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João Paço: “A José de Mello Saúde não pode deixar de ter uma revista indexada”
DATA
29/10/2018 15:14:15
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Jornal Médico
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João Paço: “A José de Mello Saúde não pode deixar de ter uma revista indexada”

O Jornal Médico falou com o presidente do Conselho Médico da José de Mello Saúde (JMS) e editor-chefe da Gazeta Médica, João Paço, sobre a recente indexação desta publicação no DOAJ, uma plataforma lançada em 2003 pela Universidade de Lund, na Suécia, que reconhece e agrega publicações de todo o mundo de elevada qualidade científica, de acesso livre e peer-reviewed. O objetivo foi perceber o significado desta indexação não só para a revista como para a comunidade científica.

JORNAL MÉDICO (JM) | O que representa a recente indexação da Gazeta Médica à base de dados internacional DOAJ?

JOÃO PAÇO (JP) | É um sonho. Em 2016 relancei com a Academia CUF a Gazeta Médica, que tinha desaparecido por completo nos anos 70 e que nessa altura estava indexada na Medline. Um grupo como o JMS pela sua dimensão, riqueza e número de médicos doutorados e professores universitários não pode deixar de ter uma revista indexada, na qual os médicos possam publicar os seus artigos e que, de certa maneira, exprima a evolução das unidades da CUF. Nos dias que correm, os médicos têm obrigatoriamente de publicar, quem não publica “morre”.

 

JM | Sabemos que entre 1948 e 1964 os artigos da revista foram indexados na Medline. Pretende retomar esta indexação?

JP | Não tenho a mínima dúvida. Penso que é uma obrigação! Pela dimensão do nosso grupo, a capacidade dos nossos médicos, as cirurgias que realizamos, a investigação que desenvolvemos e a formação que acontece nas nossas unidades, não tenho a mínima dúvida que isso vai acontecer mais tarde ou mais cedo… Somos o maior grupo médico português e isso, além dos números, acarreta uma responsabilidade que se traduz numa gazeta. Atualmente, a maioria das faculdades exige aos alunos, nos programas de Doutoramento, que os trabalhos sejam publicados em revistas indexadas. Portanto, se uma revista não for indexada não tem reconhecimento científico.

 

JM | Os princípios que nortearam a fundação da Gazeta Médica, em 1948, ainda se aplicam aos dias de hoje?

JP | Os tempos são outros… Quando a CUF começou tinha uma dimensão completamente diferente do que tem hoje: era um hospital pequeno criado pelo grupo Mello e pelo Sr. Alfredo da Silva. Era chamado de clínica das inovações e contava com os melhores médicos de Lisboa. No início, os médicos integrados na CUF eram essencialmente grandes professores da Faculdade, que publicavam e davam azo a que as inovações desenvolvidas no hospital fossem, assim, traduzidas em revista.

Atualmente, continuamos a ser dotados das mais riquíssimas e variadas tecnologias ao dispor dos nossos doentes, sendo que muitas delas não existem noutros locais, o que faz com que tenhamos profissionais altamente qualificados e diferenciados. Quando falo no plural, para além da CUF, estou também a incluir as Parcerias Público Privadas (PPP): Hospital de Braga [associado à Universidade do Minho] e Hospital de Vila Franca de Xira. Já o Hospital CUF Porto está associado à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e as unidades de Lisboa à Nova Medical School. Isto faz com que os nossos alunos de Doutoramento, bem como os nossos professores, tenham nas unidades um local onde podem exprimir os resultados das suas investigações.

 

JM | Qual o contributo da publicação para a comunidade científica?

JP | É importante sublinhar que a Gazeta Médica é uma publicação revista por pares (single-blinded peer review) e de open access, o que revela à partida o nosso compromisso com a partilha de conhecimento, obedecendo aos mais rigorosos critérios de revisão. Por ser uma publicação bilingue, esta partilha é também aberta à comunidade internacional, posicionamento que agora reforçámos com a indexação no DOAJ. No panorama nacional, é frequente recebermos para publicação artigos de profissionais que exercem a sua atividade assistencial nas unidades JMS, em paralelo com instituições públicas e que escolhem a Gazeta Médica como meio preferencial para divulgação dos seus trabalhos. É este princípio de partilha e livre acesso ao conhecimento que queremos manter, alargando cada vez mais a área de influência da publicação.

 

JM | Que avanço científico gostaria de ver publicado na Gazeta Médica?

JP | Em Portugal não existem muitos Prémios Nobel, o último que tivemos foi com o Professor Egas Moniz. Podemos ser ambiciosos e esperar um trabalho desta natureza, mas o que pretendo, acima de tudo, é que a Gazeta Médica seja cada vez mais conhecida, em papel e online, acompanhando a tendência da era digital. Gostava também que tivesse cada vez mais uma expressão internacional; estou certo de que se for mais lida lá fora também conseguiremos captar mais trabalhos internacionais para a publicação.

 

JM |Que balanço faz desta nova era da Gazeta Médica, após a sua reedição?

JP | Neste momento, temos a revista científica que merecemos, tendo em conta a qualidade do grupo e a qualidade da Gazeta. Esta indexação no DOAJ é um incentivo para os desafios que se seguem. Não posso deixar de agradecer a toda a equipa editorial, porque no fim de contas a Gazeta Médica é também a expressão da Academia CUF.

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