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“Em 2018, a AbbVie foi uma das três companhias farmacêuticas que mais ensaios clínicos promoveu em Portugal”
DATA
25/03/2019 11:41:44
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Jornal Médico
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“Em 2018, a AbbVie foi uma das três companhias farmacêuticas que mais ensaios clínicos promoveu em Portugal”

“Reconheço na AbbVie algo único: a paixão que os colaboradores colocam em tudo aquilo que fazem, a convicção de que podem transformar as possibilidades em realidade. Penso que esta é a nossa grande força”. As palavras são do diretor-geral da AbbVie Portugal, Carlo Pasetto, que, em entrevista ao nosso jornal, se assume como um líder “persistente e algo resiliente”, perfeitamente consciente de que “o real valor de cada empresa está nas pessoas que nela trabalham”. Com 20 anos de experiência na indústria farmacêutica, o responsável admite que “não é fácil trazer a inovação para Portugal, no que ao sector do medicamento diz respeito”, ainda que registe uma “evolução positiva” a esse nível por parte das entidades reguladoras.

JORNAL MÉDICO (JM) | O que encontrou em Portugal, de um ponto de vista interno, isto é, da própria AbbVie enquanto companhia, mas também de uma perspetiva externa de mercado e da indústria farmacêutica (IF)?

CARLO PASETTO (CP) | Quando cheguei a Portugal, em setembro de 2017, encontrei um país extraordinário, em franco crescimento, com uma importante evolução das condições de vida e com grandes oportunidades, após ter sido afetado pelas consequências da crise económica.

Descobri também uma filial, a AbbVie Portugal, com uma excelente performance e resultados muito positivos. Encontrei uma equipa extraordinária, excelentes profissionais, totalmente empenhados em fazer a diferença na vida dos doentes. Cheguei à filial portuguesa num momento de grande transformação para a companhia. Estávamos prestes a lançar a segunda geração de tratamento para a hepatite C, a arrancar com uma nova unidade de negócios – a Hemato-Oncologia – e a preparar novos lançamentos que vão formar um portefólio rico e diversificado na Imunologia.

JM | O que trouxe na bagagem, das suas experiências profissionais anteriores e em outros países, que possa ser importado com sucesso para a realidade lusa?

CP | Há mais de 20 anos que dedico a minha vida profissional à IF, na qual desempenhei diversas funções, extremamente enriquecedoras. É difícil escolher um exemplo ou uma experiência que tenha importado das funções anteriores e que tenha implementado com sucesso em Portugal, até porque a cultura é diferente, os sistemas são diferentes, os países são diferentes, as próprias experiências são diferentes. Porém, a ter de escolher um momento marcante na minha vida profissional, selecionaria a criação e construção da AbbVie, enquanto companhia biofarmacêutica com grande foco na inovação. Em seis anos demos passos muito sólidos e hoje, mais do que nunca, somos uma companhia verdadeiramente consistente que trabalha diariamente no desenvolvimento de soluções que tenham um impacto notável na vida das pessoas.

Outro marco profissional foi o lançamento do primeiro regime terapêutico para o tratamento de pessoas infetadas pelo vírus da hepatite C, quando estava na AbbVie Itália. Foi um momento histórico para a companhia e um passo gigantesco em matéria de Saúde Pública poder disponibilizar a cura da hepatite C. Essa experiência em concreto acabou por ser bastante útil, porque cheguei a Portugal a poucos meses de lançarmos a segunda geração de tratamento para a hepatite C e porque tínhamos uma unidade de negócios recém-criada – a de Hemato-Oncologia.

JM | No nosso país, quais são os fatores socioeconómicos e culturais que, no seu entender, podem influenciar o processo de tomada de decisão e a adoção de determinadas estratégias de negócio?

CP | Pessoalmente, apercebo-me que muitas vezes a IF é vista como um custo e não como um investimento. É algo intrínseco a vários países e culturas e não uma situação exclusiva a Portugal. E, quanto a mim, é uma visão que se encontra desfasada da realidade.

Mas, há vários indicadores – como o estudo “O Valor do Medicamento em Portugal” que a APIFARMA apresentou em novembro passado no seu congresso – que demonstram que a IF, em geral, e o desenvolvimento de medicamentos inovadores, em particular, acrescentam valor significativo a Portugal e trazem benefícios superiores à despesa total em fármacos. E que a inovação pode ser traduzida em anos de vida saudável. E aqui não falamos de valor económico! Mas, do valor social! Se pensarmos que os medicamentos inovadores permitiram que os doentes continuassem a ser produtivos, reduzindo as hospitalizações e outros custos diretos com saúde, se olharmos à luz da esperança média de vida ter sido prolongada em 10 anos… Por isso, para se falar em inovação temos de falar sempre numa perspetiva de investimento e de ganhos económicos e sociais.

A título de exemplo, desde 2013 que a AbbVie investiu cerca de 7,5 milhões de euros em Investigação e Desenvolvimento (I&D), na realização de 44 ensaios clínicos, numa parceria com 239 centros de investigação e que envolveram mais de 700 doentes. Um investimento que tem um impacto notável na vida das pessoas e do país!

A par deste investimento, a AbbVie desenvolve também anualmente a sua conferência sobre sustentabilidade em saúde, em parceria com a TSF e o Diário de Notícias, na qual junta especialistas de renome das mais diversas áreas – política, saúde, comunidade – na discussão de soluções que possam fazer com que as pessoas possam ter um acesso à inovação, preservando-se os interesses do Estado. Aliás, a este nível, a nossa contribuição passa também pela apresentação anual dos resultados do estudo realizado pela NOVA-IMS que dão a evolução daquele que é o primeiro índice a avaliar a sustentabilidade da saúde. E vemos estas iniciativas, a par de outras, como um investimento… E não como um custo!

Por fim, contrariamente do que por vezes se pensa, o atraso no acesso à inovação não é uma forma efetiva de controlo dos custos. Pelo contrário, muitas vezes representa a utilização de alternativas menos eficientes, logo mais onerosas no médio e longo prazo. Na minha opinião, o cumprimento dos tempos previstos na lei, no que diz respeito aos processos de comparticipação, seriam um fator importante de desenvolvimento, permitindo a todos um acesso atempado aos melhores avanços científicos. Isto contrabalançado, naturalmente, com poupanças em áreas onde o mercado se encontra já com forte penetração de genéricos, bem como em acordos com a IF, tal como tem sido feito nos últimos anos.

JM | Em que pilares assenta a estratégia da AbbVie Portugal e quais as áreas terapêuticas estratégicas da companhia no mercado nacional?

CP | A inovação é, sem sombra de dúvida, a pedra angular do nosso negócio e o principal pilar da nossa estratégia. Temos como objetivo preencher necessidades médicas ainda não satisfeitas e resolver alguns dos maiores desafios no mundo em termos de Saúde. Estamos focados no desenvolvimento de medicamentos inovadores capazes de oferecer melhorias significativas e um impacto notável na vida das pessoas e das suas famílias. Temos, por isso, vindo a trabalhar no desenvolvimento de um pipeline forte e promissor em várias áreas terapêuticas, com especial enfoque na Imunologia, Virologia e Oncologia. 

No campo da Imunologia temos já uma longa experiência, que herdámos dos laboratórios Abbott, mas continuamos a progredir com novos compostos inovadores e a construção de um portefólio que vai expandir a nossa liderança.

O nosso pipeline nesta área terapêutica conta atualmente com mais de 20 moléculas em avaliação, com dois novos tratamentos a serem lançados nos próximos tempos, primeiro para a psoríase e para a artrite reumatoide, mas para muitas outras indicações numa fase posterior, como a artrite psoriática, a doença de Crohn e a colite ulcerosa.

Continuamos focados na Virologia, com o objetivo de contribuir de forma real para a eliminação da hepatite C, que persiste como um grave problema de Saúde Pública. Vivemos em 2018 um ano extraordinário, com o lançamento de uma nova solução terapêutica com um impacto notável na vida dos doentes, em que o nosso compromisso vai além da própria cura. Temos vindo a colaborar com as autoridades de saúde e com os nossos parceiros na implementação de estratégias para que juntos possamos atingir a meta definida pela OMS: eliminar de vez a hepatite C até 2030.

Ora, se a nossa missão é responder aos maiores desafios atuais na Saúde, era inevitável investir também em Hemato-Oncologia. Esta tem sido a nossa mais recente aposta. Uma aposta que começou nos tumores do sangue, mais concretamente na leucemia linfocítica crónica, mas estamos já a trabalhar em soluções para tumores sólidos, como o glioblastoma, o cancro do pulmão de pequenas células e o cancro da mama.

Estas são as três áreas terapêuticas que definem a estratégia da companhia neste momento a nível nacional. No entanto, queria mencionar uma outra área na qual estamos a trabalhar neste momento para a médio prazo oferecermos terapias transformativas: o campo das Neurociências. Estamos a desenvolver novas soluções para as doenças neurodegenerativas mais difíceis de tratar, como a doença de Alzheimer, a esclerose múltipla e a doença de Parkinson. 

 

JM | Num sector tão competitivo quanto o da IF, como é que a AbbVie marca a diferença?

CP | Acredito que o que nos diferencia é a nossa cultura, a forma como trabalhamos. E isso é reconhecido publicamente! Desde o início que a AbbVie tem estado no top das Melhores Empresas para Trabalhar, quer a nível nacional, quer a nível internacional. Ainda no ano passado a AbbVie ficou em primeiro lugar na sua categoria e arrecadou o reconhecimento da Melhor Empresa para Trabalhar em Portugal a par do prémio de Igualdade de Género!

Temos connosco os melhores profissionais da área. Mas, mais importante ainda, temos connosco pessoas dedicadas, empenhadas em marcar a diferença, em causar um impacto positivo na vida dos doentes. Reconheço na AbbVie algo único: a paixão que os colaboradores colocam em tudo aquilo que fazem, a convicção de que podem transformar as possibilidades em realidade. Penso que esta é a nossa grande força.

Somos uma organização muito coesa e trabalhamos todos os dias sob o lema “All For One AbbVie”. Isto quer dizer que a nossa atenção está focada no alcance do sucesso para a companhia, mas também para os nossos doentes. Tomamos decisões tendo em mente o bem comum e atingimos os objetivos juntos: inspirando, partilhando e criando em equipa.

A pensar nos nossos doentes, tendo a inovação como pilar fundamental, temos feito uma forte aposta em I&D. Não tenho dúvidas que isto também nos diferencia dos restantes players, uma vez que a AbbVie tem assumido uma posição de liderança neste campo em Portugal.  Acresce o nosso sentido de responsabilidade social, de compromisso com a sustentabilidade na Saúde. Acreditamos que um bom sistema de Saúde tem que ser economicamente viável, suportável pela sociedade, por isso, em todo o momento, pensamos em propostas que permitam o acesso à inovação para todos, de uma forma comportável para os nossos clientes, seja o Serviço Nacional de Saúde (SNS), sejam os privados.

JM | Como se define enquanto líder?

CP | Persistente e algo resiliente. Não desisto, porque para mim não há impossíveis e não deixo nada para trás. Acho que a característica mais importante para qualquer pessoa que trabalhe em equipa é ouvir os outros. Por isso, tento sempre encontrar um equilíbrio.

Para mim, um bom líder deve estar perto das pessoas. Saber ouvi-las. Desafiá-las. Ajudá-las a crescer. Penso que sou rigoroso e exigente no desempenho das funções, mas moderado e compreensivo com as pessoas. Porque antes dos produtos ou serviços que prestamos, o real valor de cada empresa está nas pessoas que nela trabalham.

JM | Em termos globais, no que tem a AbbVie vindo a trabalhar no âmbito de I&D e a que corresponde essa aposta em termos de produtos em pipeline?

CP | A investigação científica e a inovação são o que consideramos serem as pedras angulares do nosso negócio. Por isso, na AbbVie, temos feito uma grande aposta neste campo, tanto a nível global como local.

Prova disso mesmo é que em 2018, a AbbVie foi uma das três companhias farmacêuticas que mais ensaios clínicos promoveu em Portugal, o que nos valeu recentemente o Prémio Boas Práticas atribuído pelo Infarmed. Ao longo do último ano realizámos 36 ensaios: 23 em Imunologia (em nove indicações terapêuticas nas áreas da Dermatologia, Reumatologia e Gastroenterologia), sete em Oncologia, dois em hepatite C e um em nefropatia diabética. 

Na verdade, temos mesmo vindo a contrariar a tendência nacional que tem sido de abrandamento na promoção de ensaios clínicos. Em cinco anos, o número de ensaios submetidos para aprovação em Portugal aumentou apenas 2,8%. Durante o mesmo período, o número de ensaios promovidos pela AbbVie Portugal aumentou em 18,2%.

Temos em ensaios clínicos novas moléculas que integram o nosso pipeline. Um pipeline extremamente promissor se olharmos para os excelentes resultados que estamos a atingir nos vários ensaios promovidos em Portugal e no resto do mundo.

JM |Afirmam ter na ciência avançada, nos recursos globais e na paixão os motores para o sucesso. Em que é que isso se traduz na relação do dia a dia com os vossos parceiros?

CP | Diria que uma companhia como a AbbVie tem no avanço da ciência a razão da sua existência. São esses avanços, que procuramos sempre, que trazem nova esperança para tantas e tantas pessoas. E isto fazemo-lo com paixão, sabendo do impacto do nosso trabalho na vida de tanta gente. Os nossos parceiros são todos os atores na Saúde e com quem mantemos excelentes relações: autoridade reguladora, Governo, médicos, profissionais de saúde, administrações hospitalares, pagadores, associações de doentes, comunidade… Com todos estabelecemos uma relação franca, direta, acreditando que estamos todos a trabalhar em prol do mesmo: o bem-estar das pessoas.

 

JM | Iniciativas como a Week of Possibilities reforçam o compromisso da companhia em termos de responsabilidade social. Que retorno esperam e obtêm destes e de outros projetos em desenvolvimento pela AbbVie Portugal?

CP | Na AbbVie não ambicionamos apenas ter um impacto positivo na vida dos doentes, mas também na comunidade em geral. Queremos retribuir à sociedade aquilo que ela nos deu. É por isso que a nossa atuação não se cinge exclusivamente ao desenvolvimento e disponibilização de opções terapêuticas cada vez mais inovadoras e eficazes. Vai muito além da própria Medicina. Estabelecemos parcerias com as comunidades para levar até às pessoas oportunidades em áreas tão distintas como a educação e os cuidados de saúde.   

No imediato, procuramos dar resposta a necessidades concretas identificadas por membros da própria comunidade, sejam escolas, associações ou outros. É isso que fazemos, por exemplo, no âmbito da Week of Possibilities. Não queremos nunca forçar a nossa intervenção, mas sim ajudar a resolver os problemas identificados pelas organizações que apoiamos. Ajudar a melhorar a vida das pessoas que vivem nas comunidades em que estamos inseridos faz parte do ADN da nossa companhia e acreditamos genuinamente que pequenos gestos podem fazer a diferença. Se pensarmos a médio/longo prazo, o que nós pretendemos é contribuir para um mundo mais justo, mais informado, mais saudável.

JM | Decerto que, nestes 15 meses, já teve oportunidade de fazer uma radiografia ao sistema de saúde português. Quais pensa serem os pontos mais críticos e as forças do SNS?

CP | O SNS tem pela frente vários desafios que, fruto dos tempos, são comuns à generalidade dos sistemas de saúde. É o caso da evolução demográfica e do consequente envelhecimento da população, mas também do aumento de doentes crónicos, enquanto os episódios agudos se mantêm. 

Pensando especificamente no SNS, existem outros pontos críticos, como a regulação, o subfinanciamento crónico e a sustentabilidade. Ao nível da regulação, constatamos que o grande desafio para a indústria farmacêutica é o tempo de acesso à inovação, bastante superior à média da União Europeia. Apesar dos esforços, nos últimos tempos, do Governo e do Infarmed, continuamos a ter grandes dificuldades na discussão dos processos de aprovação e reembolso de medicamentos em tempo útil, o que resulta num atraso do acesso à inovação.

Depois, sabemos que temos um SNS bastante frágil, fruto de um subfinanciamento que dura há anos. Uma suborçamentação que resulta em falta de recursos humanos, mas também de equipamentos nas unidades de saúde. É algo preocupante, porque acaba por dificultar a prestação de serviços de qualidade a todos os utentes. Temos ainda a questão da dívida hospitalar aos fornecedores que coloca em causa a sustentabilidade da indústria farmacêutica e a sua capacidade de investimento. E quem mais perde com isto, infelizmente, é o próprio SNS que se vê a braços com um grande desafio ao nível da sustentabilidade.

Mas, felizmente, conseguimos também apontar pontos fortes ao SNS. Apesar dos inúmeros constrangimentos, as instituições de saúde em Portugal têm sido incansáveis. Têm procurado resolver, muitas vezes de forma inovadora, os problemas com os seus próprios meios, continuando a assegurar os melhores cuidados de saúde aos utentes, da forma mais eficiente possível. Prova disso mesmo são distinções como o Healthcare Excellence, que a AbbVie promove em parceria com a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH). O prémio visa premiar as boas práticas implementadas nas nossas Instituições de saúde e têm sido muitos os exemplos de sucesso.

JM | Como descreve a relação com a tutela e com a entidade reguladora do medicamento? Colocando a questão de outra forma, diria que é fácil ser-se inovador em Portugal?

CP | Eu diria que a sua pergunta tem uma resposta dupla: classificaria a nossa relação com a entidade reguladora como muito boa, baseada no respeito mútuo e na compreensão entre as partes. Temos conhecido diferentes lideranças, sempre com um bom relacionamento. Quem conhece a AbbVie, conhece a nossa atitude responsável e o empenho que sempre pomos em encontrar soluções aceitáveis para todas as partes.

Quanto à segunda parte da sua pergunta, eu diria que não é fácil ser inovador, ou pelo menos trazer a inovação para Portugal no que ao sector do medicamento diz respeito. Pelos constrangimentos que já referi, pelo atraso que muitas vezes existe no acesso a essa inovação. Quero referir, no entanto, que registamos uma evolução positiva e estou certo que os responsáveis pela regulação têm a vontade que tal continue a acontecer.

 

JM | Afirmam ter como objetivo o “futuro sustentável para a Saúde”. Como se chega lá?

CP | A AbbVie tem um forte compromisso na sustentabilidade e procura trabalhar com parceiros para encontrar soluções comuns e que sejam apropriadas para todos. Prova disso é a discussão anual que promovemos na conferência AbbVie/DN/TSF em prol do debate sobre a sustentabilidade em saúde. Com esta iniciativa não procuramos apenas promover o debate, mas também estabelecer compromissos entre os diferentes stakeholders.

É muito importante que as autoridades e os decisores políticos deixem de encarar a Saúde como uma despesa, mas antes como um investimento. No âmbito da nossa conferência apoiámos a criação do primeiro indicador de saúde sustentável, desenvolvido pela NOVA-IMS. No ano passado, conseguimos mostrar que o investimento do SNS em 2017 permitiu um retorno económico de cinco mil milhões de euros.  Isto prova o gigantesco valor do investimento em Saúde para a Economia.

O nosso contributo para um sistema de Saúde mais sustentável faz-se no dia a dia. Temos como compromisso proporcionar melhores cuidados de saúde aos portugueses e, por isso, mantemos uma permanente negociação quer com as administrações hospitalares, quer com as autoridades de saúde. Acreditamos que só desta forma conseguiremos dar resposta aos desafios económicos do país e simultaneamente garantir que os doentes têm igual acesso aos medicamentos.

Sabemos hoje que muitas doenças, algumas com grandes custos para a Saúde, podem ser evitadas. Por isso, acreditamos o caminho para a sustentabilidade está também na prevenção. Nesse âmbito temos desenvolvido alguns projetos, como o Escolhe Viver, um programa de sensibilização desenvolvido nas escolas com o intuito de prevenir comportamentos de risco associados a várias doenças, como a hepatite C e o VIH.

 

JM | Quais prevê que sejam, numa perspetiva nacional e em termos globais, as tendências do mercado farmacêutico a curto/médio prazo e como fará a AbbVie frente a esses desafios?

CP | Falei já do desafio demográfico, do envelhecimento da população. A componente da prevenção vai ter um papel cada vez mais relevante, sendo para tal fundamental o aumento da literacia em saúde. Isso acarreta mais responsabilidade para os cidadãos, mas também um maior poder para o doente e uma maior intervenção nas escolhas no que diz respeito à saúde.  Esta é uma componente muito importante no panorama da saúde nos próximos anos.

Uma outra componente será a do avanço científico, cada vez mais personalizado, em áreas onde existem muitas necessidades ainda não satisfeitas. Isto irá manter a pressão sobre os pagadores, sendo que também aqui a indústria tem um papel importante, contribuindo com soluções válidas também para o Estado, assegurando o acesso de todos à inovação.

Desde sempre que a AbbVie trabalha na antecipação desta realidade. Trabalhamos com doentes e associações de doentes em programas educacionais, trabalhamos junto da comunidade onde estamos inseridos, junto dos jovens, em programas de prevenção de comportamentos de risco. Ou seja, além daqueles que são os nossos interlocutores mais tradicionais, como profissionais de saúde ou pagadores, interagimos na sociedade, na busca de novas oportunidades para todos.

 

JM | Que balanço faz destes 15 meses à frente da AbbVie Portugal?

CP | O balanço destes 15 meses na AbbVie Portugal é extremamente positivo. Tem sido uma experiência única e extremamente gratificante, tanto ao nível profissional como pessoal. Os desafios foram muitos, mas quando olho para trás identifico as conquistas, não as dificuldades. E foram tantas as conquistas nestes últimos meses…

Conseguimos, em equipa, reforçar a posição da AbbVie no mercado, continuar a promover parcerias win-win com os nossos stakeholders e cumprir aquela que é a nossa principal missão: ter um impacto positivo na vida dos doentes. Alcançámos também um grande feito, já muito ansiado por todos na filial: a AbbVie foi considerada a melhor empresa para trabalhar em Portugal pelo Great Place to Work

Tenho vivido momentos verdadeiramente marcantes com os colaboradores portugueses, momentos que dificilmente esquecerei.

 

JM | Gostaria de deixar uma mensagem final aos médicos portugueses?

CP | Aos especialistas portugueses gostaria de dizer que podem continuar a confiar na AbbVie. Quero que saibam que podem contar connosco, seja na disponibilização de novas soluções terapêuticas para os seus doentes, como na promoção de iniciativas de educação médica. Vamos continuar a trabalhar lado a lado para juntos fazermos a diferença na vida de muitos doentes.

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