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O Centro Anti Discriminação VIH/Sida recebeu, nos dez primeiros meses do ano, 42 queixas de pessoas infectadas com VIH que se sentiram descriminadas, um número que aumentou significativamente desde 2012, foi hoje anunciado.

Dados divulgados hoje, pelo centro, referem que o número de queixas “tem aumentado, significativamente, desde o segundo semestre de 2012, quando se registaram dez queixas”.

No primeiro semestre de 2014, foram registadas 25 e, no segundo semestre, até Novembro, foram reportados 17 casos.

Criado em Janeiro de 2010, pela SER+, Associação Portuguesa para a Prevenção e Desafio à Sida, e pelo Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT), o Centro Anti Discriminação VIH/Sida dirige-se “às pessoas que vivem ou são afectadas pelo VIH, sujeitas a estigma e discriminação associadas à infecção”, mas também aos profissionais e trabalhadores nas áreas da saúde, educação e serviços sociais, a voluntários, colaboradores e trabalhadores de organizações não-governamentais.

O projecto, co-financiado em 75% pela Direcção-geral da Saúde, no âmbito do Plano Nacional Para a Infecção VIH/Sida, teve início em Janeiro de 2011 e terá a duração de quatro anos.

No ano passado, foram diagnosticados quase três casos por dia de infecção por VIH/sida em Portugal, num total de 1.093 situações, o que equivale a uma taxa de 10,5 novas infecções por 100.000 habitantes, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).

Os dados indicam que, dos casos registados em 2013, 20,7% das situações já se encontravam no estádio sida, quando a infecção evolui para doença.

Foram notificados 226 mortes ocorridas no ano passado em pessoas com a infecção por VIH, 145 das quais no estádio sida.

Entre 1985 e 2013 foram diagnosticados ao todo 47.390 casos de infecção por VIH/sida.

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O ministro da Saúde afirmou hoje que o número de novos casos de VIH/Sida em Portugal continua acima da média europeia, pelo que haverá maior aposta no diagnóstico precoce, através das análises de rotina pedidas pelo médico.

Falando na sessão de abertura do Congresso Nacional “VIH, Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica”, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, manifestou um “misto de expectativas” em relação aos dados mais recentes sobre o VIH/Sida.

“Houve uma evolução melhor nos últimos anos do que seria expectável. Tendo em conta o cenário adverso vivido, seria de supor uma diminuição não tão significativa”, realçou o ministro, como factor positivo.

No entanto, “o número de novos casos continua acima da média da União Europeia”, uma realidade que “vai demorar décadas a resolver”, afirmou.

Ou seja, “o sistema foi capaz de reduzir novos casos, mas ainda não tanto quanto deveria ser capaz”, disse Paulo Macedo, sublinhando que “o número de novos casos é significativo, apesar de a doença ter sido objecto de um investimento muito significativo nos últimos 20 anos”.

Os “novos desafios” passam assim por “melhorar comportamentos em relação às práticas de risco”, designadamente promovendo o diagnóstico precoce – para diminuir as probabilidades de contágio – e melhor informação.

Paulo Macedo considera que ainda há muita falta de informação, o que está patente nas mutações de concentração de novos casos: os dados mais recentes indicam que a maioria dos novos casos de VIH se deu no grupo de heterossexuais e uma grande percentagem em jovens de 17/18 anos.

“Precisamos de nos dirigir a estes novos grupos e alertar que a Sida é uma doença com números acima da média da União Europeia”, disse.

Quanto a medidas concretas, o ministro anunciou uma norma de orientação clínica, que se prevê seja publicada durante este mês, para que os médicos, quando estejam a ver um paciente com idade entre os 18 e os 64 anos, o alertem para a importância de fazer o teste ao VIH.

O objectivo é poder ter um diagnóstico precoce mais eficaz e tentar evitar a distância entre contrair a infecção e o diagnóstico.

“O que há de novo é uma orientação no sentido de ser proposto, ser feito e não apenas em situação de risco”, disse o ministro, sublinhando contudo que “o paciente pode recusar”.

Paulo Macedo realçou que tudo será feito para que esta medida não altere a relação de confiança entre o médico e o paciente, que considera fundamental.

Como positivo, o ministro salientou o facto de as pessoas já olharem para a Sida como uma doença crónica, embora esta seja também uma postura de menor consideração de risco face à doença e às causas de transmissão. “Há 20 anos era uma doença mortal. Hoje é tratável, de forma a torná-la uma doença crónica”, sublinhou.

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virussida

O Dia Mundial da Luta Contra a Sida assinala-se hoje com várias iniciativas, pelo país, para lembrar uma doença que, desde 1985, afectou mais de 47 mil pessoas em Portugal.

Para assinalar a efeméride, o Grupo de Mulheres com Intervenção na Sociedade da SER+, Associação Portuguesa Para a Prevenção e Desafio à Sida, promove a conferência “VIH e os Afectos”, com o objectivo de debater a problemática do VIH em Portugal.

A conferência, que irá decorrer na Sala do Senado, na Assembleia da República, terá como foco a “descriminação das pessoas que vivem com a doença, e conseguir resoluções nesta matéria”.

A Abraço vai realizar um conjunto de acções com o objetivo de “continuar a sensibilizar a população portuguesa para a problemática do VIH/sida”, uma vez que o último relatório do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (INSA) refere que se encontravam notificados, cumulativamente, 47.390 casos de infecção VIH, dos quais 19.075 em "estádio sida".

Iluminar a Fonte Luminosa na Praça do Império, em Lisboa, com luzes vermelhas, é uma das acções que a associação vai realizar.

O dia também é marcado pela Abraço, com a realização da 22ª Gala da Abraço, no Teatro São Luiz, em Lisboa, com acções de rua, que incluem rastreios ao VIH, na Praça dos Leões, no Porto, e um debate sobre o “investimento futuro na prevenção primária e secundária”, também no Porto.

A Universidade Católica vai acolher, entre hoje e quarta-feira, o Congresso Nacional de VIH, doenças infecciosas e microbiologia clínica, em que será discutido o futuro da terapêutica anti retrovírica, a simplificação dos tratamentos, a coinfecção VHC/VIH e o surto recente de legionella em Portugal.

Segundo os dados do INSA, quase três casos por dia de infecção por VIH/sida foram diagnosticados no ano passado, em Portugal, num total de 1.093 situações, o que equivale a uma taxa de 10,5 novas infecções por 100.000 habitantes.

Quanto aos óbitos, foram notificados 226 mortes ocorridas no ano passado em pessoas com a infecção por VIH, 145 das quais no "estádio sida".

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depressao

A maioria das pessoas com VIH participantes num inquérito sobre a influência do vírus na sua vida afectiva receia ter vida sexual e esconde que está infectado por medo de ser rejeitado.

Os resultados do questionário “VIH e os Afectos” revelaram ainda que, no ano em que foram diagnosticados, 32% fecharam-se a novos relacionamentos e 21% deixaram de ter relações sexuais.

Desenvolvido pelo grupo MAIS – Mulheres Activistas com Intervenção na Sociedade, da associação SER+, o inquérito pretendeu “dar voz às pessoas que vivem com a infecção VIH” e perceber a implicação que o vírus pode ter na “vivência dos afectos”, a nível social, de amizades, na relação com o parceiro e na decisão de ter filhos, disse à agência Lusa a coordenadora do estudo, Ana Duarte.

A amostra distribui-se equitativamente entre homens e mulheres, maioritariamente entre os 30 e os 55 anos e com escolaridade acima do terceiro ciclo. Dos 144 participantes, 94 são portugueses, 43 são oriundos de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e sete de outros países.

Quarenta e dois por cento dos participantes foram diagnosticados entre 2005 e 2012 e 38% entre 1995 e 2004, segundo o estudo que decorreu entre 22 de Outubro e 12 de Novembro.

A maioria (64%) tem algum tipo de receio em ter ou manter vida sexual e revelar a sua seropositividade, por medo de ser rejeitado (40%) e/ou de transmitir a infecção acidentalmente (37%).

Mais de metade sentiu medo de ser rejeitado e 75% lida “mal ou muito mal” com o diagnóstico, sendo que as mulheres reagem pior.

Setenta por cento dizem revelar sempre o seu estatuto serológico a parceiros quando estes são seropositivos, mas apenas 49% o faz quando os parceiros são seronegativos e 29% quando têm estatuto serológico desconhecido.

Quando receberam o diagnóstico, a tristeza, depressão e revolta contra si próprios foram os sentimentos mais comuns, que se foram alterando com o passar dos anos.

Actualmente, 72% sentem “vontade de viver”, mas 33% ainda têm medo de ser rejeitados, sendo as mulheres quem sente mais vergonha de revelar a infecção aos outros.

Ana Duarte explicou que estes sentimentos vão sendo ultrapassados com o apoio e o acompanhamento dos profissionais que trabalham nesta área.

Mas, adiantou, os dados também mostram que estas pessoas “acabam por viver muito sozinhas nesta infecção. Até podem viver melhor, mas continuam a ter muito receio da rejeição exterior”.

O uso do preservativo é apontado como a principal implicação do VIH na vida amorosa. O estudo indica que 43% já tiveram, desde o diagnóstico, pelo menos uma relação estável com um parceiro(a) seronegativo.

Apenas 15% tiveram filhos após o diagnóstico, sendo que 16% não tiveram por razões relacionadas directa ou indirectamente com o VIH.

Os restantes afirmam que a decisão de não ter filhos se prende também com razões relacionadas com a infecção. No grupo da amostra, nasceram 49 crianças, apenas uma com VIH.

O acompanhamento médico durante a gravidez foi avaliado como “bom” ou “muito bom”, apesar de 13% dizerem ter sentido pressão por parte dos profissionais de saúde para não terem filhos devido ao VIH.

Os resultados do questionário são apresentados na conferência “VIH e os Afectos”, que se realiza, em Lisboa, no Dia Mundial de Luta Contra a Sida, 1 de Dezembro.

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Investigação 1

Um estudo desenvolvido por investigadores de Coimbra descreve, pela primeira vez, o caso clínico de uma criança que, apesar de estar infectada por VIH, se manteve saudável, anunciou hoje a Universidade daquela cidade.

Uma equipa de investigadores descreveu, “pela primeira vez numa criança, uma variante do vírus da imunodeficiência humana (VIH) associada ao surgimento tardio de SIDA”, revela a Universidade de Coimbra (UC), numa nota hoje divulgada.

O estudo descreve “o caso clínico de uma criança de cinco anos de idade que, apesar de estar infectada por VIH, manteve-se saudável, registando apenas as patologias típicas da idade”, afirma a UC.

As “análises de rotina” a que a criança foi submetida, para ser sujeita a “uma pequena cirurgia”, revelaram “alterações das provas de coagulação e marcadores hepáticos”.

Foram ainda identificadas a “ausência de linfócitos CD4+ (glóbulos brancos responsáveis pela defesa do organismo contra infecções) e um grau muito elevado de infecção pelo vírus VIH, apresentando mais de um milhão de vírus por mililitro de sangue (1.073.899 cópias/ml de sangue)”, adianta a UC.

“Através de um estudo detalhado do gene do VIH que codifica a proteína Vpr (responsável por regular o nível de virulência), os investigadores descobriram argumentos fortes para impedir o vírus de se manifestar durante tanto tempo”, salienta a mesma nota.

“Detectámos a presença de duas mutações associadas à proteína Vpr do HIV1, R77Q e Q3R, descritas como estando envolvidas no aparecimento tardio dos primeiros sintomas da Síndroma da Imunodeficiência Adquirida (SIDA)”, explica Teresa Gonçalves, coordenadora do estudo.

A descoberta destas duas mutações é muito relevante para “o prognóstico da doença”, sublinha a especialista, que é docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC).

“Idealmente, a inclusão do estudo destas mutações na rotina clínica permitiria prever a evolução do vírus e evitar, por exemplo, a administração de medicação antirretrovírica numa fase precoce do diagnóstico”, acrescenta Teresa Gonçalves.

“Além de proteger o doente, uma vez que os tratamentos podem causar efeitos secundários indesejáveis (e no caso das crianças afectam o normal crescimento)” aquela circunstância também “possibilitaria reduzir custos aos serviços de saúde”, salienta a investigadora.

O estudo evidenciou ainda que a criança foi infectada por transmissão vertical, ou seja, a partir da mãe, também ela “assintomática, durante a gravidez, no parto ou no período de aleitamento materno”.

Trata-se de “um caso clínico excepcional porque, embora a criança frequente um infantário, nunca desenvolveu patologias infecciosas oportunistas e nunca foram registadas reacções adversas à vacinação efectuada de acordo com o Plano Nacional de Vacinação”, conclui Teresa Gonçalves.

Desenvolvido por uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da FMUC, o estudo já foi publicado no Journal of Medical Microbiology Case Reports da Society for General Microbiology.

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virussida

O Núcleo de Estudos da Infecção ao VIH alertou ontem que mais de 60% dos diagnósticos de VIH são realizados tardiamente, o que compromete a eficácia dos tratamentos, o bem-estar dos doentes e a “própria incidência da infecção”.

O alerta do Núcleo de Estudos da Infecção ao VIH (NEVIH) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna surge no âmbito do Dia Mundial da Sida, que se assinala a 1 de Dezembro, e visa incentivar a aplicação de medidas de prevenção e diagnóstico precoce.

Portugal é o terceiro país da União Europeia com maior taxa de casos de sida, quer em termos de prevalência, quer em termos de incidência, segundo dados divulgados pelo núcleo em comunicado.

“A epidemia em Portugal afecta as populações com comportamentos particularmente vulneráveis. Neste contexto, a percentagem de infectados ultrapassa os 5%. Por outro lado, a percentagem de diagnósticos tardios chegam a ser superiores a 60%, o dobro da média europeia”, sublinhou o internista coordenador do NEVIH, Telo Faria.

Telo Faria apontou como explicações para estes números a organização dos serviços de saúde, a ausência de campanhas dirigidas a grupos de populações com vulnerabilidades particulares e a factores de ordem socioculturais complexos.

Apesar destes números, o especialista afirmou que tem havido um esforço nos últimos anos, para inverter esta situação.

A infecção por Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) afecta diversos grupos sociais, mas, nos últimos anos, tem-se registado “um número em crescente de idosos infectados”.

Esta situação deve-se ao facto de a “infecção ser uma doença com características de cronicidade, que permite aos doentes viverem bem e durante mais anos”, explicou Telo Faria.

Mas a elevada incidência do vírus neste grupo social também se deve ao facto de os idosos adquirirem fármacos para tratamento da disfunção eréctil, o que permite que “retomem a vida sexual, sendo assim potenciais infectados e agentes infectáveis, se tiverem comportamentos sexuais de risco”, acrescentou.

Apesar da actual crise político-económica, Telo Faria considerou que é possível investir na prevenção da doença e deixa conselhos para uma melhor actuação nesta área, como o “reforço de acções de educação, informação e prevenção em meio escolar e respectiva articulação com a saúde escolar”.

Propôs também a realização de programas direccionados para grupos vulneráveis em articulação com as organizações não-governamentais e “a implementação e reorganização de uma rede de detecção precoce da infecção, com testes rápidos nas unidades de saúde”.

Em Portugal, a prevalência da infecção por VIH é de um infectado em 140 pessoas e, em termos de incidência, é de 13,1 infectados por 100.000 pessoas.

Em 2013, registaram-se 1,8 milhões de novas infecções por VIH e cerca de 1,3 milhões de mortes em todo o mundo.

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SemanaEuropeiaTesteVIH

Centros de Saúde, hospitais e associações de todo o país aderiram à Semana Europeia do Teste ao VIH e vão promover, a partir de sexta-feira, a realização do exame e distribuir preservativos e informação sobre a doença.

Em Portugal, a iniciativa, que decorre entre os dias 21 e 28 de Novembro, é promovida pelo GAT – Grupo Português de Activistas sobre Tratamento de VIH/SIDA, que pretende alertar para a importância do diagnóstico precoce da infecção pelo VIH e incentivar os portugueses a realizarem o teste.

Dados da organização da iniciativa referem que 30 a 50% das pessoas que vivem na Europa não sabem que são VIH positivo e metade destas pessoas são diagnosticadas tardiamente, adiando o acesso ao tratamento.

“Tendo em conta que em Portugal e noutros países as pessoas chegam demasiado tarde ao tratamento, houve esta necessidade de criar uma semana europeia do teste VIH para que as pessoas percebam não só a importância de fazer o teste, mas também desmistificar um bocadinho as questões à volta do teste”, disse hoje à agência Lusa o director-executivo do GAT, Ricardo Fernandes.

O objectivo é que “todas as pessoas, independentemente do tipo de comportamento que têm, de risco ou não, possam fazer o teste para saber o seu estatuto serológico”, mas também conter a epidemia do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH).

“Muitas das pessoas não sabem que se o diagnóstico for precoce, os tratamentos disponíveis permitem que a pessoa tenha uma vida muito longa e com bastante qualidade”, elucidou Ricardo Fernandes.

Os dados da organização estimam que em Portugal existam entre 38 mil e 62 mil pessoas infectadas, o que faz com que o país tenha uma das prevalências mais altas de toda a Europa (entre os 0,7 e o 0,9%).

Os utilizadores de drogas injectáveis são o grupo mais afectado, com uma taxa da infecção pelo VIH de cerca de 9,2%, devendo-se em parte “ao declínio na distribuição de agulhas esterilizadas e à hepatite C”.

Ricardo Fernandes salientou o papel das equipas de rua durante o período em que as farmácias deixaram de distribuir seringas: “foram as grandes responsáveis por manter um número de distribuição de material de injecção substancial”.

Existem outras comunidades muito vulneráveis ao VIH, como os homens que têm relação com homens, os migrantes e os trabalhadores do sexo.

Segundo dados da organização, a prevalência do VIH entre os trabalhadores do sexo é estimada em 9%, fazendo de Portugal um dos cinco países da União Europeia com uma das taxas mais altas de infecção entre este grupo.

Para promover a realização do teste “anónimo, gratuito e confidencial”, o GAT conta com a parceria de 30 instituições. “Vai haver uma panóplia de sítios onde as pessoas vão poder fazer os testes, recolher informação e obter os resultados na altura”, salientou Ricardo Fernandes.

Os profissionais de saúde deverão aconselhar o teste a todas as pessoas que possam ter sido expostas ao VIH, que tenham sido diagnosticadas com outras doenças sexualmente transmissíveis, com hepatite C, tuberculose e que apresentem sinais ou sintomas da infecção por VIH.

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MIRANDAANACLAUDIA

Realizou-se no passado dia 18 a 2ª Reunião de Sócios da Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da Sida (APECS). Um encontro que para além da agenda de índole associativa, propriamente dita, integrou um programa científico de onde se destacou a comunicação de Ana Cláudia Miranda, especialista do Serviço de Infecciologia do Hospital de Egas Moniz, em Lisboa subordinada ao tema: “Tratamento – sim ou não? Argumentos a favor, argumentos contra, cura funcional – realidade ou miragem? Como tratar? Parar ou não o tratamento, quando? À conversa com o nosso jornal, a infecciologista deu conta do estado da arte do tratamento da infecção pelo VIH e sobre as verdades e mitos que amiúde vão surgindo sobre os avanços e recuos rumo à cura-funcional da infecção.

A sua comunicação na 2ª reunião de sócios da Associação Portuguesa para o Estudo Clínica da SIDA foi, de algum modo, provocadora… Falou em tratar, ou não… Em cura funcional… Em que ponto estamos ao nível da leges artis da intervenção terapêutica?

O patamar de eficácia da terapêutica anti-retrovírica alcançado permite-nos desbravar algum conhecimento. Hoje temos a possibilidade de escolher esquemas terapêuticos muito mais bem tolerados e com toxicidade a curto/médio prazo menos marcada bem como posologias mais “simpáticas” e fáceis de adaptar à vida do doente. Vantagens que no entanto não eliminam o facto de se tratar uma terapêutica crónica, com elevados custos associados. Que mesmo menos agressiva do que no passado, implica algum compromisso da qualidade de vida do doente, já que exige o cumprimento de um plano terapêutico estrito e por tempo indefinido.

Inovação que permitiu um melhor conhecimento da doença… Levando à discussão do “quando começar” a terapêutica.

O que ganhámos ultimamente e que veio despoletar a questão do tratamento na fase aguda foi um conhecimento mais detalhado da imunopatogénese da infecção; do efeito da replicação vírica no contexto da infecção aguda e do seu impacto na depleção do sistema imunitário numa fase muito inicial da doença bem como, naturalmente, nas implicações prognósticas que se lhe associam.

Existe hoje evidência sólida de que é benéfico iniciar a terapêutica numa fase muito inicial da infecção. Como também sabemos que essa “fase inicial” é uma “janela de oportunidade” muito estreita.

O grande benefício da introdução de terapêutica em termos de ganhos imunológicos é minimizar a depleção marcada que ocorre na infecção aguda, particularmente ao nível da mucosa intestinal. Ora, este benefício é mais marcado se acontecer antes do estabelecimento dos “reservatórios”, que se estima acontecer entre as três e as quatro primeiras semanas de infecção. Em média a pessoa infectada desenvolve sintomas na 2ª ou 3ª semana após a infecção, pelo que é fácil perceber que a “janela” de intervenção é demasiado estreita.

E no contexto da infecção aguda? Quando se deve iniciar terapêutica?

A evidência demonstra que existem várias vantagens em iniciar terapêutica o mais cedo possível. Esta permitirá o controlo sintomático, eliminação ou redução da replicação vírica e do potencial de instalação de reservatórios; recuperação imunológica mais sustentada, atingindo valores ditos “normais” de linfócitos TCD4+, com menor probabilidade de progressão da doença e melhor prognóstico. E adicionalmente, e não menos importante, a diminuição do risco de transmissão que, como se sabe, acontece predominantemente em fases de replicação viral muito elevadas como sucede no contexto da infecção aguda. Agora, o difícil não é tanto a decisão de iniciar terapêutica, mas a possibilidade de efectuar o diagnóstico durante a fase aguda da infecção por VIH.

Iniciar terapêutica apenas na fase sintomática… É opção?

A revisão da literatura vai tão longe quanto ponderar que iniciar terapêutica na fase sintomática da infecção aguda pode ser tardio, tendo em conta o estabelecimento dos reservatórios. E aqui importa distinguir conceitos: infecção aguda reporta aos primeiros 30 dias infecção; infecção primária às primeiras 12 semanas; infecção recente ao período dos seis primeiros meses.

Agora, é consensual que a intervenção nos primeiros trinta dias é a que permite uma maior rentabilidade e impacto na imunopatogénese da infecção, com redução do dano inicial.

Passados os seis meses… O que fazer?

Continuamos numa “zona cinzenta”, agora já com infecção estabelecida, crónica, para a qual existem orientações terapêuticas bem definidas (TCD4+< 500 células/mm3; carga vírica> 100.000 cópias/ml, entre outras situações clínicas bem definidas).

Interromper a terapêutica. É uma possibilidade que ainda se coloca?

Ao longo dos anos foram sendo avaliadas algumas estratégias, entre as quais as interrupções estruturadas da terapêutica, que foram digamos, “arrumadas”, após conhecidos os resultados do estudo SMART (2002-2006), que revelaram que a interrupção “controlada” acrescentava um aumento significativo do risco cardiovascular e de imunoactivação por inflamação crónica associada ao VIH. Ou seja, essa é uma estratégia que já sabemos que não funciona e não é recomendada. Hoje em dia, o que as orientações terapêuticas nos recomendam no contexto da infecção aguda ou recente é que uma vez iniciada terapêutica esta seja mantida por tempo indefinido.

Cura-funcional… Realidade ou miragem?

Neste momento decorrem estudos de interrupção terapêutica que têm como objectivo avaliar a possibilidade de obtenção de cura-funcional (remissão e controlo da replicação virológica). Estas são estratégias aplicadas em contexto de infecção aguda/recente e em populações de doentes seleccionadas. Até à data, e num cenário muito particular, o único caso de sucesso é o do denominado “Paciente de Berlim”.

Uma cura que resultou da conjugação de inúmeros factores… “Improváveis”.

A questão da cura-funcional remete-nos de imediato para a complexidade desta infecção e da imunopatogénese associada, que ainda não dominamos completamente. As hipóteses em estudo relativamente à chamada “cura-funcional” passam pela actuação muito precoce, pela redução da instalação de reservatórios e por estratégias de estimulação da resposta imunológica (quer por engenharia genética quer através do recurso a outras metodologias).

O “Paciente de Berlim” foi um acaso – feliz – de cura-funcional ocorrida em circunstâncias muito especiais e para a qual contribuíram um conjunto de medidas terapêuticas sequenciais e não reproduzíveis de forma generalizada. Sucintamente… O doente desenvolveu uma leucemia aguda e foi submetido a um primeiro transplante de medula e a um segundo um ano depois, por recidiva da doença hematológica. Por “acaso” teve a felicidade de ser transplantado com a medula de um dador que tinha uma mutação genética rara, designada por deleção delta-32 para o co-receptor do CCR5 (o VIH utiliza o CCR5 para entrar nas células), o que lhe conferiu resistência à infecção pelo VIH.

Em que ponto estamos?

Estamos a viver uma nova era na abordagem da doença. Atingimos o patamar da eficácia e da segurança da terapêutica anti-retrovírica. A doença é hoje uma doença crónica, controlável. Chegados aqui, começam-se a abrir novas janelas através das quais se procuram perspectivar caminhos rumo à cura e à erradicação total do vírus. Existem várias “vias” de investigação em curso e estou optimista quanto à possibilidade de se conseguir vir a dar esse “passo”.

Enquanto isso não acontece, importa investir na prevenção e na intervenção precoce, que passa, necessariamente, por um diagnóstico também cada vez mais precoce.

Estamos melhor… Ou pior do que há alguns anos atrás?

A infecção não regista um declínio evidente. Em alguns grupos populacionais continuamos a assistir a um acréscimo do número de casos. É preciso falar de terapêutica, de cura… Mas também e sempre de prevenção, o que nem sempre tem acontecido com a ênfase que a situação necessita.

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Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.