Jornal Médico

Se uma dor incomoda muita gente, várias cólicas incomodam muito mais
DATA
28/12/2016 18:13:34
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Jornal Médico
Se uma dor incomoda muita gente, várias cólicas incomodam muito mais

Inevitáveis e com causas desconhecidas, deixamos-lhe os conselhos dos especialistas: abraços, massagens e uma boa dose de paciência podem ser a resposta.

Mais tarde ou mais cedo acaba por surgir. A cólica é comum nos recém-nascidos e surge de forma insuspeita: quando começam a ingerir o leite materno e a ter um padrão de vida que é, de resto, a opção mais indicada pelos especialistas para os primeiros meses (ou até anos) de vida.

De acordo com Manuela Braga, assistente hospitalar graduada do Serviço de Pediatria do Hospital Garcia de Orta, em Almada, esta complicação, surge em “30% dos lactentes entre as duas semanas e os três a quatro meses de vida. Em cerca de 60% dos casos resolvem-se espontaneamente até aos três meses de idade, e 80 a 90% até aos quatro meses de idade”.

Desconhecem-se as causas do seu aparecimento, coexistindo diferentes teorias que poderão estar interligadas. A mais frequente é a aerocolia (excesso de ar no intestino), resultante de momentos como o da amamentação, da utilização da chupeta ou do choro. Alguma descoordenação entre a deglutição e a respiração e dificuldade na eliminação dos gases são outras hipóteses.

“O intestino é um órgão muito imaturo e o processo da digestão e a respetiva passagem dos nutrientes provocam espasmos (cólicas)”, afirma Manuela Pires, enfermeira especialista em Saúde Materna, Obstetrícia e Ginecológica do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) de Braga. E com elas surgem as lágrimas e o choro constante: há vários tipos e nem todos são sinónimo de cólica. “Normalmente, ele [bebé] grita, esperneia e, é claro, o choro é mais forte e frequente”, explica.

Juntemos ainda os fatores psicossociais: o trauma do parto, o stress da separação da mãe, a mudança de ambiente e a reação a estímulos constantes, a insegurança e a inexperiência materna.

Aprenda a conhecer o seu bebé

Instintivamente, os pais comunicam com o bebé através do toque para o conhecer e (tentar) compreendê-lo. Na ausência de tratamento específico, algumas dicas poderão atenuar a cólica, como massajar a barriga do seu bebé desde o primeiro dia de vida e não apenas no momento da cólica, aproveitando momentos como a muda da fralda. Movimentos sempre circulares e no sentido dos ponteiros do relógio. O toque focado na parte intestinal é essencial e diminui a obstipação, ajudando ao trânsito intestinal.

No acompanhamento que dá às mães da Unidade de Cuidados de Comunidade Colina (ACES Braga), Manuela Pires é perentória: o contacto entre mãe e filho é essencial. “Ele vai ficar mais calmo, reduzir a ansiedade, aumentar as suas defesas e melhorar o sistema muscular. O facto de estar em contacto com a mãe alivia-o, seja através do colo ou até mesmo de um banho quentinho”, adverte exemplificando que “o método do canguru relaxa bastante e ajuda a libertar as imunoglobinas e permite ter mais defesas”.

Além da massagem existem alguns produtos anticólicos disponíveis nas farmácias mas as especialistas advertem para a necessidade de aconselhamento médico antes de iniciar qualquer tratamento. É aconselhado o acompanhamento médico regular e periódico.

A confiança e a experiência podem ser boas conselheiras. Não há modelos fixos e, por isso, cada mãe deve tentar perceber como agir com o seu bebé. “É muito importante que confiem nas suas capacidades e, progressivamente, com a experiência adquirida, aprendam a lidar com o bebé. Se os pais se sentirem cansados devem pedir a alguém de confiança que fique com o bebé algum tempo ou mesmo revezarem-se entre eles”, afirma Manuela Braga. Voluntários?

Algumas recomendações para uma boa amamentação:

Garanta que não há nenhuma causa específica para o bebé chorar (fome, frio, calor, fralda suja, sono);
Desobstrua-lhe o nariz com soro fisiológico antes de o amamentar;
Aperfeiçoe a técnica e consiga uma “boa pega”: grande parte da aréola deve estar na boca do bebé (não apenas o mamilo), o queixo encostado à mama, os lábios voltados para fora (sobretudo o inferior);
Se utiliza biberão confirme que a tetina é adequada, mantendo o biberão sempre levantado e com a tetina totalmente preenchida de leite (diminui a entrada de ar);
Coloque sempre o bebé para arrotar depois da amamentação;
Em caso de choro, deite-o de barriga para baixo com os joelhos fletidos e massaje a barriga de forma leve;
Dê o banho com água tépida;
Mantenha-o num ambiente sem muitos estímulos e evite as visitas ao final da tarde.

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