Programa de desenvolvimento de competências para gestão de USF
DATA
05/06/2008 10:40:16
AUTOR
Jornal Médico
Programa de desenvolvimento de competências para gestão de USF

A APMCG e a Universidade Católica, acabam de lançar um Programa de Desenvolvimento de Competências para a Gestão das USF, visando formar competências fundamentais de gestão, particularmente relevantes para o contexto das USF

 

Numa iniciativa conjunta, a Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral (APMCG) e a Universidade Católica, acabam de lançar um Programa de Desenvolvimento de Competências para a Gestão das Unidades de Saúde Familiar. O objectivo é dotar os participantes – médicos, enfermeiros e administrativos – de um conjunto de competências fundamentais de gestão, particularmente relevantes para o contexto das USF

 

O Programa tem a duração total de oito dias completos, podendo decorrer com periodicidade quinzenal, ao longo de quatro meses, nas instalações da Universidade Católica de Lisboa e na do Porto. Os grupos, que deverão ter, no máximo, 25 participantes, irão integrar elementos de unidades de saúde familiar de todo o país.

O professor Miguel Gouveia, coordenador do curso, assinala que “a afirmação e o crescimento das unidades de saúde familiar é um dos desenvolvimentos mais importantes e positivos no sistema de saúde português nos últimos anos. As USF permitem um trabalho de equipa com uma autonomia organizacional sem precedentes nos cuidados primários em Portugal”.

Na opinião do economista, “este potencial será tanto mais traduzido na melhoria dos cuidados de saúde dos portugueses, quanto melhor a gestão das USF”. Desse modo, o Programa inclui módulos sobre Gestão e Estratégia em Unidades de Saúde; O ponto de vista do utente e a criação de valor; Gestão das pessoas; Liderar a equipa de trabalho; Gestão de conflitos, comunicação e negociação; Eficácia pessoal; Contabilidade financeira e Gestão de tesouraria e, por último, Performance e controlo de gestão.

Miguel Gouveia explica que esta estrutura “resulta da reflexão com os nossos parceiros e também da nossa experiência acumulada ao longo dos anos”. O objectivo é que os profissionais das unidades de saúde familiar, no final do curso, “sintam um reforço no seu sentido de missão, uma maior auto-confiança e maior capacidade na realização dos objectivos que constituem a razão de ser das unidades de saúde familiar”.

 

Curso insere-se no esforço de dar prioridade à reforma dos CSP

 

Na sessão de apresentação pública do Programa, Manuel Pizarro, secretário de Estado da Saúde, salientou igualmente que o Programa “insere-se de modo especialmente harmonioso no esforço de dar prioridade à reforma dos cuidados de saúde primários e, em especial, de promover o desenvolvimento das unidades de saúde familiar”. Na sua opinião, a qualidade da formação proposta e a natureza multiprofissional dos destinatários – médicos, enfermeiros e administrativos – “constituem factores de relevo que contribuirão para o sucesso da iniciativa”.

Também Luís Pisco, presidente da APMCG, assinala a mais-valia desta iniciativa que tem como parceiros, por um lado, a Universidade Católica, “com um know how invejável na área da gestão em Saúde” e, por outro, a Merck Sharp & Dohme (MSD), em termos de apoio institucional e financeiro do projecto. “Penso que é uma parceria muito bem conseguida”, afirma.

As unidades de saúde familiar trouxeram mais proximidade e qualidade ao atendimento nos centros de saúde. “O seu sucesso está intimamente ligado ao trabalho em equipa multiprofissional, à autonomia e responsabilização”, acrescenta. Nessa medida, este Programa, ao dotar os participantes de um conjunto de conceitos e competências de gestão, “será seguramente muito útil ao desenvolvimento da missão das USF”.

A Associação “sempre procurou ir muito mais além das satisfação das necessidades específicas dos seus associados, os médicos de família”. Daí que, “ao planearmos este curso, demonstrámos grande interesse em que fosse aberto aos enfermeiros e administrativos, parceiros muito importantes para que, em conjunto com os médicos de família, possamos melhorar os cuidados de saúde prestados aos cidadãos”.

 

MSD: Conhecimento é fundamental para o progresso

 

José Almeida Bastos, director-geral da Merck Sharp & Dohme, assinalou, por sua vez, que “a reforma dos cuidados primários em curso, cria novas necessidades em matéria de educação médica e de gestão para todos os principais intervenientes, nomeadamente médicos e enfermeiros, mas também os colaboradores administrativos”.

A farmacêutica, como companhia de investigação que é, considera o conhecimento como fundamental para o progresso: “Tomamos também, como nossa, a responsabilidade da criação de condições para que novas áreas de conhecimento fiquem acessíveis a quem necessita”. Essa é, fundamentalmente, a razão da sua participação num programa que, na perspectiva de Almeida Bastos, “irá trazer novas competências aos profissionais que trabalham nas USF, traduzindo-se, em última instância, numa melhoria para os utentes do Serviço Nacional de Saúde”.

 

Prazo de apresentação de candidaturas termina a 11 de Julho

 

As USF interessadas em participar no Programa terão que enviar as candidaturas, num máximo de quatro pessoas, até 11 de Julho próximo, para a Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica.

O documento deve identificar a USF, o nome da pessoa a contactar, os nomes e funções das pessoas incluídas e um breve texto justificando a candidatura (uma folha A4, no máximo).

Quer em Lisboa, quer no Porto, prevê-se que o mesmo módulo seja leccionado num dia e repetido no dia seguinte para outros participantes. A candidatura de cada USF deve especificar se todos os membros deverão ficar juntos ou se poderão ser divididos em dois grupos, com frequência dos módulos em dias diferentes.

O júri de avaliação das candidaturas é constituído por Eduardo Mendes (vice-presidente da APMCG), José Luís Biscaia (também vice-presidente da Associação e coordenador da USF São Julião da Figueira) e Miguel Gouveia, em representação da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica.

Prevê-se que cerca de 75% dos participantes sejam médicos, 20% enfermeiros e 5% administrativos. O valor da inscrição de cada participante é integralmente suportado pela Merck Sharp & Dohme.

Os eventuais interessados deverão contactar Sónia Gonçalves, da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica, através de telefone (217 270 250/969 170 633),

You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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