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Nikolai Ivanov: “Estudos independentes mostram que o aquecimento do tabaco sem combustão reduz o risco de exposição a compostos nocivos ou potencialmente nocivos”
DATA
27/06/2018 12:35:05
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Jornal Médico
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Nikolai Ivanov: “Estudos independentes mostram que o aquecimento do tabaco sem combustão reduz o risco de exposição a compostos nocivos ou potencialmente nocivos”

A propósito do 11.º Congresso Internacional de Autoimunidade, um evento que reuniu em Lisboa mais de três mil participantes que se dedicam ao tratamento e investigação das doenças autoimunes, o Jornal Médico conversou com Nicolai Ivanov, cientista na Philip Morris International, com o intuito de perceber quais as principais diferenças entre o tabaco “tradicional” versus os chamados produtos de risco reduzido, à luz dos estudos que este investigador tem levado a cabo na empresa. Nos últimos anos, a tabaqueira líder a nível mundial tem vindo a apostar no desenvolvimento deste tipo de produtos, com o objetivo de reduzir significativamente os efeitos nocivos do tabaco, preservando, no entanto, o sabor do mesmo. Desde 2008 foram investidos, para o efeito, pela Philip Morris International, mais de quatro mil milhões de dólares.

JORNAL MÉDICO (JM) | Produtos de risco reduzido (PRR). Desde quando e porque é que este conceito começou a surgir como uma aposta para uma empresa como a Philip Morris?

NICOLAI IVANOV (NI) | O conceito ou ideia de redução de risco associada aos produtos de tabaco surgiu há várias décadas, quando ficou claro que os produtos de tabaco convencionais causavam doenças cardiovasculares, bem como outras doenças associadas ao tabagismo.

Inicialmente, o enfoque estava na eliminação seletiva de determinados compostos nocivos ou potencialmente nocivos, tendo a Philip Morris International publicado os resultados de estudos sobre a redução de nitrosaminas específicas do tabaco e de cádmio em variedades de tabaco. Desde 2008, a empresa investiu mais de quatro mil milhões de dólares, com recurso a mais de 400 cientistas e engenheiros de classe mundial, com o objetivo de desenvolver e avaliar produtos de risco reduzido. A ideia revolucionária por detrás do conceito de “aquecer sem queimar” é que esta abordagem reduz significativamente não apenas um ou dois, mas todos os constituintes nocivos ou potencialmente nocivos mensuráveis (em média até 90%), ao mesmo tempo que se preserva o sabor a tabaco importante para os atuais fumadores.

 

JM | Em que dados concretos se baseia a Philip Morris, quando afirma que os mesmos reduzem o risco para fumadores que trocam para produtos RRP versus tabaco normal?

NI | A Philip Morris International tem levado a cabo e publicado inúmeros estudos pré-clínicos e clínicos que demonstram a redução de exposição a constituintes nocivos ou potencialmente nocivos, quando um fumador muda de cigarros para produtos sem fumo com potencial risco reduzido. Os resultados desses estudos também têm sido submetidos à FDA no âmbito de um requerimento que submetemos nos Estados Unidos da América para autorização de comercialização do nosso produto de tabaco aquecido eletronicamente como Produto de Tabaco de Risco Modificado.

Por outro lado, existem já estudos independentes que têm demonstrado que o aquecimento do tabaco sem combustão reduz o risco de exposição a compostos nocivos ou potencialmente nocivos. Atualmente, estamos a realizar estudos para demonstrar a redução do risco de desenvolvimento de doenças relacionadas com o consumo de produtos de tabaco através da aferição de biomarcadores de risco de doença em fumadores que mudaram para o sistema de aquecimento de tabaco durante 12 meses, em comparação com fumadores que continuaram a fumar. Os resultados preliminares dos primeiros seis meses foram recentemente apresentados em vários eventos científicos, nomeadamente no Global Forum on Nicotine, demonstrando que logo ao fim desse período mais limitado a maioria dos biomarcadores consubstanciam já uma redução de risco.

Estudos com uma duração mais prolongada, que permitam demonstrar uma redução da nocividade para fumadores, para a população, irão requerer estudos epidemiológicos de maior duração, que estão atualmente em planeamento.

 

JM | Em termos quantitativos, um fumador normal irá fumar mais ou menos, se trocar para um PRR? Acredita que a expectativa psicológica de satisfação pessoal será satisfeita?

NI | Os nossos estudos farmacocinéticos demonstram que o perfil de provisão de nicotina dos produtos sem combustão é muito similar ao de um cigarro, o que significa que a um nível molecular os fumadores que mudam para os produtos de potencial risco reduzido podem esperar ter um nível de satisfação similar. No quadro dos estudos clínicos, os questionários clínicos que avaliam os níveis de satisfação confirmaram que o nível de satisfação psicológica é similar. Por exemplo, o número de cigarros e de unidades de tabaco aquecido consumido pelos participantes ad libitum num estudo clínico de 90 dias foram muito similares.

 

JM | Já existem dados sobre incidência do cancro neste tipo de produtos? Se sim, quais?

NI | O cancro e em particular o cancro do pulmão são um grupo de doenças altamente complexas com mecanismos potencialmente diferentes e pouco compreendidos. Teria sido mais fácil elaborar um estudo para a redução do risco de cancro do pulmão se o seu mecanismo fosse conhecido pela comunidade científica. Nestas circunstâncias, o melhor que podemos fazer é realizar um estudo num tipo especial de rato que é propenso a desenvolver tumores de pulmão mesmo sem exposição ao fumo de cigarro. Atualmente, estamos a avaliar os resultados e tencionamos publicá-los num futuro próximo.

Ao mesmo tempo, os ensaios tradicionais de mutagenicidade demonstraram uma redução significativa na mutagenicidade do aerossol do sistema de aquecimento de tabaco por comparação com o fumo do cigarro nos mesmos níveis de nicotina.

 

JM | De acordo com os recentes desenvolvimentos da indústria e sendo a Philip Morris líder de mercado no fabrico e consequente comercialização de tabaco, a empresa deverá ter um posicionamento e fator de diferenciação face aos concorrentes. Qual a proposta de valor que a marca quer desenvolver?

NI | Na Philip Morris International somos líderes na oferta dirigida a fumadores de produtos de risco potencialmente reduzido, que têm uma substanciação científica incomparável quanto à redução de risco e ao mesmo tempo apresentam características de sabor distinto apreciadas pelos atuais fumadores. Com a nova visão da empresa e o seu compromisso com a construção de um futuro livre de fumo, estamos confiantes na plena conversão de muitos milhões de fumadores para uma alternativa menos prejudicial, procurando desta forma gerar um maior impacto positivo na saúde pública.

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