Jornal Médico

Primeiros dentes: uma viagem inesquecível
DATA
28/12/2016 18:20:00
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Jornal Médico
Primeiros dentes: uma viagem inesquecível

Chegam sem aviso e marcam uma etapa importante na vida do bebé. O aparecimento dos dentes exige cuidados redobrados e a atenção de pais e especialistas. Saiba o que deve fazer para manter a boca do seu bebé saudável.

Saliva mais do que o habitual, coloca as mãos na boca com frequência e está sempre a querer morder objetos de superfície dura? Então prepare-se porque está a chegar uma nova fase da vida do seu bebé: a sua primeira dentição.

Cada criança é única no seu desenvolvimento, mas as estatísticas indicam que o primeiro dente surge entre os seis e os oito meses de vida, estando habitualmente associados episódios de dor, mal-estar e até de alguma irritabilidade (particularmente com a erupção dos caninos e molares). Daí em diante é esperado um novo dente em cada mês e, por volta dos três anos, deverá completar-se a sua primeira dentição com um total de 20 dentes.

De acordo com Lina Pereira, enfermeira especialista em Saúde Infantil e Pediátrica do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) de Lisboa Ocidental e Oeiras, é necessário tratar a primeira dentição com cuidados semelhantes aos da definitiva. “Antes do nascimento da primeira dentição é importante, desde logo, manter uma boa higiene da boca após as refeições. A boca do bebé deve ser limpa com uma compressa humedecida ou uma dedeira para remover os restos de leite ou alimentos. Desta forma, está a preparar-se o ambiente ideal para a chegada dos dentes e habituar o bebé à higiene oral”, afirma.

Após o aparecimento do primeiro dente, os pais devem procurar continuar a assegurar a limpeza do mesmo com uma compressa ou uma escova macia para não agredir as gengivas, sendo aconselhável a repetição deste passo duas vezes por dia, uma das quais obrigatoriamente após a última refeição. O principal objetivo? Eliminar a placa bacteriana.

“A primeira ida à consulta do médico dentista deve ser realizada quando surgem os primeiros dentes de leite ou, no máximo, até a criança completar o primeiro ano de vida, de modo a estabelecer um programa preventivo de saúde oral”, aconselha Filipa Barbosa, enfermeira especialista em Saúde Infantil e Pediátrica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga.

Como aliviar as dores?

Distrair o bebé da dor pode ajudar a solucionar o problema. Faça-o através da música, novos brinquedos (ou recorde a alegria dos antigos), dê um pequeno passeio, ofereça a famosa chupeta, utilize anéis de dentição frescos para morder, massaje as gengivas com precaução e em movimentos circulares e, se necessário, aplique um pouco de gel para dentição.

Evite dar bolachas ou outros alimentos que contenham açúcar ou álcool e não coloque os anéis de dentição no congelador.

O que dizem as fezes do seu bebé?

As fezes do bebé são um indicador importante do seu estado de saúde: os pais devem estar atentos às respetivas alterações na quantidade, consistência, cheiro e cor e, caso se justifique, recorrer aos serviços de saúde para despiste de problemas de maior.

De entre as diferentes sintomatologias associadas à erupção dos dentes encontramos a acidez das fezes. De acordo com Sofia Abreu, enfermeira especialista em Saúde Infantil e Pediátrica da Unidade de Cuidados Intensivos e Pediátricos no Hospital Dr. Nélio Mendonça do Funchal, “quando os dentes começam a «romper», o sistema imunitário da criança está mais suscetível”. Além disto, ocorre uma mudança significativa no trato gastrointestinal da criança, que ainda é imaturo, uma situação que só se resolverá com o avançar da idade.

De acordo com estas profissionais, os bebés em aleitamento materno exclusivo até aos seis meses mantêm o pH das fezes em níveis menos agressivos para a pele, evitando complicações tais como dermatites.

A acidez de alguns alimentos pode agudizar este problema, assim como alguns medicamentos sistémicos poderão afetar a sua mobilidade e flora intestinais e o controlo autónomo da urina e das fezes, podendo mesmo ser irritantes quando eliminados pelo organismo.

Em casos extremos, a acidez pode traduzir-se numa alteração da mucosa intestinal que passa a não absorver adequadamente os nutrientes da alimentação, inclusivamente depois da digestão. Para cada nutriente mal absorvido existem explicações distintas, algumas das quais poderão indicar diferentes patologias: gorduras (pancreatites, obstrução do ducto biliar, doença celíaca), proteínas (Doença de Chron, Retocolite Ulcerativa), vitamina B12 (gastrite atrófica que pode conduzir a uma anemia perniciosa), ferro (doença celíaca, Doença de Chron e Retocolite ulcerativa) e lactose (intolerância).

O que pode complicar o problema?

Ambiente húmido e quente da fralda;
Consumo de alimentos que aumento o pH das fezes da criança (exemplos: kiwi, morango e abacaxi);
Diminuição da frequência da troca da fralda;
Utilização excessiva de toalhetes com álcool;
Má higiene perineal;
Recurso a produtos alergénicos.



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