Jornal Médico Grande Público

Rinite alérgica: voltou com a primavera
DATA
24/04/2017 15:50:40
AUTOR
Susana Vilar Santos - Interna de Formação Específica na USF Terras do Ave
Rinite alérgica: voltou com a primavera

Com a chegada da primavera e dos pólenes, nas diversas especialidades – principalmente nas de Medicina Geral e Familiar, Otorrinolaringologia, Pneumologia e Serviço de Urgência – deparamo-nos com um boom de queixas múltiplas que traduzem a rinite alérgica.

 

 

A rinite alérgica surge, habitualmente, em indivíduos atópicos, atingindo cerca de 15% da população, com maior incidência nas áreas urbanas.

É geralmente sazonal pela sua relação com os aero-alergéneos e, eventualmente, com exacerbações sazonais.

As manifestações clínicas mais comuns são as crises esternutatórias, rinorreia serosa, obstrução e prurido nasal, lacrimejo, prurido ocular e olho vermelho, prurido do palato ou faríngeo e odinofagia, sensação de pressão no peito que pode acompanhar-se de sibilos.

Além desta sintomatologia afetar a qualidade de vida, surgem repercussões socioeconómicas negativas como: custos diretos em consultas, exames complementares de diagnóstico, internamento; custos indiretos por absentismo laboral, diminuição da produtividade/aproveitamento escolar, estratégias de evicção antigénicas. Neste sentido, torna-se pertinente o diagnóstico e tratamento corretos e a tranquilização do doente.

O diagnóstico baseia-se na colheita minuciosa e orientada da história e observação clínicas e nos prick test positivos para alguns dos alergénios testados.

A profilaxia das rinites alérgicas começa, como é lógico, pela evicção antigénica. Por isso, um ambiente desprovido de alergénios era desejável, mas não é exequível. Durante a primavera, sobretudo, evitar caminhar no campo, fazer campismo, caça ou pesca e ter a atenção de usar óculos. De modo a prevenir os sintomas, pode consultar-se o Boletim Polínico e a previsão semanal dos pólenes em Portugal, por região.

Além das medidas de evicção, a lavagem nasal deve ser de rotina e frequente para remover as secreções e os alergénios. O tratamento mais eficaz é o corticoide nasal que, quando usado regularmente, alivia os sintomas nasais. Os anti-histamínicos, por via sistémica, têm efeitos nítidos nos espirros, prurido e secreção nasal, mas devem ser utilizados por curtos períodos de tempo, durante as crises.

Outros tratamentos menos usuais, como os vasoconstritores (tópicos ou orais), também devem ser restringidos a um curto período, devido aos seus efeitos colaterais; o cromoglicato dissódico de aplicação local só tem ação profilática a nível dos espirros, prurido, obstrução e hipersecreção; os anticolinérgicos locais têm uma ação limitada por não terem efeito sobre os espirros, prurido e congestão nasal; os corticoides sistémicos apenas se justificam em situações de maior gravidade.

A imunoterapia tem sido considerada, unanimemente, um método terapêutico importante e com excelentes resultados nas polinoses.

Em suma, uma vez que esta doença crónica causa incómodo no dia a dia, deve fazer-se educação para a saúde, com vista a que o doente aprenda a gerir a doença, atendendo a que a adesão a todas as medidas profiláticas e/ou disponíveis permite prevenir e controlar os sintomas de forma aceitável, melhorando significativamente a qualidade de vida.

 

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