Jornal Médico Grande Público

Desculpem, mas eu li... “O que é preciso é apostar na prevenção”…
DATA
26/11/2018 16:59:13
AUTOR
Rui Cernadas
ETIQUETAS


Desculpem, mas eu li... “O que é preciso é apostar na prevenção”…

Por diversas vezes e a respeito de oportunidades ou propósitos multidisciplinares, tenho sublinhado, com convicção, a importância do trabalho dos farmacêuticos, designadamente no Serviço Nacional de Saúde (SNS). E também, salientado o facto de a rede nacional de farmácias ser, em Portugal, a linha da frente na proximidade de cuidados às populações.

Tenho igualmente insistido na necessidade de, sem complexos, tal convergência se acentuar e impor numa perspetiva alargada e transversal de dispensa de cuidados de saúde.

O papel do farmacêutico clínico centra-se na prestação ou na disponibilização de práticas e de procedimentos de saúde que visam a correção e adequação da terapêutica medicamentosa. É portanto uma área científica e técnica que é preventiva face à doença e principalmente preventiva face ao erro e à segurança dos doentes.

Em geral, os erros de medicação derivam de prescrições, às quais com lógica e senso, se reconhecem ou pressões ou constrangimentos que vão desde a falta de tempo pelos rácios de doentes observados, à multiplicidade de factores de distração – que incluirão a prestação simultânea de outros atos clínicos ou de observação de vários doentes ao mesmo tempo ou de telefonemas pelo meio, até omissões ou erros mesmo, seja em relação ao doente em causa, seja em relação ao medicamento em si ou a outros em coadministração.

Está bem demonstrado e repetidamente publicado que a capacidade dos farmacêuticos clínicos intervirem na revisão das terapêuticas, particularmente em associação com os prescritores, é além de um exercício sempre útil e motivador, um upgrade na segurança dos doentes e na redução do número de erros relacionados com a prescrição, dispensa e tomada de medicações.

E se tomarmos em consideração o panorama português, quer pela geografia do envelhecimento, quer da solidão, ou das multimorbilidades e patologias crónicas mais complexas, tal importância fica reforçada.

O ponto aqui é procurar compreender se o trabalho e a actividade dos farmacêuticos clínicos não se deveria alargar, em especial em ambito hospitalar, por exemplo nos serviços de urgência onde tudo quanto foi dito se acentua brutalmente.

E, claro, no plano dos cuidados de saúde primários (CSP), quer junto dos médicos na estruturação dos planos terapêuticos para algumas doenças, nomeadamente as que constem de indicadores de desempenho clínico, quer junto dos doentes, seja na avaliação e reconciliação dos tratamentos, fosse na planificação e seguimento de acções de educação pela saúde e de informação sobre a monitorização dos resultados.

Creio que, de resto, os serviços de urgência e mesmo os serviços de atendimento não programados dos CSP, tendo em conta as pressões de procura e os períodos de maior afluência horária ou sazonal, só poderiam beneficiar destes profissionais e da aposta em trabalho em equipa.

Mas, antes disso vir a acontecer, ainda muitos remédios hão-de nos causar problemas e muita despesa pública...

É o discurso politico de sempre, “o que é preciso é apostar na prevenção”…

Saúde Pública

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