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Filipe Basto: "É fundamental individualizar o percurso clínico de cada doente"
DATA
07/08/2018 09:56:59
AUTOR
Jornal Médico
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Filipe Basto: "É fundamental individualizar o percurso clínico de cada doente"

O Jornal Médico entrevistou o diretor clínico do Hospital Lusíadas Porto (HLP), Filipe Basto, a propósito da aposta deste hospital no acompanhamento personalizado aos doentes, bem como na abertura de novas consultas em 2018. No âmbito desta aposta, a insuficiência cardíaca, a doença de Parkinson e a geriatria foram as áreas que mereceram maior atenção por parte do HLP.

JORNAL MÉDICO (JM) | Em que consiste a aposta do HLP no atendimento personalizado aos doentes?

FILIPE BASTO (FB) | Uma vez que estamos empenhados em cuidar das pessoas, o nosso objetivo passa por perceber de que maneira podemos atender às necessidades de cada utente. Nesse sentido, achamos que é fundamental individualizar o percurso clínico de cada doente, num sentido mais ambulatório, de forma a encaminhá-lo para os canais corretos.

O que procuramos fazer é criar trilhos que agreguem as diferentes especialidades, que sejam capazes de responder de uma forma integrada a um problema específico, mas de forma a que a prestação de cuidados seja abrangente a várias áreas. Muitas vezes, um problema de saúde afeta diversos órgãos e, como tal, merece uma atenção multidisciplinar.

Portanto, o nosso objetivo é conseguir que as diversas especialidades pensem no interesse específico de cada utente e se organizem internamente para, posteriormente, chegar à solução mais adequada para esse mesmo indivíduo.

 

JM | De onde surge esta necessidade de individualizar a prestação de cuidados?

FB | Verificámos que o problema mais premente ao nível da prestação de cuidados estava no facto de os vários médicos ou as diversas especialidades olharem para a mesma pessoa/doente sem se coordenarem ou sincronizarem essa informação entre si. Desta forma, a nossa estratégia passa por contrariar esta tendência, apostando numa comunicação coordenada e integrada, nas diferentes áreas, que vá ao encontro das necessidades de cada indivíduo. Ou seja, tudo o que permita ajudar não só a tratar – de acordo com o estado da arte – um problema específico, mas conseguir integrar no âmbito da prestação de cuidados os diferentes problemas dos utentes, numa perspetiva de reabilitação e de otimização da saúde dos mesmos. É este o nosso grande foco.

 

JM | Em relação à abertura de novas consultas no HLP, em 2018, quais são e em que contexto surgiram?

FB| A instituição das consultas específicas vem na sequência da importância percecionada da prestação personalizada e integrada de cuidados e surgiu pela necessidade de ter não só mais uma especialidade, mas, também, de criar um grupo de profissionais que pense menos na sua própria especialidade e mais na forma como cada uma das especialidades médicas pode contribuir para encontrar um plano mais adequado à saúde de cada utente. Por exemplo, quando pensamos em insuficiência cardíaca (IC), pensamos em todas as estratégicas terapêuticas, médicas e cirúrgicas possíveis, ou seja, olhamos para tudo aquilo que está associado a esta doença, com o objetivo de garantir que não existem limitações na nossa capacidade de resposta.

As consultas mais recentes, e que fomos abrindo ao longo deste ano, incluem: Consulta de IC, Consulta da Enxaqueca, Consulta de Doenças Autoimunes, e Consulta da Doença de Parkinson e das Doenças do Movimento.

 

JM| Quem são os principais destinatários do acompanhamento personalizado e destas novas consultas disponíveis no HLP?

FB | As pessoas que apresentam mais problemas de saúde são as mais idosas. Por isso, a Geriatria é, sem dúvida, uma das áreas em que queremos verdadeiramente apostar. Dado que a população geriátrica é o nosso principal alvo temos de ter em conta alguns dos problemas mais comuns, como o são, nomeadamente, a doença de Parkinson e IC.

 

JM | Quais são os principais objetivos do HLP ao desenvolver estes novos serviços?

FB| É nosso desiderato fazermos bem o nosso trabalho, com o intuito de aferir se aquilo que fazemos é verdadeiramente aquilo a que nos propomos. Por outro lado, apostamos na capacidade de integração e coordenação das diferentes especialidades, cujo objetivo é cuidar bem e, cada vez melhor, de cada um dos utentes, ao longo de todo o seu percurso de vida. Em suma, com estas novas estratégias, pretendemos melhorar significativamente a prestação de cuidados de saúde.

Saúde Pública

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