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Eduardo Pinto-Leite, diretor-geral da GSK Portugal: “O que conta é a confiança na marca GSK”
DATA
30/11/2017 16:37:49
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Jornal Médico
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Eduardo Pinto-Leite, diretor-geral da GSK Portugal: “O que conta é a confiança na marca GSK”

Foco no Doente, Integridade, Respeito pelas Pessoas e Transparência são os valores que sustentam uma das maiores e mais antigas empresas da indústria farmacêutica (IF): a GlaxoSmithKline (GSK).

Inovação, Performance e Confiança as três grandes prioridades dos mais de 100 mil colaboradores da companhia espalhados pelo mundo. No nosso país, 250 profissionais dividem-se pelas três áreas-chave da GSK – Farmacêutica, Consumer Healthcare e ViiV Healthcare. Eduardo Pinto-Leite orgulha-se de trabalhar “na primeira companhia a terminar com os pagamentos a médicos para falar sobre os nossos produtos” e “com o custeamento de despesas para congressos ou formações para profissionais de saúde individualmente”. Para o diretor-geral da GSK Portugal, importa que as “relações e interações com os profissionais de saúde sejam tão claras e transparentes quanto possível, sem deixar espaço a eventuais perceções de conflitos de interesse”. Em entrevista exclusiva ao Jornal Médico, o responsável mostra-se preocupado com o reagravamento da dívida dos hospitais públicos à IF e advoga a necessidade de reforçar o orçamento da saúde, nomeadamente no que se refere à “despesa (investimento!) pública com medicamentos”.

 

JORNAL MÉDICO (JM) | Em que pilares assenta a estratégia da GSK Portugal e quais as áreas estratégicas da companhia no mercado nacional?

EDUARDO PINTO-LEITE (EPL) | Antes de falarmos do mercado nacional, é importante contextualizar a estratégia e posicionamento transversais da GSK. Somos uma companhia farmacêutica global, impulsionada pela ciência e inovação há mais de 300 anos, que se dedica à investigação, desenvolvimento e fabrico de medicamentos inovadores, vacinas e produtos de grande consumo. Temos um propósito muito especial e que se traduz na nossa missão: queremos ajudar as pessoas a fazerem mais, sentirem-se melhor e viverem mais tempo.

O universo GSK está organizado em três grandes realidades. A área Farmacêutica, que engloba investigação, desenvolvimento, produção e comercialização de um portfólio muito alargado de medicamentos, inovadores e estabelecidos, para tratar um vasto conjunto de doenças, agudas e crónicas, assumindo posições de liderança em doenças respiratórias. Em 2016, esta área gerou um volume de vendas de £16.1 mil milhões. Inserido na área Farmacêutica está o negócio das Vacinas, em que contamos com o portfólio mais abrangente da indústria, disponibilizando um amplo conjunto de vacinas para crianças, adolescentes, adultos e vacinas do viajante. Entregamos mais de dois milhões de doses de vacinas, todos os dias, para pessoas em mais de 150 países. Este negócio, no ano passado, faturou £4.6 mil milhões.

A área de Consumer Healthcare, que se dedica ao desenvolvimento e comercialização de algumas das marcas de confiança mundiais para a dor, sistema respiratório, saúde oral, nutrição, sistema gastrointestinal e dermatologia, com produtos como Voltaren, Panadol ou Sensodyne. Esta área foi responsável, em 2016, por £7.2 mil milhões de vendas.

E a área ViiV Healthcare, empresa que nasceu de uma parceria entre a GSK e a Pfizer e a que se juntou recentemente a Shionogi, que se dedica à descoberta e desenvolvimento de soluções inovadoras de tratamento para o VIH, sendo que, até ao momento, conta com um portfólio de 12 opções terapêuticas. Em 2015, a ViiV gerou um volume de negócios na ordem dos £2.3 mil milhões.

 

JM | Estamos a falar de uma equipa global de quantos colaboradores?

EPL | A nível global, contamos com uma equipa superior a 11 mil profissionais na área de Investigação & Desenvolvimento (I&D), temos parcerias com 1.500 organizações académicas, científicas e outros players do setor e, em 2016, investimos £3.6 mil milhões em I&D. Empregamos mais de 100 mil colaboradores, nos 150 países em que estamos presentes. Em Portugal, somos cerca de 250 profissionais nas três áreas.

 

JM | Que trabalham, diariamente, com que objetivo comum?

EPL | O objetivo da GSK é ser uma das companhias farmacêuticas mais inovadora, com melhor performance e de maior confiança do mundo. É para isso que todas as subsidiárias da GSK trabalham diariamente e Portugal não é exceção.

Assim, a nossa estratégia assenta na disponibilização de soluções de saúde diferenciadoras e de alta qualidade, ao maior número possível de portugueses, através de uma equipa talentosa e um elevado know-how técnico-científico. Para isso, temos os nossos colaboradores permanentemente focados nas nossas três grandes prioridades: Inovação, Performance e Confiança. Tudo o que fazemos, todos os dias, é com essas três prioridades em mente e sempre sustentados nos nossos quatro valores: Foco no Doente, Integridade, Respeito pelas Pessoas e Transparência.

 

O prazo médio de pagamento da dívida dos hospitais do SNS é superior a um ano, o que significa que não têm capacidade de responder atempadamente aos seus compromissos financeiros, cabendo às empresas farmacêuticas financiar por 12 ou mais longos meses o custo dos medicamentos

 

JM | Focando no mercado nacional, a aposta é em que áreas estratégicas?

EPL | No que diz respeito às áreas mais estratégicas para o mercado nacional, é inevitável referir a área respiratória, em que temos um legado de mais de 40 anos de investigação, desenvolvendo medicamentos que têm vindo a transformar o tratamento das doenças respiratórias.

Adicionalmente, é importante termos presentes alguns indicadores: segundo a Organização Mundial de Saúde, as doenças respiratórias são responsáveis por 4,2 milhões de mortes por ano, sendo que em Portugal são a terceira causa de morte e temos vindo a assistir a um crescimento dos óbitos entre as pessoas com mais de 70 anos, segundo o recente relatório do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias 2017, elaborado pela Direção-Geral da Saúde (DGS). O estudo indica, ainda, que os utentes ativos com asma, ao nível dos cuidados de saúde primários (CSP), aumentaram 234%, de 2011 para 2016.

Por outro lado, sabemos que a asma brônquica afeta quase 10% da população, ou seja, cerca de um milhão de portugueses e que, destes, apenas 57% têm a sua doença controlada. Já no que diz respeito à doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), cuja prevalência ronda os 14,2%, em doentes adultos com mais de 40 anos, continuamos com uma taxa de subdiagnóstico muito elevada (na ordem dos 86,8%) e em que 74% dos doentes com DPOC moderada apresentam limitações na realização das suas atividades diárias.

Este conjunto de patologias tem um impacto enorme na vida dos doentes e das suas famílias, com limitações em termos de carreira profissional, atividades de lazer e a própria felicidade e bem-estar. Por outro lado, o que ouvimos da parte dos profissionais de saúde é que continuam a existir enormes desafios no diagnóstico e tratamento dos doentes respiratórios, pelo que acreditamos que há, ainda, muito trabalho pela frente nesta área. É para responder a esses desafios e necessidades que continuamos focados no desenvolvimento e na disponibilização de medicamentos e inaladores, com valor real para os doentes e para os médicos, que contribuam para transformar a vida dos doentes, permitindo-lhes fazer mais, sentirem-se melhor e viver mais tempo.

 

JM | Num setor tão competitivo quanto o da IF, como é que a GSK marca a diferença?

EPL | Mais do que os produtos e as soluções que desenvolvemos e disponibilizamos, acreditamos que aquilo que nos diferencia é a nossa forma de trabalhar e a maneira especial como as nossas pessoas encaram os seus desafios diários. Podemos ter os melhores produtos – que, de facto, temos! – mas, o que conta no final do dia, é a confiança que os doentes, os profissionais de saúde, as autoridades e os parceiros têm na marca GSK e isso constrói-se com a dedicação, compromisso e transparência com que todos os nossos colaboradores se regem.

Aliás, temos vindo a receber uma série de sinais positivos, por parte do mercado, relativamente ao reconhecimento da nossa forma de trabalhar.

 

Eduardo Pinto-LeiteJM | Que formas de reconhecimento externo têm recebido?

EPL | Apenas para citar alguns exemplos: em agosto passado, o British Medical Journal publicou os resultados do ranking da transparência Alltrials e a GSK lidera a lista, entre um conjunto de 46 companhias farmacêuticas multinacionais. A GSK foi reconhecida como uma referência no que diz respeito à sua política e compromisso de partilhar toda a informação relativa aos seus ensaios clínicos, independentemente dos resultados, sendo um exemplo para todo o setor e um benchmark, segundo os peritos que efetuaram o ranking. A postura da GSK contrasta com a tendência geral do setor, em que a maioria das companhias continua a assumir critérios altamente variáveis e cuja estratégia neste domínio é, ainda, algo ambígua.

Mais recentemente, no início de setembro, fomos reconhecidos como uma referência em sustentabilidade corporativa, pelo Dow Jones Sustainability World Index. A GSK obteve pontuação de excelência na maioria das áreas auditadas: modelo de governação corporativa, acesso e disponibilização dos seus produtos, atração e retenção do talento, responsabilidade social corporativa, filantropia, estratégia climática e resultados em saúde.

Um dos reconhecimentos que mais nos encheu de orgulho foi o de termos sido considerados pela revista Fortune, no ano passado, a companhia n.º1 do ranking Change the World, que avalia as organizações mais comprometidas no sentido de incorporar, no seu negócio, estratégias e soluções para responder aos grandes problemas das sociedades contemporâneas. No nosso caso, a distinção surge como reconhecimento de um conjunto de fatores diferenciadores, como o nosso modelo operacional, totalmente inovador e disruptivo num setor tão tradicional como o da IF. Fomos a primeira companhia a terminar com os pagamentos a médicos para falar sobre os nossos produtos ou a acabar com o custeamento de despesas para congressos ou formações para profissionais de saúde individualmente. Fomos, também, pioneiros na criação de um novo modelo de avaliação da força de vendas, em que os nossos delegados de informação médica são avaliados e recompensados pelo seu conhecimento técnico e pela qualidade da visita que prestam aos profissionais de saúde, ao invés de objetivos centrados em vendas individuais.

 

JM | Que impacto se pretende que essas medidas venham a ter, na prática?

EPL | Queremos que as nossas relações e interações com os profissionais de saúde sejam tão claras e transparentes quanto possível, sem deixar espaço a eventuais perceções de conflitos de interesse. Quando um médico prescreve um medicamento da GSK é por ter a plena convicção de que é a melhor opção terapêutica para o seu doente. Só e apenas isso. Não há, nem pode haver, qualquer suspeição de favorecimento ou conflito de interesse nesta equação. Conhece outra companhia que se possa orgulhar disso?

 

JM | Em termos globais, no que tem a GSK vindo a trabalhar no âmbito de I&D e a que corresponde essa aposta em termos de produtos em pipeline?

EPL | A nível global, estamos focados em seis grandes áreas de investigação: doenças respiratórias, VIH/doenças infeciosas, vacinas, doenças imunoinflamatórias, oncologia e doenças raras.

No que diz respeito a próximos lançamentos, a nossa expetativa é que, a curto prazo, a GSK receba aprovação para a Shingrix, vacina contra o Herpes Zoster (vulgarmente conhecido por “zona”); a terapêutica tripla fechada para a DPOC; e a formulação subcutânea do Benlysta, para o tratamento do lúpus. Em termos globais, a previsão da companhia é que os novos produtos representem £1.5 mil milhões de vendas em 2019.

O foco na investigação e o pipeline que se perspetiva é o que sustenta a nossa ambição a médio-longo prazo, no entanto, mais importante do que isso, é termos presente as oportunidades ao dia de hoje e o que está, atualmente, ao nosso alcance para contribuirmos para o aumento da performance da companhia. Nesse sentido, temos estado focados nos excelentes resultados do recente estudo SLS (Salford Lung Study), apresentado há pouco tempo no Congresso Internacional da Sociedade Europeia Respiratória (ERS 2017) e publicado no The Lancet, sobre o valor do Relvar (furoato de fluticasona/vilanterol - FF/VI) no controlo da asma na prática clínica diária.

O estudo de seleção aleatória e aberto, e verdadeiramente pioneiro e inovador por espelhar a vida real, foi realizado em parceria com a Innoviva Inc. e com a colaboração de instituições académicas e prestadores de cuidados de saúde, tendo envolvido 4.233 doentes tratados pelo seu médico assistente em ambiente de prática clínica diária. Os resultados demonstraram que doentes que iniciaram terapêutica com Relvar (FF/VI) tiveram o dobro da probabilidade de atingir melhorias no controlo da sua asma, quando comparados com doentes que continuaram a sua terapêutica habitual. Estes dados positivos, da vida real, reforçam a informação clínica já existente e demonstram, sem qualquer dúvida, os benefícios de Relvar no tratamento da asma. O nosso departamento médico tem estado, nas últimas semanas, a apresentar os resultados à comunidade médica nacional e o feedback tem sido muito positivo.

É este tipo de iniciativa que me parece fundamental ao dia de hoje: partilhar com os profissionais de saúde os mais recentes dados científicos relativamente a uma patologia que impacta negativamente milhares de portugueses e, dessa forma, contribuir para um maior conhecimento, mais fundamentado e objetivo, que permita melhorar os cuidados de saúde prestados aos doentes.

 

JM | Afirmam ter a transparência e a ética impressas no ADN da companhia. Em que é que isso se traduz na relação com os vossos parceiros?

EPL | Transparência e Integridade são dois dos nossos quatro valores. São comportamentos e procedimentos totalmente incorporados na nossa cultura e que, aliás, regem todo o nosso modelo operacional.

Queremos continuar a acompanhar e a apoiar os nossos parceiros, como sempre fizemos, sendo uma parte ativa na transmissão e partilha de informação científica de qualidade, rigorosa e objetiva, da forma e nos locais que for mais necessária e relevante, sem deixar espaço a perceções de eventuais conflitos de interesse. Continuamos a ser uma organização orientada pela ciência e a inovação, empenhada em promover o diálogo científico, a comercialização ética e responsável dos seus produtos, colocando as necessidades dos doentes em primeiro lugar. Para o conseguirmos, não nos parece que pagar a profissionais de saúde para falar sobre o nosso portfólio ou suportar despesas de viagens para reuniões, por exemplo, sejam fatores críticos de sucesso. O mais importante é a credibilidade da nossa organização e dos nossos produtos e isso consegue-se com uma postura transparente, íntegra, espírito de missão para com o doente e transmissão de evidência científica sobre os nossos medicamentos. O resto é acessório.

 

JM | Decerto que já teve oportunidade de fazer uma radiografia ao sistema de saúde português. Quais pensa serem os seus pontos mais críticos e as suas forças?

EPL | O nosso sistema de saúde é um pilar do estado social e o principal responsável pelos excelentes indicadores de saúde do nosso país. Não devemos questionar a sua existência ou mais-valias, o que não significa que se evite o debate sobre a forma de o melhorar e tornar mais eficiente.

Nesse sentido, o que nos parece mais crítico, tendo em conta a sustentabilidade a longo prazo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), é conseguir um equilíbrio que não comprometa o défice orçamental e, simultaneamente, permita acompanhar e dar resposta às atuais mudanças sociais e demográficas. Isto é, temos de conseguir introduzir e disponibilizar à população as opções terapêuticas e as tecnologias de saúde mais inovadoras, com o contributo e o compromisso de todos os stakeholders relativamente à sua viabilidade económica.

Para isso, face ao consenso quase unânime relativamente à insuficiência de recursos e desinvestimento na área da saúde, parece-nos importante reforçar o orçamento neste domínio, nomeadamente na despesa (investimento!) pública com medicamentos, que caiu mais de 30% durante o programa de ajustamento económico.

Esse parece-nos ser um dos pontos fundamentais e que irá contribuir para a resolução de outro dos grandes problemas do setor: a resolução dos processos das dívidas dos hospitais públicos à IF, que nos últimos tempos se voltou a agravar. O prazo médio de pagamento da dívida dos hospitais do SNS é superior a um ano, o que significa que não têm capacidade de responder atempadamente aos seus compromissos financeiros, cabendo às empresas farmacêuticas financiar por 12 ou mais longos meses o custo dos medicamentos.

Enquanto o processo orçamental não for revisto, no sentido de existir uma maior aproximação entre os responsáveis das finanças e os responsáveis da saúde, para que se compreenda a realidade dos hospitais e as necessidades concretas, este subfinanciamento irá continuar.

 

JM | Como é a relação da companhia com as entidades governamentais e com a autoridade nacional do medicamento? Ou colocando a questão de outra forma… É difícil ser-se inovador em Portugal?

EPL | A GSK tem uma relação muito transparente com todos os seus stakeholders institucionais. Assumimos uma postura de parceria com todas as autoridades e entidades, sejam públicas e privadas, tendo sempre em vista a defesa dos interesses dos doentes. É esse princípio que nos norteia.

Não lhe sei responder se é difícil ser-se inovador em Portugal... O que sei é a que a GSK, em Portugal como em qualquer outro sítio do mundo, tem na inovação uma das suas três prioridades e todo a nossa atividade está pensada dessa forma.

Por outro lado, também gostava de sublinhar que, quando falamos de inovação, não nos podemos cingir apenas a inovação terapêutica. Essa, claro que é importante e fundamental para se conseguir continuar a evoluir na resposta às novas e crescentes necessidades que a comunidade médica, por um lado, e os doentes, por outro, nos colocam diariamente. Nesse capítulo, há ainda um caminho a percorrer, no que diz respeito ao delay que os doentes portugueses têm, face aos doentes de outros estados-membros da União Europeia, no acesso às novas opções terapêuticas.

No entanto, como referia, a questão da inovação tem de ser encarada em toda a sua transversalidade: inovação na forma de avaliar e compensar a força de vendas, inovação no modelo de relação com os profissionais de saúde, inovação na publicação de informação de ensaios clínicos, inovação nas parcerias e nos projetos de transformação social, inovação organizacional que leve a uma maior eficiência nos processos... Analisando o tema da inovação em toda esta plenitude, digo com muito orgulho que a GSK é a empresa mais inovadora do mercado. 

 

Há ainda um caminho a percorrer, no que diz respeito ao delay que os doentes portugueses têm, face aos doentes de outros estados-membros da União Europeia, no acesso às novas opções terapêuticas

 

JM | Numa perspetiva global e nacional, como perspetiva o futuro próximo, em termos de mercado do medicamento?

EPL | Sou um otimista, como tal, acredito sempre que o futuro vai ser mais próspero do que o presente e o que o melhor está sempre para vir. Mas, um futuro mais risonho depende, incondicionalmente, do que fizermos hoje. Isto é, não podemos aguardar passivamente que todos os astros se alinhem a nosso favor. Há que arregaçar as mangas e, cada um, dar o seu contributo para a construção de um setor da saúde mais justo, efetivo e sustentável, em que os doentes tenham acesso aos melhores tratamentos, os profissionais de saúde às opções terapêuticas mais cientificamente avançadas e que melhor permitem dar resposta às suas necessidades médicas, as autoridades dos sistemas de saúde às soluções mais sustentáveis, do ponto de vista económico, financeiro e social e, por último, que as empresas farmacêuticas conseguem garantir os fundos necessários para continuarem o seu investimento em I&D, para que a ciência continue a evoluir e, com isso, toda a humanidade beneficie.

Assim, quando se fala em mercado do medicamento, inevitavelmente, falamos de política do medicamento. O primeiro passo é olhar para esta questão não como um “problema” de finanças públicas, mas como um investimento na saúde e na produtividade dos portugueses. A política do medicamento tem de ser articulada e ser integrada com as políticas em saúde no seu todo, ou seja, não apenas no que diz respeito às patologias com maior prevalência em Portugal e que constituem verdadeiros problemas de saúde pública – como as doenças respiratórias – mas, também, considerar áreas tão nevrálgicas como a educação, a ciência e a tecnologia, por exemplo.  

Por último, há que “credibilizar” o valor inerente ao medicamento, ou seja, compreender toda a cadeia de valor de um produto desta natureza, que começa na investigação e desenvolvimento de novas moléculas, até à sua utilização efetiva na prática clínica. Não se pode banalizar o “bem” medicamento, retirando-lhe valor. A banalização de todo e qualquer bem ou serviço representa uma desvalorização do mesmo, má utilização e, inevitavelmente, desperdício, algo que um país como o nosso não pode comportar.

 

Não se pode banalizar o “bem” medicamento, retirando-lhe valor. A banalização de todo e qualquer bem ou serviço representa uma desvalorização do mesmo, má utilização e, inevitavelmente, desperdício, algo que um país como o nosso não pode comportar

 

JM | Gostaria de deixar alguma mensagem aos médicos portugueses?

EPL | Gostaria, antes de mais, de deixar uma mensagem de ânimo e de felicitações a todos os profissionais de saúde do SNS, nomeadamente, aos médicos, por serem o “pilar” do nosso sistema de saúde e por serem os principais responsáveis por Portugal ter os atuais indicadores globais de saúde, que nos deixam a todos tão orgulhosos.

De facto, não obstante nos últimos anos termos vindo a assistir a cortes sucessivos no orçamento da saúde, os nossos indicadores permaneceram praticamente inalterados e foram raros os casos de doentes que não obtiveram os cuidados necessários por parte do SNS. Se assim é, muito temos a agradecer aos nossos médicos. Para eles, em nome de toda a GSK, um especial bem-haja.

Para terminar, sublinhar que a GSK irá continuar, como sempre tem feito, a ser uma parte ativa na discussão pedagógica, no diálogo científico, no debate e na partilha de conhecimento que contribua para, no final do dia, conseguirmos colocar as necessidades dos doentes em primeiro lugar. É isso que nos move!

 

Mais do que responsabilidade social… Projetos transformacionais de cidadania!
Iniciativas como o Projeto Heróis da Fruta/Lanche Escolar Saudável ou o Projeto Família Global – ou parcerias como a Save The Children – reforçam o compromisso da GSK em termos de responsabilidade social. Questionado sobre que retorno a companhia espera e obtém destes e de outros projetos em desenvolvimento a nível nacional e global, Eduardo Pinto-Leite assume que estes projetos “estão integrados na nossa estratégia de negócio, no sentido em que são iniciativas com uma motriz transformadora da sociedade. Mais do que projetos de responsabilidade social, são projetos transformacionais de cidadania”.
De acordo com o diretor-geral da GSK Portugal, a parceria com a Save the Children teve início em maio de 2013 com uma ambição muito específica: ajudar a salvar a vida de, pelo menos, um milhão de crianças. “O conceito inovador dessa parceria levou-nos a reformular um simples antisséptico, componente no nosso elixir Corsodyl, que poderia ajudar a prevenir infeções do cordão umbilical em recém-nascidos, uma das principais causas de morte neonatal nos países em desenvolvimento. Essa parceria foi considerada como ‘a mais admirada’, pelo segundo ano consecutivo, pelo C&E Corporate-NGO Partnerships Barometer”, explica.
“Se este reconhecimento nos enche de orgulho? Claro que sim. Mas, mais do que isso, orgulhamo-nos de, ao longo dos últimos quatro anos, em conjunto com a Save the Children, termos chegado a 2,6 milhões de crianças, conseguido imunizar mais de 97 mil crianças com menos de cinco anos de idade, ter tratado mais de 187 mil casos pediátricos de diarreia, malária ou pneumonia e termos conseguido identificar perto de um milhão de casos de subnutrição pediátrica. Isso, sim, é motivo de orgulho!”, acrescenta.
Outro projeto destacado pelo responsável é o da colaboração com a Bill & Melinda Gates Foundation e a PATH Malaria Vaccine Initiative, que tem como objetivo combater a malária em África, uma doença que vitima uma criança deste continente a cada dois minutos. No âmbito dessa parceria, adianta Pinto-Leite, “a GSK está a disponibilizar a sua vacina para a malária, que resultou de um investimento superior a 30 anos de investigação científica, sem qualquer margem de lucro”.
No que diz respeito a campanhas de sensibilização, o responsável destaca a iniciativa Vencer a Asma, promovida pela GSK Portugal, em parceria com a Associação Nacional de Farmácias, Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias, Fundação Portuguesa do Pulmão, Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica e Associação Portuguesa de Asmáticos, lançada este ano, com o duplo objetivo de alertar para a importância do controlo da doença e de sensibilizar para a relevância de uma comunicação efetiva entre os profissionais de saúde e os doentes asmáticos.
A campanha envolve e pretende aproximar doentes e profissionais de saúde, nomeadamente, a compreensão das limitações dos doentes asmáticos e a melhoria da comunicação médico-doente em torno da asma. Por outro lado, procura também sensibilizar os doentes para não desvalorizarem os seus sintomas, para que possam usufruir de um dia-a-dia sem limitações. “Neste primeiro ano de campanha, implementámos um conjunto de ações, nomeadamente, um roadshow que passou por oito cidades do país, com especialistas a esclarecer a população sobre a patologia; lançamos o site www.venceraasma.com, onde se pode saber mais sobre a doença, conhecer a iniciativa e os parceiros envolvidos; e apoiamos publicações institucionais sobre a dimensão do problema da asma em Portugal, para sensibilizar todos os stakeholders para esta temática”, recorda o diretor-geral da GSK Portugal, adiantando que “já estamos a trabalhar na segunda edição do programa Vencer a Asma, a lançar no próximo ano, naquela que será mais uma iniciativa da GSK Portugal no sentido de ajudar os doentes asmáticos a fazerem mais coisas, sentirem-se melhor e viverem mais tempo”.

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