Jornal Médico Grande Público

HPV - vacinar ou não no sexo masculino?
DATA
24/08/2018 09:43:29
AUTOR
Sofia Fernandes
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HPV - vacinar ou não no sexo masculino?

Não são raras as vezes que nos deparamos na consulta com esta questão “Devemos ou não vacinar os adolescentes do sexo masculino contra o Papiloma vírus humano (HPV)?".

A vacina contra o HPV está licenciada desde 2006 e em uso em muitos países. Foi inicialmente introduzida nos Programas nacionais de vacinação (PNV) para raparigas, tendo como objetivo prevenir a infeção pelos tipos de HPV associados ao cancro do colo do útero e de outros cancros relacionados com HPV. Atualmente em Portugal, faz apenas parte do PNV a imunização ativa, com Gardasil 9, de todas as raparigas entre os 9 anos e 25 anos inclusive.

O HPV é responsável, em todo o mundo e em ambos os géneros, por lesões benignas e neoplasias malignas, com incidência elevada, sendo hoje considerado o segundo carcinogéneo mais importante, logo a seguir ao tabaco.

A origem vírica do cancro do colo do útero está solidamente estabelecida. Para além disso, é o fator causal de 88% dos cancros do canal anal, 70% dos cancros da vagina, 50% dos cancros do pénis, 43% dos cancros da vulva, 25,6 % dos cancros da orofaringe. As verrugas genitais são causadas em mais de 90% dos casos por HPV 6 e 11, não existindo diferenças entre sexos.

A carga da doença por HPV é relevante no género masculino, isto é, os homens encontram-se em risco de desenvolver condilomas genitais, cancros do ânus, do pénis, da cabeça e pescoço e neoplasias intraepiteliais do pénis e ânus. Aliado a este fator, ainda não existe rastreio implementado para a prevenção de cancro associado ao HPV no género masculino, pelo que a forma de reduzir o risco individual de doença é através da vacinação. Além destes fatores, nos últimos anos foi defendido que os homens beneficiavam com a imunidade de grupo, no entanto, numa era de globalização em que existe circulação frequente entre países, o contacto sexual com raparigas de zonas de baixa cobertura vacinal ou onde a vacina não é utilizada, podem colocar em risco os não vacinados.

Na Acta Pediátrica Portuguesa de abril/junho de 2018 a Comissão de Vacinas da Sociedade de Infeciologia Pediátrica e da Sociedade Portuguesa de Pediatria, recomenda a administração da vacina Gardasil® 9, a título individual, a todos os adolescentes do género masculino como forma de prevenir as lesões associadas ao HPV. Referem ainda que nos rapazes já vacinados com a Gardasil 4 não existe benefício adicional em fazerem novo esquema com a Gardasil 9.

Por razões de ordem de saúde pública e ética 16 países desenvolvidos, já emitiram recomendações oficiais para a vacinação universal contra HPV, isto é, nos jovens do sexo feminino e masculino.

Assim, de acordo com a investigação mais recente, está cada vez mais recomendada a vacinação contra o HPV, a título individual, nos adolescentes do género masculino como forma de prevenir as lesões associadas ao HPV.

Bibliografia:

  • Recomendações Sobre a Vacinação Contra o Papiloma Vírus Humano no Género Masculino. Acta Pediatr Port 2018;49:208-13).DOI: 10.21069/APP.2018.14090
  • Sociedade de infeciologia Pediátrica da SPP – Recomendações sobre vacinas extra- plano – atualização 2015/2016, comissão de vacinas SIP-SPP, Nov 2015.
  • WHO/ICO Information Centre on HPV and Cervical Cancer (www.who.int/hpvcentre).
  • Direção-Geral da Saúde – Norma – Programa Nacional de Vacinação – Alteração do esquema da vacina contra infeções por vírus do Papiloma Humano (HPV); 29 setembro 2014.
  • Direção-Geral da Saúde. Boletim de vacinação nº8, edição especial. A Vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV) em Portugal; Abril 2014.
  • Direção-Geral da Saúde, Comissão Técnica de Vacinação. Vacinação contra infeções por vírus do papiloma humano (HPV). Lisboa: DGS; 2008.
  • Direção-Geral da Saúde. Programa nacional de vacinação. Lisboa: DGS; 2017.

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