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José Pereira Albino: “Extrato de Ruscus + HMC + vitamina C com grau de evidência 1A abre leque de opções terapêuticas na IVC”
DATA
01/03/2018 11:04:44
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Jornal Médico
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José Pereira Albino: “Extrato de Ruscus + HMC + vitamina C com grau de evidência 1A abre leque de opções terapêuticas na IVC”

Em junho, foi apresentada no European Vascular Forum (EVF) 2017 uma proposta de alteração das normas de orientação clínica (NOC) para o tratamento da insuficiência venosa crónica (IVC), mais concretamente a atribuição de nível de recomendação 1A ao extrato de Ruscus + HMC + vitamina C. O Jornal Médico quis saber o que tem o especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital Lusíadas Lisboa, José Pereira Albino, a dizer sobre a evidência que suporta esta recomendação e que vantagens traz à sua prática clínica.

JORNAL MÉDICO (JM) | Qual a importância dos fármacos venotrópicos no tratamento da IVC?

JOSÉ PEREIRA ALBINO (JPA) | A doença venosa crónica acompanha a evolução da humanidade e há descrições de úlceras de perna e do seu tratamento no papiro Ebers no Egipto. Assim, substâncias capazes de modificar o processo inflamatório resultante desta doença têm vindo a ser desenvolvidas ao longo dos anos. No último século, contudo, as descobertas foram sobretudo no sentido de melhorar a sintomatologia álgica e o edema, característicos deste tipo de enfermidade. Apesar de poderem atuar em todas as fases da doença venosa, a importância dos venotrópicos é maior no tratamento das fases precoces da IVC e no alívio da sintomatologia existente, que nestas fases é, amiúde, extremamente marcante.

 

JM | Qual a sua opinião sobre a proposta de alterações das NOC para o tratamento da IVC, mais concretamente a atribuição de nível de recomendação 1A ao extrato de Ruscus + HMC + vitamina C, debatida durante o EVF 2017?

JPA | Os fármacos venotrópicos existem há vários anos e a sua eficácia foi demonstrada através de excelentes trabalhos ao nível da investigação básica, em que se demonstrou a diminuição marcada da reação inflamatória existente, mas com grande dificuldade de serem extrapolados de forma cientificamente credível para os humanos. A associação do extrato de Ruscus + HMC + vitamina C estava englobada neste ultimo grupo até ao último EVF, que decorreu no Porto, em junho. Ou seja, eram fármacos com vários trabalhos existentes sobre a sua eficácia, mas a maioria sem o rigor científico adequado e tendo como base o suporte da indústria farmacêutica. Neste congresso foram apresentados, contudo, vários estudos recentes que permitiram afastar esta ideia e colocar esta associação a par de outra já existente – a fração flavonoide micronizada – como as únicas com grau de evidência 1A no tratamento da IVC, o que permite abrir o leque de opções que se colocam atualmente ao médico.

 

JM | Qual o papel do especialista de Medicina Geral e Familiar (MGF) na prevenção/tratamento da IVC?

JPA | Ao especialista de MGF cabe diagnosticar a doença venosa crónica. Grande parte dos doentes que ocorrem às consultas apresenta, sobretudo nos meses de maior calor, cansaço e edema moderado, apresentando unicamente formas precoces da doença nomeadamente telangiectasias ou varizes reticulares. Outros, por sua vez, já apresentam formas mais avançadas, mas encontram-se em lista de espera para tratamento cirúrgico das suas varizes, mantendo sintomatologia marcada. Após o diagnóstico correto, que passa sempre pela realização de um ecodoppler – pois nunca deve ser esquecido que as simples telangiectasias visíveis a olho nu podem ser a “ponta do iceberg” de varizes tronculares existentes – o clínico tem forçosamente que utilizar fármacos venotrópicos para o alívio da sintomatologia existente. As meias elásticas, também bastante úteis, têm sofrido nos últimos anos algumas alterações às suas indicações, fruto também da sua baixa tolerância e da sua comprovada dificuldade de eficácia acima do joelho. Porém, caso proporcionem conforto ao doente, devem ser consideradas no regime terapêutico.

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