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Aqui, os “mestres” ensinam as “abelhinhas” a voar
DATA
19/12/2016 17:01:46
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Aqui, os “mestres” ensinam as “abelhinhas” a voar

A Casa das Abelhinhas, projeto educativo dirigido aos mais novos, surgiu há 10 anos, mas a ideia de juntar a sabedoria dos mais antigos e a energia dos mais novos tem “apenas” oito. A Casa dos Mestres denuncia, pelo seu nome, quem lá mora.

Esta residência sénior localizada no Parque das Nações, em Lisboa, tem como moradores 31 mestres, dos quais sete homens e 24 senhoras, entre os 67 e os 96 anos de idade, que encontram neste espaço o conforto e a alegria de viver.
As tarefas dividem-se por todos, como os dias. Há espetáculos musicais, teatrais, culinária, decorações, visitas de uns e de outros. “Nestas atividades são estimuladas a interação e a aprendizagem entre ambas as gerações”, afirmou Margarida Fanha, da direção da instituição, acrescentando que “esta ligação já é, em alguns casos, muito natural, dado que temos bisnetos e bisavós nas duas valências”.
Questionada sobre os benefícios da proliferação de projetos semelhantes a este, Margarida Fanha não tem dúvidas acerca das inúmeras vantagens, desde o enriquecimento do ponto de vista da aprendizagem ao desenvolvimento das crianças e dos idosos. “É igualmente positivo pelo bem-estar emocional que o convívio proporciona a uns e a outros, tal como facilita o contacto com a velhice e se torna útil na preparação das diferentes etapas da vida das crianças”, defendeu acrescentando que existe um forte “sentimento de utilidade e de autovalorização dos mais idosos dada a participação nas diferentes atividades”, vivido num ambiente de forte inclusão.
A presença da Animação Sociocultural e da Terapia Ocupacional tem, nesta instituição, uma particularidade: promover a não infantilização de quem cá mora, estimulando largamente tanto aqueles que se encontram bem do ponto de vista cognitivo como aqueles que sofrem de alguma situação de demência. “Fazemos ateliers de culinária, de pintura, tardes cinematográficas, atividades de motricidade, tardes de leitura e poesia, passeios ao exterior, a museus, a teatros ou passeios turísticos”, enumerou.

ACOMPANHAR O UTENTE NA SUA INDIVIDUALIDADE

Há espaço para todos: os que precisam de um alojamento temporário para recuperar de algum problema de saúde e também para aqueles que assumem esta instituição como a sua nova casa. “Primamos por ter um número reduzido de residentes e uma larga equipa de colaboradores, que os acompanha diariamente de forma individual e personalizada. O nosso alojamento não é uma simples estada. É entrar numa família e por isso mesmo não temos horário de visitas ou horários rígidos de refeições. O nosso objetivo é sermos um prolongamento da casa dos residentes, tendo a vantagem do acompanhamento diário ao nível da saúde, higiene, alimentação, tratamento de roupa e promoção de atividades diárias, havendo uma estimulação biopsicossocial”, explicou a Diretora Técnica, Otília Morgado.
Para aqueles que mais necessitam de cuidados de saúde, o processo de reabilitação vai ao encontro da individualidade de cada “mestre”. À disposição dos utentes encontra-se uma equipa multidisciplinar que trabalha a situação de cada doente com recurso a estímulos cognitivos e sociais, contando sempre com enfermeiros, médicos e fisioterapeutas vocacionadas para as áreas geriátrica e gerontológica, neurofuncional, traumato-ortopédico-funcional ou respiratória.
“Em casos específicos de dor crónica, por exemplo, os residentes são encaminhados para a Consulta da Dor, são acompanhados por um técnico da instituição e passamos a articular essas questões de saúde com o médico que se encontra a monitorizar o caso”, conclui.

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