Jornal Médico Grande Público

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DATA
02/12/2016 17:24:14
AUTOR
Pedro Carrilho - Assistente em Medicina Geral e Familiar da USF Magnólia, em Santo António dos Cavaleiros (Loures)
ETIQUETAS

HTA nos CSP: A nova realidade

Nos dias de hoje, o médico de família assume cada vez mais o papel de médico do utente no seu todo, na sua já clássica abordagem holística e biopssicosocial, mas cada vez mais como o eterno “multipolisubespecialista” do doente, que o acompanhará em todas as maleitas e enfermidades ao longo da sua vida!

Para tal, o médico de família precisa a cada dia de aumentar o seu conhecimento sobre cada vez mais áreas da Medicina, trazendo para a sua esfera de actuação, domínio e responsabilidade cada vez mais entidades clínicas, algumas delas até então recentemente “obscuras” e prontamente referenciadas para o subespecialista hospitalar.
Se em áreas como a Diabetes, a Dislipidemia, a DPOC e a Anticoagulação isto já hoje é uma realidade, e sê-lo-á cada vez mais, na Hipertensão tornou-se já uma verdade absoluta e inabalável a que não podemos virar costas... O doente hipertenso é do seu médico de família e temos de saber enfrentar cada vez com maior competência, responsabilidade e soluções todos os desafios e problemas com que nos deparamos na abordagem destes doentes.
Para isso, e antes de mais, precisamos fazer uma fotografia e traçar o panorama dos hipertensos da nossa lista de utentes e/ou da nossa unidade de saúde. É importante conhecermos a distribuição da sua pirâmide etária mas também algumas das características socioculturais desta subpopulação de utentes. É, também, fundamental avaliar e quantificar as restantes comorbilidades e antecedentes destes utentes (diabetes, dislipidemia, eventos CV anteriores), para melhor calcularmos o risco CV de cada utente e definirmos de forma mais adequada os seus alvos terapêuticos e as estratégias para os atingir, criando um plano personalizado à medida de cada utente hipertenso. Conhecer os nossos utentes hipertensos controlados e não controlados é também imprescindível para sabermos onde e quando actuar, e corrigirmos alguns dos factores modificáveis do risco CV destes utentes.
Dentro da equipa multidisciplinar de cada unidade de saúde torna-se também fundamental uma correta e dinâmica articulação entre os vários profissionais de saúde e microequipas, com o envolvimento de todos, em particular do enfermeiro de família do utente. Para tal, torna-se crucial a sistematização e padronização de processos, criação de procedimentos, definição do circuito do utente hipertenso, etc., que podem em última instância ser englobados num Processo Assistencial Integrado do Risco Cardiovascular (PAI-RCV), conforme recomendações da própria Direção-Geral da Saúde. Isto permite-nos executar cada vez mais vezes e com maior qualidade todos os passos fundamentais na abordagem destes utentes, identificando todos os pontos críticos ao longo do seu circuito onde podemos e devemos intervir, e reduzindo ao máximo o risco CV, de eventos e de outras complicações nestes utentes.
Contudo, ao longo deste percurso poderão surgir alguns obstáculos e desafios no nosso caminho... Particularidades de cada utente e sua família, má adesão terapêutica, indicadores de contractualização, preço e controlo de custos com prescrição de MCDT/Terapêutica, limitações e falências dos sistemas informáticos médicos, acessibilidade dos utentes, gestão da agenda e tempo de consulta do médico de família, são apenas alguns dos desafios que todos os dias se colocam à nossa frente, olhando-nos nos olhos, mostrando-nos caminhos mais fáceis e tentando demover-nos da missão a que nos propusemos, mas que sempre enfrentamos com a motivação e determinação de quem sabe sempre ter tomado a melhor decisão e ter feito a escolha certa, no melhor interesse daquele utente, que é NOSSO!

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