Jornal Médico Grande Público

Karaté: as artes marciais e a promoção da atividade física

A atividade física tem um papel decisivo na saúde e bem-estar da população através da sua relação direta com a prevenção de várias doenças crónicas, tais como doença coronária, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral, síndrome metabólico, diabetes tipo II, cancro da mama, cancro colorretal, depressão e queda. Como tal, recomenda-se que os indivíduos adultos saudáveis pratiquem 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade física vigorosa, e as crianças e adolescentes pratiquem diariamente 60 minutos de atividade física de intensidade moderada a vigorosa.

A prática de artes marciais, das quais o karaté é uma das mais divulgadas, tem ganho popularidade entre indivíduos de todas as idades. Tendo praticado karaté dos 12 aos 23 anos de idade (e com a promessa de retomar), decidi desta forma dar a conhecer aos leitores a sua origem e princípios, bem como os benefícios para a saúde.

O karaté teve origem na ilha de Okinawa, situada a sul do Japão, baseado nas artes marciais praticadas pelos seus habitantes, por sua vez inspiradas em técnicas oriundas da China. Após a anexação da ilha de Okinawa no final do século XIX pelo Japão, o karaté passou a ser praticado em todo este império, tendo a sua prática sido difundida pelo resto do mundo após a Segunda Guerra Mundial. Atualmente estima-se que existam entre 50 a 100 milhões de karatecas em todo o mundo. Ao contrário da imagem frequentemente retratada no cinema, na qual o karaté é visto como uma forma de luta misteriosa e acrobática, a realidade do treino desta arte marcial é bem diferente daquilo que nos é transmitido. A filosofia do karaté defende que o treino da mente é tão importante como o treino do físico, e que os ensinamentos devem ser utilizados para a defesa e não para o ataque.

Existe evidência que a prática de artes marciais, incluindo o karaté, apresenta benefícios ao nível da saúde física e mental em todos os indivíduos, independentemente da idade de início. Estes ganhos manifestam-se ao nível cardiorrespiratório e muscular, no controlo do peso e da composição corporal, na saúde óssea, na melhoria do equilíbrio e do controlo postural, bem como numa melhor função cognitiva e bem-estar psicossocial. Adicionalmente, particularmente nos jovens, desencoraja comportamentos violentos e melhora a capacidade concentração.

Um dos aspetos que pode desencorajar a prática de artes marciais (e de outros desportos de impacto) é o receio de lesões musculoesqueléticas. Curiosamente, vários estudos que abordaram este tema revelaram uma menor incidência de lesões nos praticantes de artes marciais em comparação com outros desportos. Tal facto, associado à grande variedade de exercícios (com diferentes níveis de contacto físico) que pode ser realizada e adaptada à idade e condição física de cada indivíduo, torna a prática de artes marciais uma atividade segura.

Tal como eu, qualquer um pode praticar uma arte marcial, treinar o corpo e a mente, e usufruir dos benefícios que daí advêm.

 

Referências Bibliográficas:

Origua Rios S. et al. Health benefits of hard martial arts in adults: a systematic review. J Sports Sci. 2018 Jul;36(14):1614-1622.

Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física. Direção-Geral da Saúde. 2017.

Woodward TW. A review of the effects of martial arts practice on health. WMJ. 2009 Feb;108(1):40-3.

Site oficial da IOGKF Portugal (https://apogk.pt/). Acedido a 17/08/2018.

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