CS com nova direcção após incumprimento
DATA
17/04/2008 07:55:20
AUTOR
Jornal Médico
CS com nova direcção após incumprimento

O centro de saúde da Lourinhã tem, desde o início de Abril, uma nova equipa directiva, após o incumprimento pela anterior directora do protocolo estabelecido em Março entre a ARSLVT e a Câmara Municipal.

O centro de saúde da Lourinhã tem, desde o início de Abril, uma nova equipa directiva, após o incumprimento pela anterior directora do protocolo estabelecido em Março entre a Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) e a Câmara Municipal.

O incumprimento do acordo estabelecido há cerca de um mês entre a ARS de LVT e a autarquia da Lourinhã – que previa medidas de compensação pelo encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) – provocou a demissão da directora do centro de saúde (CS), adiantou à agência Lusa fonte da autarquia.

"O acordo não estava a ser cumprido pelo que Natália Reis foi demitida das funções de directora do centro de saúde", adiantou à Lusa o presidente da Câmara Municipal da Lourinhã, José Custódio.

"Se não fosse a insistência da Câmara não teria havido a demissão da directora que, apesar da boa vontade dos médicos, se recusava a pôr em prática o protocolo", afirmou o autarca socialista, adiantando que a antiga responsável do CS "elaborava despachos contra o protocolo".

"Não estava a cumprir os horários nem o serviço que devia ser feito, não havia oxigénio, aerossóis ou linhas se alguém necessitasse de ser suturado", referiu José Custódio.

Contactado pela agência Lusa, o presidente da ARS de LVT, António Branco, disse discordar da leitura dos políticos locais – o PSD da Lourinhã também emitiu um comunicado a criticar o incumprimento do protocolo –, mas reconheceu que o acordo "não estava a ser cumprido na íntegra".

"Reconhecemos que o protocolo não estava a ser cumprido, na íntegra, e para nós isso é suficiente para procedermos a uma reorganização interna dos serviços", explicou o responsável da ARS.

"Na área dos atendimentos de [casos] agudos, o CS não foi capaz de cumprir o protocolo de forma satisfatória", acrescentou António Branco. O encerramento do SAP da Lourinhã ocorreu no início de Dezembro. Em alternativa ao SAP, o referido protocolo estabeleceu que haveria "atendimento complementar para dar resposta a casos agudos não programáveis".

Esta consulta de recurso, com a presença de um médico e um enfermeiro, deve funcionar entre as oito e as 22 horas, nos dias úteis, e entre as 14 e as 20 horas, aos fins-de-semana e feriados. Após a assinatura do protocolo, o serviço só dava resposta aos casos agudos das 16 às 22 horas.

O presidente da ARS esclareceu que a anterior directora do CS "já tinha intenção de sair há muitos meses", negando a versão da autarquia.

António Branco acrescentou que a nova directora, Eduarda Tralha – até aqui directora do CS de Alenquer – terá na Lourinhã uma equipa coordenada pela médica Clara Nobre. A nova directora do CS da Lourinhã vai ainda passar a gerir os centros de saúde do Cadaval, Arruda dos Vinhos, Alenquer e Sobral de Monte Agraço, adiantou o presidente da ARS.

O protocolo com a Lourinhã estabelece ainda a atribuição de uma ambulância de Suporte Básico de Vida, através do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que também ainda não chegou. O Centro de Saúde da Lourinhã tem cerca de 26.800 utentes, dos quais 4.500 não têm médico de família atribuído.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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