Jornal Médico Grande Público

Termalismo em Portugal – mitos e realidades
DATA
28/02/2018 15:59:30
AUTOR
Maria Inês Oliveira - Interna de formação específica em Medicina Geral e Familiar na USF Lagoa e ULS Matosinhos
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Termalismo em Portugal – mitos e realidades

O Termalismo foi desde sempre uma prática muito comum em Portugal. Durante décadas, as estâncias termais eram alvo de muita procura em determinados períodos sazonais, sobretudo pelas faixas etárias mais velhas, e eram consideradas, a nível social, férias de elevado estatuto e qualidade.

Perante estes factos, eis que surge a seguinte questão: afinal o termalismo representa uma atividade de lazer ou uma medida terapêutica?

Embora o intuito, por parte de uma grande amostra populacional, fosse usufruir de um período relaxante e de convívio, a medicina termal apresenta inúmeros benefícios para a saúde, não só para os grupos etários mais velhos, mas também para a população pediátrica.

Após ter concluído a pós-graduação em Climatologia e Hidrologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, pude constatar tais benefícios, não só devido aos conhecimentos teóricos abordados, mas também através da deslocação a determinadas termas, onde tive oportunidade de realizar alguns dos tratamentos proporcionados por estas.

De facto, a Hidrologia é uma área que intervém em várias patologias, incluindo as osteoarticulares, músculo-reumatológicas, cardiovasculares e também as do foro respiratório, como a sinusite, rinite e asma. Assim, é lamentável que hoje em dia ainda seja senso comum associar o conceito de termalismo a um centro de massagens, quando os seus objetivos terapêuticos vão muito para além do relaxamento físico e mental.

Em suma, todos os profissionais de saúde deveriam incentivar a medicina termal como uma prática a adotar em determinadas doenças. Infelizmente, como interna de Medicina Geral e Familiar, tenho vindo a constatar a necessidade crescente, quer por parte do utente, quer por parte do médico (este último, muitas vezes, numa tentativa de adesão por parte do paciente) de prescrever um medicamento para solucionar o problema em questão. Contudo, há que quebrar este ciclo viciante e instituir a prevenção quaternária, incentivando outras terapêuticas, sem fármacos associados, que trazem tantas ou mais vantagens para a saúde, como a medicina termal.

Por fim, é de referir que o termalismo atualmente já não beneficia de comparticipação por parte do Estado, pelo que se deve enfatizar a sua importância não só junto dos profissionais de saúde e da população em geral, como também junto das autarquias e de todas as entidades governamentais nacionais.

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