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Dislexia, um problema deles que também é “nosso”
DATA
10/10/2017 11:56:35
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Jornal Médico
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Dislexia, um problema deles que também é “nosso”

Os dados mais recentes apontam para que 10% da população portuguesa sofra de dislexia, uma disfunção neurológica da qual apenas se começam a reconhecer sinais a partir do momento em que a criança começar a lidar com caracteres, através da leitura e da escrita. Para a presidente da Associação Portuguesa de Dislexia (Dislex), Helena Serra, o dia de hoje (10 de outubro), data em que se assinala a efeméride, tem como principal missão sensibilizar a opinião pública e “continuar o longo caminho junto do ministério e dos professores” porque “a doença ainda é largamente associada a incapacidade, a dificuldades e até algumas limitações, conceitos muito negativos”.

As dificuldades começam por volta do primeiro ciclo e podem ocorrer “em pessoas com uma inteligência comum ou até superior”. Das dificuldades na escrita (disortografia), à matemática (discalculia) ou até mesmo aos aspetos traçados (disgrafia), “cabe à escola fazer o acompanhamento do seu aluno”. De acordo com a presidente da associação, fundada na cidade do Porto em 2000, a dislexia, por si só, não impedirá o aluno de atingir os seus objetivos académicos, pessoais e profissionais

Na opinião de Helena Serra, os médicos estão cada vez mais alertados para esta realidade, particularmente a Pediatria. Inclusivamente, “há um interesse e esclarecimento crescentes. São-nos enviadas crianças para diagnóstico através de médicos, centros de saúde”. Contudo, e porque este é um longo caminho a percorrer é possível aumentar o nível de informação e esclarecimento.

Questionada sobre a tentativa de um número elevado de pessoas atribuir o termo dislexia a outro tipo de problemas e/ou limitações, disfarçando situações de alegada falta de estudo ou atraso no acesso cultural, Helena Serra defende que a ocorrência deste tipo de casos pode explicar-se com a “falta de formação de professores ao serviço das escolas do país”, lembrando, contudo, que “os erros da dislexia não são uns quaisquer, são coincidentes com uma matriz previamente determinada e que são confirmadas com os testes”.

E remata, concluindo: “Precisamos de uma outra campanha nos cursos de base dos professores e até de quem já se encontra ao serviço.”

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