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Antero Abrunhosa: Investigação e Inovações em Urologia – O papel da PET
DATA
15/11/2018 09:52:39
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Jornal Médico
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Antero Abrunhosa: Investigação e Inovações em Urologia – O papel da PET

A Academia CUF promove, já no próximo dia 8 de dezembro, o 1º Simpósio Português de Investigação e Inovações em Urologia. O Jornal Médico falou a esse propósito com o diretor do ICNAS – Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde, da Universidade de Coimbra, Antero Abrunhosa, que irá fazer uma intervenção sobre tomografia por emissão de positrões (PET Scan).

JORNAL MÉDICO (JM) | Quais são as expetativas em relação ao 1.º Simpósio Português de Investigação e Inovação em Urologia?

ANTERO ABRUNHOSA (AA) | As expetativas são elevadas. A abordagem é muito interessante e tem como objetivo colocar a comunidade clínica em contato com a investigação científica mais avançada que se faz na área. O simpósio está organizado em cinco vetores fundamentais. Um deles, que é a minha área científica, são os biomarcadores de imagem, cada vez mais importantes sobretudo na patologia oncológica. Nós no Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS/UC) fazemos investigação na área da imagem médica utilizando técnicas como a Ressonância Magnética (RM) e a Tomografia por Emissão de Positrões (PET) com aplicações muito importantes na área oncológica, com um enfoque especial no diagnóstico e seguimento do cancro da próstata.

 

JM | Qual é a principal vantagem deste tipo de iniciativas?

AA | A principal vantagem é a de juntar clínicos e investigadores à volta de temas com impacto importante no nosso sistema de saúde. Esta abordagem não só permite aos médicos o contato com os mais recentes avanços da tecnologia e da investigação, mas permite também aos investigadores ouvir as preocupações dos clínicos e assim tornar a sua investigação cada vez mais focada e translacional.

 

JM | Sabemos que vai falar sobre a Tomografia por Emissão de Positrões (PET Scan), o que nos pode adiantar acerca deste tema?

AA | A PET é uma técnica cada vez mais importante em urologia sobretudo no contexto do cancro da próstata. Esta tem sido uma preocupação importante na atividade do Instituto. Fomos pioneiros em Portugal na produção e distribuição da Fluorocolina [18F] UC (marca própria da Universidade de Coimbra) para a imagiologia PET do cancro da próstata em 2013 e novamente em 2015 com o PSMA [68Ga] UC, ambos com autorização do INFARMED para comercialização em todo o país, tendo a nossa Fluorocolina entretanto sido também autorizada pela agência espanhola do medicamento (AEMPS), o que muito nos orgulha.

 

JM | Qual é o impacto deste tipo de exame no tratamento do cancro?

AA | A PET é uma técnica importante no seguimento e na avaliação da eficácia terapêutica em diversos tipos de tumores urológicos como os do rim, bexiga e testículo, mas a sua aplicação principal é ao nível do cancro da próstata. Os radiofármacos mais utilizados são a Fluorodesoxiglucose (FDG), um marcador genérico de cancro, a Fluorocolina e o PSMA com aplicação específica para os tumores da próstata e o NaF, utilizado na deteção de metástases ósseas. Todos estes radiofármacos são produzidos e comercializados pela empresa ICNAS-Produção (propriedade da UC e sedeada no ICNAS) e estão disponíveis para utilização em todos os centros nacionais que dispõem da técnica PET.

O ICNAS faz também investigação básica e clínica na área da do cancro da próstata e teve recentemente aprovado na Comissão de Ética para a Investigação Clínica (CEIC) o seu primeiro ensaio clínico da iniciativa do investigador nesta área com o Prof. Arnaldo Figueiredo dos CHUC como investigador principal.

 

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