Jornal Médico

Aftas: as marcas da dor
DATA
29/12/2016 10:52:59
AUTOR
Jornal Médico
Aftas: as marcas da dor

Invadem a boca dos mais novos e deixam os pais em estado de alerta. Uma doença contagiosa que deve ser acompanhada com atenção por pais e profissionais.

As aftas são úlceras benignas e representam um dos sintomas mais frequentes das estomatites aftosas, uma infeção viral bastante comum em bebés e crianças. Surge na boca e na garganta, causando desconforto e dor. Medem entre um e cinco milímetros de diâmetro e é fácil identificá-las: tons acinzentados ou amarelados (no centro) e avermelhadas (por fora). Podem alojar-se na gengiva (parte interna das bochechas), no fundo da boca, nas amígdalas, na língua, no céu da boca ou na garganta e despoletar inflamações e sangramentos das gengivas.

As causas podem estar associadas a um vírus, uma bactéria ou um fungo. São frequentemente provocadas pelo vírus herpes simples ou pelo Coxsackie, um elemento da família dos enterovírus; surgem igualmente devido a traumatismos (mordida da língua ou má escovagem dentária) ou até como sintoma secundário de doenças imunológicas.

Na origem do seu aparecimento poderá ainda estar a acidez, a alergia ou a infeção da mucosa bucal. “As estomatites aftosas são o quadro mais frequente e, por se tratar de uma doença contagiosa, a criança deve ser mantida em casa entre oito a 10 dias até à sua recuperação total”, adverte Filipa Barbosa, enfermeira especialista em Saúde Infantil e Pediátrica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga e secretária da Mesa do Colégio de Enfermagem em Saúde Infantil e Pediátrica.

Como tratar o problema?

É difícil prevenir estomatites, uma vez que, de acordo com a enfermeira, o vírus já se instalou no corpo de muitos adultos e de algumas crianças e é facilmente transmitido através do contacto diário entre as pessoas. “Podemos e devemos restringir o contacto das crianças com adultos ou outras crianças que já manifestem a infeção por herpes ativa ou qualquer tipo de lesão na boca”, adverte a especialista.

Durante o período de incubação, a criança apresenta dificuldade em deglutir e é essencial mantê-la hidratada. Opte por lhe oferecer bebidas frias, não ácidas e não gasosas: a água, os iogurtes líquidos, o leite ou os sumos diluídos (de maçã, por exemplo) poderão ser importantes aliados neste combate.

“A desidratação pode ocorrer rapidamente em crianças pequenas devido ao estado febril e à falta de ingestão de líquidos. Não dê alimentos ácidos (abacaxi, kiwi, laranja, limão, morango e tomate) ou muito temperados (sal, pimenta e alho)”, aconselha Lina Pereira, enfermeira especialista em Saúde Infantil e Pediátrica do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) de Lisboa Ocidental e Oeiras.

É também habitual ocorrer perda de peso e, por isso, importa assegurar o bem-estar do bebé: em situações de desidratação ou febre elevada pode necessitar de cuidados especializados em ambiente hospitalar.

Aprenda a identificar os principais sintomas

Dificuldade ou dor na deglutição
de sólidos e líquidos;
Falta de apetite;
Febre (até 40 graus Celsius);
Irritabilidade;
Mal-estar;
Mau hálito e aumento ganglionar;
Saliva mais do que o habitual.

Registe-se

news events box