Luís Pisco fica!
DATA
16/04/2008 11:18:03
AUTOR
Jornal Médico
Luís Pisco fica!

Luís Pisco recuou na decisão de se demitir da coordenação da Missão para os Cuidados de Saúde Primários (MCSP), apresentada uma primeira vez dia 7 de Abril e uma segunda, esta manhã

 

Luís Pisco recuou na decisão de se demitir da coordenação da Missão para os Cuidados de Saúde Primários (MCSP), apresentada uma primeira vez dia 7 de Abril e uma segunda, esta manhã. Segundo fonte próxima do processo, divergências internas na estrutura responsável pela implementação da reforma dos centros de saúde terão estado na origem da decisão de Pisco de abandonar o cargo, para que foi nomeado por Correia de Campos, em Setembro de 2005. De acordo com as mesmas fontes, Luís Pisco terá manifestado a sua indisponibilidade para continuar à frente da MCSP após ter recusado a exigência, que lhe terá sido feita por alguns dos elementos da equipa que até agora coordenou, de uma intervenção efectiva na nomeação das direcções dos agrupamentos de centros de saúde, neste momento em processo de constituição

Segundo o nosso jornal consegui apurar, a cisão na equipa escolhida por Luís Pisco para o apoiar na implementação da reforma dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) terá começado no início deste mês. De acordo com fonte contactada pelo nosso jornal, que solicitou o anonimato, Luís Pisco terá sido confrontado por alguns elementos da Missão, com a exigência de uma intervenção efectiva da estrutura de Missão na nomeação dos futuros dirigentes dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), exigência que Luís Pisco terá recusado liminarmente.

Refira-se que a nomeação dos responsáveis pelos futuros ACES cabe às administrações regionais de saúde e não ao coordenador da MCSP. Este, "quanto muito", explicou ao nosso jornal a referida fonte, "poderia apenas pressionar politicamente o executivo, de modo a garantir a isenção no processo de selecção dos dirigentes".

Face à proposta, Luís Pisco informou os elementos da MCSP que a manter-se a exigência, não teria outra solução a não ser a de apresentar a sua demissão à Ministra da Saúde. Nesse mesmo dia, convocou uma reunião com toda a equipa nacional, que teria lugar dia 7 de Abril. Neste encontro, o coordenador da Missão terá sido confrontado, novamente – desta feita pela maioria dos elementos que integram a equipa - com a mesma exigência.

Face a esta posição, maioritária, Luís Pisco reiterou a sua intenção de se demitir, tendo adiantado que o faria no dia seguinte. E assim foi: dia 8, Ana Jorge foi informada, pelo próprio, que face à situação interna da Missão, apresentava a sua resignação do cargo.

Apanhada de surpresa, a Ministra recusou o pedido de demissão, tendo solicitado um encontro com a equipa nacional para dali a dois dias. Nesta reunião, em que também participou Manuel Pizarro, secretário de estado da saúde, não foi possível alcançar uma conciliação entre as partes, tendo ficado decidido que Ana Jorge comunicaria a sua decisão sobre o futuro da Missão, na segunda-feira imediata, dia 14.

Entretanto, um dos elementos envolvidos no processo, fez chegar ao jornal "Público" um rascunho da acta da reunião entre Ana Jorge e a equipa nacional da Missão. O "caso" assumia, deste modo, protagonismo mediático.

De acordo com a fonte contactada pelo nosso jornal, a entrega aos jornalistas da acta da reunião, mais não foi do que uma tentativa "de fuga para a frente, que teve como único objectivo tornar a demissão de Pisco um facto consumado, a partir do qual se avançaria para uma nova fase da vida da missão, com a nomeação de um novo coordenador". Horácio Covita, psicólogo que integra a equipa nacional, seria o nome escolhido pelos "insurrectos" para substituir o actual coordenador no cargo. Luís Pisco foi informado desta decisão, que terá sido tomada numas das reuniões do grupo dissidente, organizadas sem o conhecimento prévio, quer do coordenador da Missão, quer de alguns dos elementos da equipa nacional.

Na reunião com Pisco, Ana Jorge reiterou a sua confiança na liderança do médico de família, pedindo-lhe que permanecesse no cargo e que constituísse nova equipa.

A questão estava, aparentemente, encerrada, tendo Ana Jorge declarado aos jornalistas que tinha conseguido convencer o coordenador da Missão a permanecer no cargo, garantindo ainda que não faltariam meios para a prossecução da reforma, que a Ministra classificou como a principal medida em curso no serviço nacional de saúde.

No dia 15, todavia, um novo acontecimento viria a colocar em risco a permanência de Pisco à frente da Missão. Numa manobra que segundo fonte do Ministério da Saúde terá tido como objectivo uma derradeira tentativa de reconciliação das partes, Manuel Pizarro, o secretário de estado da saúde, convocou Luís Pisco para uma reunião com a Ministra, tendo convidado para a mesma reunião o grupo dissidente. Desagradado com a iniciativa, Pisco apresentou-se esta manhã na João Crisóstomo decidido a pôr um ponto final na história, demitindo-se novamente.

Médico de Família não conseguiu apurar o que se terá passado no encontro entre a Ministra e o coordenador da MCSP. Sabe-se apenas, que imediatamente após o final da reunião, o semanário "SOL" colocava na sua edição online a informação – recebida "de fonte oficial do ministério" de que Ana Jorge reiterara, uma vez mais a sua confiança em Pisco, aceitava o pedido de demissão apresentado pelos dez elementos "sublevados" e demitia os coordenadores das ERA Centro e Norte, que integravam o "grupo dos 10", solicitando a Luís Pisco, a constituição de uma nova equipa.

Contactado pelo nosso jornal, Luís Pisco recusou prestar quaisquer declarações sobre os acontecimentos que marcaram nos últimos dias a vida da Missão.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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