três pessoas tenha dores no sistema musculosquelético. Estudos efetuados no Canadá indicam ainda que cerca de 35% da população se dirige ao médico com queixas e dores no sistema musculosquelético, o que na opinião de Jorge Drapper Mineiro não significa que estejamos a falar de situações crónicas, mas episódios únicos, particularmente no que diz respeito à população mais jovem. “Sabemos que mais de 50% dos doentes que se dirigem aos cuidados primários de saúde apresentam queixas musculosqueléticas do foro osteoarticular”, sublinha.
Algumas alterações posturais podem até fazer parte da própria pessoa. Nas palavras do ortopedista existem, hoje em dia, “vários tipos de coluna (quatro), sendo que em duas delas as alterações degenerativas surgem precocemente e são a causa de dor”. E vai mais longe: “As pessoas com colunas do tipo 1 e 4 são aquelas que têm maior probabilidade de vir a ter dor e que têm mais problemas localizados na coluna e nas quais temos, muitas vezes, de atuar cirurgicamente, corrigindo [o problema].”

ENVELHECIMENTO POPULACIONAL: UM DESAFIO?

Na opinião de Jorge Drapper Mineiro, o tratamento das lesões da coluna tem, em si mesmo, vários desafios implícitos, de entre os quais se destaca o crescente envelhecimento populacional. Nas palavras do especialista, “à medida que uma pessoa envelhece, vai exigindo também mais cuidados saúde. No futuro, nenhum Sistema de saúde poderá ser sustentável tendo em conta o envelhecimento da população, especialmente no que diz respeito à doença osteoarticular”.
Contudo, o ortopedista adverte que “ter uma articulação ‘velha’ não significa que esta seja artrósica. Há pessoas com 90 anos que andam, correm, dormem, enfim, fazem de tudo na perfeição. Por outro, há muitas pessoas mais novas com artroses”.
O desafio cabal de todo este processo é, claro, que o doente recupere a sua funcionalidade. Para o cumprimento bem-sucedido deste objetivo, o entrevistado deixa o conselho que habitualmente dá aos doentes que acompanha nas suas consultas: diminuir o que lhes faz mal e aumentar aquilo que lhes faz bem. “Quando falo em ‘diminuir o que lhes faz mal’ refiro-me a corrigir posturas no local de trabalho ou a evitar carregar pesos, por exemplo”, afirma acrescentando que, por outro lado, “’aumentar o que lhes faz bem’ traduz-se em manter um estilo de vida saudável e uma prática de ativi- dade física mais ou menos regular ou a fazer alongamentos” ao longo do dia.

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