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O diretor do Serviço de Doenças Infecciosas do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra defendeu ontem "ser inevitável" o tratamento, em Portugal, de todos os seropositivos com antirretrovirais, desde o diagnóstico da infeção pelo vírus da Sida.

"Até agora, tínhamos uma atitude mais expectante, o diagnóstico não era sinónimo de tratamento imediato. Íamos vigiando os doentes, e só quando chegavam a determinada fase da doença é que iniciávamos a terapêutica", afirmou Saraiva da Cunha à Lusa.

Saraiva da Cunha é um dos especialistas portugueses que participam, em Vancouver, no Canadá, numa conferência internacional sobre Sida, que termina hoje, e da qual sairá, segundo o médico, a ideia marcante de que "o diagnóstico deve ser seguido imediatamente pelo tratamento".

Da VIII Conferência da Sociedade Internacional da Sida sobre Patogénese, Tratamento e Prevenção do VIH, que começou no domingo, emanou uma declaração subscrita por vários organismos e agências, incluindo o Programa das Nações Unidas sobre o VIH/Sida, que apela a governos e reguladores da saúde o acesso imediato de todos os infetados a antirretrovirais.

O diretor do Serviço de Doenças Infecciosas do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra crê que "a alteração das regras" do tratamento da infeção do vírus da Sida, pedida na Declaração de Vancouver, "vai ser inevitável" em Portugal.

"Vamos ter que, ainda este ano, discutir seriamente as nossas normas e revê-las", sustentou, assinalando que "há prova científica suficiente para passar a indicar que os doentes devem ser todos tratados", tendo esta metodologia "um impacto enorme na prevenção".

Saraiva da Cunha lembrou que se um doente for tratado, controlado, a ponto de a sua carga viral se tornar negativa, deixará de transmitir a infeção.

Sobre os custos do "tratamento para todos" com antirretrovirais, o docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra disse que "o prato da balança" irá cair "nos enormes benefícios que se recolhem em termos de saúde pública".

O médico estima que, em Portugal, haja "15 a 20 por cento de doentes que são seguidos e não são tratados".

Um ensaio clínico à escala internacional revelou em maio, segundo as agências de notícias estrangeiras, que as pessoas com VIH tratadas imediatamente tinham menos 53 por cento de riscos de morrer ou desenvolver doenças associadas à infeção.

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VIHSida
Uma jovem de 18 anos, infetada com o vírus da Sida durante a gravidez da mãe, está em remissão depois de ter recebido tratamento antirretroviral até aos seis anos, segundo um estudo ontem divulgado.

Este primeiro caso mundial mostra que a “remissão prolongada após o tratamento precoce poder ser feito numa criança infetada pelo VIH desde o nascimento”, refere o estudo francês apresentado por Asier Sáez-Cirion, do Instituto Pasteur, na oitava conferência sobre a patogénese do VIH, que decorre até quarta-feira em Vancouver.

O conceito de remissão a longo prazo após tratamento antirretroviral precoce para controlar a infeção por VIH já tinha sido destacado num estudo divulgado pela ANRS Visconti, em 2013.

O estudo apresentado ontem, dia 20 de julho, foi realizado junto de uma criança nascida em 1996, “infetada no final da gravidez ou durante o parto pela mãe que tinha uma carga viral não controlada”.

A criança foi imediatamente tratada com antirretrovirais durante seis semanas e diagnosticada como portadora do VIH um “mês depois do nascimento”, segundo o trabalho do Instituto Pasteur.

“Dois meses depois, e após ter sido interrompido o tratamento profilático, a criança tinha uma carga viral muito alta, levando ao início de uma terapia combinada com quatro antirretrovirais” para os primeiros seis anos, disse o médico.

A criança interrompeu o tratamento durante um ano e, um ano mais tarde, quando voltou a ser reexaminada, tinha uma carga viral indetetável e foi decidido mantê-la sem tratamento.

Até aos 18 anos, a jovem manteve sempre uma carga viral indetetável sem nunca mais ter tomado antirretrovirais, refere ainda a análise do Instituto Pasteur.

Apesar deste caso de remissão abrir novas perspetivas para a pesquisa, não deve ser considerada como uma cura, indica o estudo, salientando que a jovem continuam infetada e é impossível prever a evolução da sua condição.

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Um grupo de cientistas desenvolveu uma vacina experimental que pode gerar em ratos os anticorpos necessários para neutralizar o vírus do VIH, que provoca a Sida.

As conclusões foram publicadas em três estudos divulgados quinta-feira nas revistas especializadas Cell e Science.

Os estudos foram realizados por cientistas de dois centros norte-americanos, o Instituto de Investigação Scripps e da Universidade Rockefeller, e pela Iniciativa Internacional da Vacina da Sida.

A descoberta pode fornecer informação crucial para se chegar a uma vacina eficaz contra a Sida, referem no estudo os autores.

A natureza mutante do vírus VIH, assim que entra no corpo, tem sido uma frustração para os investigadores, que têm feito um enorme esforço para compreender o comportamento do vírus.

Nos últimos anos, os cientistas conseguiram perceber que um pequeno grupo de pessoas que vive com VIH desenvolve anticorpos que neutralizam amplamente o vírus.

Os investigadores que publicaram o estudo conseguiram demonstrar que é possível gerar aqueles anticorpos em ratos através de uma sucessão de vacinas.

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Seringa

O declínio da heroína, as melhorias no tratamento da hepatite, menos casos de sida, a “elevada prevalência” da cannabis e o aumento de drogas sintéticas caracterizam o panorama europeu das drogas segundo um relatório apresentado hoje.

Da responsabilidade da agência da União Europeia (UE) de informação sobre droga (European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction – EMCDDA), com sede em Lisboa, o “Relatório Europeu sobre Drogas 2015: Tendências e evoluções” analisa a situação nesta matéria, numa altura em que completa 20 anos de monitorização do fenómeno.

No documento hoje apresentado em Lisboa, o EMCDDA assinala desde logo uma “estagnação geral” da procura da heroína, diz que o número de pessoas que iniciam um tratamento para problemas associados ao consumo diminuiu 23 mil em 2013, em relação a 2007, e estima que mais de metade dos 1,3 milhões de consumidores crónicos dependentes esteja actualmente num tratamento de substituição.

Tal como o consumo, também diminuíram as apreensões – 5,6 toneladas apreendidas em 2013, na UE, um dos mais baixos números dos últimos 10 anos, e metade do que foi apreendido em 2002 (10 toneladas).

De acordo com o documento, optimistas são igualmente outros números. “Os dados mais recentes revelam que o número de novos casos de VIH atribuídos ao consumo de droga injectada, que tinha aumentado devido aos surtos ocorridos na Grécia e na Roménia em 2011/2012, estabilizou e que o total de casos da UE diminuiu para os níveis anteriores a esses surtos”, diz uma síntese do relatório.

Dados provisórios relativos a 2013, acrescenta, dão conta de 1.458 novos casos de infecções por VIH, em comparação com os 1.974 registados em 2012, invertendo a tendência crescente que se observava desde 2010.

Com menos viciados em heroína, menos hepatite C e menos VIH, subsiste o “desafio” de combater as overdoses (6.100 na UE, em 2013), diz-se no documento, que salienta também a crescente importância da cannabis nos sistemas de tratamento da toxicodependência na Europa.

A cannabis (haxixe ou marijuana) continua a ser a droga ilícita mais consumida na UE, estimando a agência que 19,3 milhões de adultos a consumiram no último ano e que um por cento da população adulta é consumidora diária ou quase diária.

Na Europa, o número de utentes que iniciaram o tratamento pela primeira vez devido a problemas de consumo de cannabis subiu de 45.000 em 2006 para 61.000, em 2013. O número de emergências médicas devido ao consumo também aumentou nalguns países.

Duas novas substâncias psicoactivas por semana na Europa

Em 2014 foram detectadas na UE duas “novas drogas” por semana, substâncias psicoactivas que normalmente provocam euforia.

A um ritmo que está a preocupar as autoridades europeias, só no ano passado foram detectadas 101 novas substâncias, quando em 2013 tinham sido notificadas 81. Ao todo, diz o relatório, estão a ser monitorizadas 450 substâncias psicoactivas (ou “novas drogas”), mais de metade delas identificadas nos últimos três anos.

Estas novas drogas sintéticas são essencialmente canabinóides (substitutos da cannabis) e catinonas (estimulante parecido com a anfetamina), e só em 2013 foram notificadas 35 mil apreensões destes produtos psicoactivos, embora o relatório diga que o número é uma “estimativa mínima”.

“Na maior parte dos países da EU, o consumo destas substâncias parece ter uma prevalência baixa. Mas, apesar do consumo limitado destas substâncias este pode ser preocupante devido à elevada toxicidade que algumas apresentam”, alerta o relatório.

Quanto ao “aumento acentuado” da potência e pureza das drogas ilícitas consumidas na Europa diz a Agência que tal suscita preocupação com a saúde dos consumidores, que mesmo inconscientemente podem estar a usar produtos mais fortes. A inovação técnica e a concorrência do mercado são dois dos factores que estarão a impulsionar esta tendência, justifica-se no documento.

Depois, acrescenta-se ainda, a Europa está confrontada com um mercado sobrelotado de estimulantes, no qual a cocaína, as anfetaminas, o ecstasy e um crescente número de drogas sintéticas têm como alvo grupos de consumidores semelhantes.

A cocaína continua a ser a droga estimulante mais consumida na Europa, ainda que o uso esteja em queda.

No ano passado, cerca de 3,4 milhões de adultos consumiram, enquanto 1,6 milhões consumiram anfetaminas, com um “aumento acentuado” de consumo de alto risco (injectado).

Quanto ao ecstasy, a agência estima que, no último ano, 2,1 milhões de adultos o tenham consumido

Portugal abaixo da média europeia no consumo e tráfico

Portugal tem baixos índices de consumo e de tráfico de drogas em relação à média da União Europeia.

Em todo o documento, de 82 páginas, Portugal tem uma presença discreta, com excepção no número de diagnósticos de VIH atribuídos ao consumo de droga injectada – 7,4 casos por milhão de habitantes –, quando a média europeia é de 2,9 casos. Apenas cinco países estão acima de Portugal.

Nos restantes indicadores, os índices estão sempre abaixo da média europeia. No consumo de cocaína, por exemplo, a percentagem de consumidores adultos (15 a 64 anos) está em 1,2, quando a média da UE é de 4,6 por cento. Já a percentagem dos jovens que dizem ter consumido nos últimos doze meses é, em Portugal, de 0,4 e na Europa de 1,9.

Quanto ao consumo de anfetaminas, a prevalência em Portugal é de 0,5 por cento, bastante menos do que a média da UE, 3,5 por cento. Na Dinamarca, a prevalência em adultos, ao longo da vida, é de 6,6 por cento e, no Reino Unido, chega-se aos 11,1 por cento.

No ecstasy, a tendência é a mesma: Portugal com uma prevalência (adultos, ao longo da vida) de 1,3 por cento, contra os 3,6 por cento da média europeia. Abaixo de Portugal, apenas estão a Grécia, o Chipre, Malta, Polónia e Roménia. Os índices mais altos pertencem à Irlanda (6,9) e ao Reino Unido (9,3).

Quanto à cannabis (não há dados de Portugal quanto aos opiáceos), Portugal tem uma estimativa de prevalência de 9,4 por cento (adultos, ao longo da vida) e a UE chega aos 23,3 por cento. Os romenos são os que menos usaram cannabis (1,6) e os que apresentam maiores consumos são os franceses (40,9), seguidos dos dinamarqueses (35,6) e dos espanhóis (30,4).

Segundo o relatório, em termos gerais as estatísticas referem-se a 2013 mas, por vezes, variam consoante o país, sendo sempre os mais actualizados. Nele compara-se ainda o número de mortes devido à droga por milhão de habitantes, tendo Portugal contabilizado 21 casos, o que dá três mortos por milhão, quando a média na UE é de 17,3 por milhão. A Estónia destaca-se com os seus 126,8 mortos por milhão de habitantes.

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VIHSida

O director-adjunto do Centro de Excelência em VIH/Sida da Colúmbia Britânica, Rolando Barrios, alertou ontem em Coimbra para a necessidade de se implementar o tratamento anti-retroviral como prevenção.

E, se isso não acontecer, alertou, os governos terão de "pagar uma dívida no futuro".

O TAsP ("Treatment as prevention" - Tratamento como prevenção), que é o uso do tratamento anti-retroviral nos indivíduos logo que são diagnosticados com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), é "fundamental" para se diminuir o número de novas infecções, podendo com este mecanismo "eliminar-se virtualmente o VIH", disse à agência Lusa o investigador guatemalteco a trabalhar no Canadá.

"Os Governos olham a curto prazo e têm de olhar a longo prazo porque ou pagam hoje a conta ou vão pagar uma dívida no futuro", alertou o investigador e médico, que falava à margem do 6.º Congresso das Pandemias, que começou na quinta-feira, no Hotel Vila Galé, em Coimbra.

O conceito do TAsP, nascido num grupo do Centro de Excelência liderado pelo investigador Julio Montaner, foi aplicado inicialmente na província canadiana da Colúmbia Britânica, em que as pessoas diagnosticadas com o VIH iniciaram de imediato o tratamento anti-retroviral, ao contrário do que acontecia antes, em que só se iniciava o tratamento quando "os níveis de defesa estavam muito baixos", aclarou.

"De 700 novas infecções em 1995, a província passou a ter apenas 250 novas infecções por ano", sublinhou Rolando Barrios, referindo que o TAsP controla o vírus, previne a evolução do HIV para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Sida) e "o risco de transmissão reduz-se em 95%".

Apesar de um investimento "elevado" no tratamento ao longo da vida do paciente, o TAsP levou a que "Governo de Colúmbia poupasse agora quatro milhões de dólares por ano", acrescentou, realçando que "as outras províncias" canadianas, que não aderiram ao TAsP, "não estão bem e gastam muito dinheiro com os novos infectados".

Para Rolando Barrios, o grande desafio para o futuro será também o trabalho em torno dos jovens, que é onde se "assiste, globalmente, à maioria das transmissões", salientou.

"Estes jovens não viveram a experiência inicial, não perderam amigos com o VIH e sentem-se invencíveis", constatou, apontando para a necessidade de se pensar em abordagens junto desta faixa etária.

Por outro lado, o director do Programa Nacional para a Infecção VIH/Sida, António Diniz, afirmou que a possibilidade de tratamento como prevenção está prevista nas recomendações elaboradas pelo programa desde 2012, considerando que Portugal deve "caminhar" no sentido de se fazer "tratamento [anti-retroviral] a todas as pessoas [diagnosticadas com o vírus]".

Contudo, é necessário negociar com a indústria farmacêutica para não se "onerar excessivamente o Serviço Nacional de Saúde", apontou.

De acordo com António Diniz, o grande objectivo do programa passa no momento pelo "diagnóstico precoce" e pela "disseminação dos meios de prevenção".

Em Portugal, dados apontam para a existência de 60 mil infectados com o VIH.

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Investigadores 4

Uma vacina que contém uma proteína necessária para a replicação do VIH pode reforçar o sistema imunitário dos infectados com o vírus, refere uma investigação publicada pela revista Retrovirology.

O reforço do sistema imunitário dos pacientes pode ter como resultado um aumento da eficácia dos fármacos anti-retrovirais, assinala o estudo.

Quando uma pessoa é diagnosticada com o VIH é submetida a uma terapia denominada HAART, na sua sigla inglesa, à base de medicamentos anti-retrovirais que podem conseguir que o vírus deixe de se reproduzir quase completamente.

Os especialistas sabem que o vírus pode manter a reprodução a níveis baixos e acumular-se de forma latente nos chamados “reservatórios” que se localizam por todo o corpo, podendo causar complicações e até a morte por doenças não relacionadas com a Sida.

Na fase inicial da infecção por VIH é produzida uma proteína vírica denominada “Tat” que tem um papel fundamental na replicação do vírus e a progressão da doença ao debilitar o sistema imunitário do doente.

Desenhando uma vacina que incorpora uma pequena quantidade da proteína “Tat”, os investigadores foram capazes de produzir uma resposta imune para evitar a progressão da doença.

“Pela primeira vez provámos que a terapia anti-retroviral pode ser intensificada com uma vacina”, indicou a responsável da equipa de investigadores, Barbara Ensoli, do Instituto Superior Saúde de Roma.

O ensaio clínico foi realizado em 168 pacientes com VIH que receberam a vacina com diferentes concentrações de “Tat” durante períodos de três a cinco meses e que foram combinadas com o tratamento HAART.

Os investigadores perceberam um reforço do sistema imunitário e vão agora realizar um novo estudo de confirmação das conclusões, mas defendem que os resultados são prometedores para o tratamento do VIH no futuro.

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sida - campanhas

Associações de defesa dos doentes com VIH/Sida contestaram hoje o concurso aberto no final de 2014 para financiar projectos nesta área, por não contemplar as suas propostas, em áreas como a prevenção e a discriminação.

As associações Abraço, CASO, GAT, Ser+ e Fórum Nacional da Sociedade Civil VIH/SIDA enviaram hoje uma carta ao Director-geral da Saúde e ao Director do Programa Nacional VIH/SIDA, na qual manifestam o seu desacordo relativamente ao concurso aberto pela DGS a 29 de Dezembro de 2014 e pedem um concurso adicional no início deste ano.

O argumento é o de que o concurso não responde “às prioridades identificadas” e subscritas pelas organizações num documento – “condições e prioridades para os concursos de financiamento de projectos da sociedade civil na área do VIH e SIDA, hepatites víricas, tuberculose e IST” – que foi entregue à tutela em Julho do ano passado.

“Este documento e as prioridades e condições para os concursos nele constante, resultantes do consenso das ONG que o elaboraram e subscreveram, foi considerado pelo Director Nacional do Programa como positivo e um guião para o concurso. No entanto, as condições e prioridades definidas, no concurso agora aberto, mostram que as propostas apresentadas não foram contempladas”, explicam as associações em comunicado.

Estes activistas criticam a abertura do concurso no final do ano e com um prazo reduzido, impossibilitando a submissão de candidaturas bem preparadas e fundamentadas e impedindo que as candidaturas aprovadas se iniciem nos prazos estabelecidos.

Além disso, contestam o facto de os concursos anunciados estarem centrados na área do teste, deixando de fora outras prioridades que as associações consideram essenciais, nomeadamente na área da prevenção, discriminação, literacia e adesão terapêutica.

A verba alocada a este concurso, no valor de 1,9 milhões de euros (90% do valor dos projectos) será distribuída por metade de 2015, 2016 e parte de 2017, o que, mesmo considerando os 25% iniciais, significa um montando inferior ao alocado no concurso de 2014 e “muito longe das necessidades quantificadas”, consideram.

Na opinião dos activistas, este concurso é, “tal como o de 2013, uma aquisição de serviços do Ministério da Saúde às organizações não governamentais, com descrição do número de rastreios, áreas de realização e respectivos meios a utilizar mas pago a 90% e não a 100% como nos contratos de prestação de serviços”.

Entre as propostas apresentadas à tutela em Julho do ano passado, as associações reclamam mais dinheiro, abertura do concurso mais cedo e uma avaliação oficial do custo-benefício das intervenções.

As associações deram conhecimento da carta hoje enviada ao Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, ao Ministro da Saúde, à Presidente da Comissão de Saúde e ao Grupo de Trabalho VIH/SIDA da Assembleia da República.

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Tuberculose 2

A taxa de incidência de tuberculose em Portugal diminuiu 7% em 2013, face ao ano anterior, com as cidades do Porto e de Lisboa a registarem a maior incidência de todo o país, segundo um relatório hoje apresentado.

De acordo com o relatório “Portugal – Infecção VIH, SIDA e Tuberculose”, foram notificados no ano passado 2.195 novos casos, o que representa uma taxa de incidência de 21,1/100.000 habitantes.

Cerca de 38% dos doentes com tuberculose tinham comorbilidades reconhecidas de risco para tuberculose, sendo a mais significativa a infecção por VIH (14,5%).

A proporção de doentes com tuberculose e doença oncológica, com diabetes ou patologia inflamatória articular tem aumentado nos últimos anos.

O documento indica ainda que perto de 30% dos doentes tinha factores de risco sociais, entre os quais o consumo de álcool e o consumo de drogas ilícitas.

Dos 1.114 casos com tuberculose confirmada e tratamento terminado, 931 tiveram sucesso terapêutico, o que representa uma taxa de sucesso de 83,6%.

Em contrapartida, 32 interromperam o tratamento (2,9%) e 113 morreram no decorrer do tratamento para tuberculose (10,1%).

A Direcção-geral da Saúde recomenda a identificação e correcção das barreiras ao diagnóstico célere da tuberculose e a definição de protocolos com vista ao rastreio e detecção precoce nos grupos de maior risco.

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Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.