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Paula Martins de Jesus: “Existe uma maior consciência sobre a relevância da Saúde Pública”
DATA
28/02/2018 15:48:35
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Jornal Médico
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Paula Martins de Jesus: “Existe uma maior consciência sobre a relevância da Saúde Pública”

A propósito da 7.ª Edição do Prémio Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa (SCML)/Merck Sharp & Dohme (MSD) – que galardoou a investigação “Duration and degree of adiposity: effect on cardiovascular risk factors at early adulthood”, desenvolvida por um grupo de investigadores da EPIUnit, ISPUP e FMUP –, o Jornal Médico conversou com a diretora médica da MSD Portugal, Paula Martins de Jesus. O valor atribuído (vinte mil euros) é, segundo a responsável, “um incentivo interessante” para a apresentação de trabalhos “muito relevantes” e que “aportam conhecimento científico” nesta área “determinante” da Saúde/Medicina.

JORNAL MÉDICO (JM) | O Prémio em Saúde Pública e Epidemiologia Clínica SCML/MSD é uma das muitas iniciativas que a companhia desenvolve no apoio direto à investigação e à formação dos profissionais de saúde. Pode falar-nos um pouco sobre este Prémio e seus objetivos?

PAULA MARTINS DE JESUS (PMJ) | O Prémio em Saúde Pública e Epidemiologia Clínica é, antes de mais, uma iniciativa que resulta de uma parceria bem estabelecida com a Sociedade das Ciência Médicas de Lisboa, como comprovam as sete edições já concretizadas. Houve, de facto, uma convergência no entendimento de que é essencial reconhecer o trabalho de investigação sobre os fatores que condicionam e influenciam a saúde. Acreditamos que o prémio que atribuímos, no valor de vinte mil euros, é um incentivo interessante para a apresentação de trabalhos muito relevantes e que aportam conhecimento científico em áreas diversas, como se pode constatar nos diferentes temas abordados e reconhecidos nestes últimos sete anos.

 

JM | Porquê o enfoque da MSD nas áreas da Saúde Pública e da Epidemiologia Clínica? Sendo estas as suas áreas de formação, reconhece que, de certa forma, em Portugal, ainda são tratadas como “parentes pobres” da Medicina, ainda que sejam áreas estratégicas para o desenvolvimento do setor da Saúde?

PMJ | Na MSD Portugal assumimos um papel de parceiro ativo no debate das questões relacionadas com a Saúde, promovendo e participando na discussão sobre as suas várias vertentes, com o objetivo de apoiar a educação médica e a investigação científica contínua. São na realidade áreas fundamentais, reconhecendo que a obtenção de ganhos em saúde está intimamente ligada ao conhecimento e investigação dos seus determinantes. Haverá com certeza espaço para melhoria, embora não me pareça, sinceramente, que ainda se considerem estas áreas de saber – Saúde Pública e Epidemiologia Clínica – como “parentes pobres” da Medicina. Pelo menos não são esses os sinais que nos chegam relativamente à priorização e planeamento público e político destas áreas a nível internacional e nacional.

 

JM | No seu entender, o que pode ser feito a nível nacional para melhorar a aposta em Saúde Pública (e em Epidemiologia), quer do ponto de vista da formação, quer da investigação, quer até da atratividade para esta especialidade médica?

PMJ | Acredito que existe, por parte de diversos intervenientes na área da decisão sobre saúde, uma cada vez maior consciência sobre a relevância da Saúde Pública. Estamos num processo de reforma que incentivou vários atores a repensar e discutir como podemos capacitar os serviços de Saúde Pública e fomentar a criação de conhecimento nesta área. Vamos fazer mais e melhor, com certeza, também porque é crítico e inevitável que tal aconteça. O novo quadro legal de Saúde Pública, que previsivelmente surgirá em breve, pode ser um instrumento relevante para tal.

“Estamos num processo de reforma que incentivou vários atores a repensar e discutir como podemos capacitar os serviços de Saúde Pública e fomentar a criação de conhecimento nesta área. Vamos fazer mais e melhor, com certeza, também porque é crítico e inevitável que tal aconteça. O novo quadro legal de Saúde Pública, que previsivelmente surgirá em breve, pode ser um instrumento relevante para tal”

 

JM | Que balanço faz a MSD destes sete anos de Prémio em Saúde Pública e Epidemiologia Clínica SCML/MSD? Tem correspondido às expetativas? Os trabalhos até agora premiados foram transformacionais/tiveram impacto na prática clínica e na organização do sistema de saúde?

PMJ | O balanço é francamente positivo. Temos notado um incremento nas candidaturas e o que mais me apraz salientar é a qualidade reiterada dos trabalhos a concurso que têm dificultado a decisão sobre atribuição do prémio. A edição de 2017 fica marcada pelo recorde de candidaturas submetidas, 68 no total. Saliento, também, a diversidade de temáticas, que é cada vez maior. Recordo que a atribuição do Prémio tem em conta o mérito dos candidatos, mediante a originalidade do trabalho e a qualidade científica nas abordagens e métodos utilizados, bem como o potencial de utilidade, aplicabilidade imediata ou futura dos resultados da investigação.

 

JM | O que reserva o futuro? Podemos contar com o compromisso da MSD no apoio à investigação nesta área?

PMJ | Sem dúvida. Estaremos sempre na linha da frente no que concerne ao apoio na geração e disseminação de conhecimento sobre a saúde em Portugal e sobre os fatores que a determinam.

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