Segunda edição na forja!
DATA
19/06/2008 14:45:40
AUTOR
Jornal Médico
Segunda edição na forja!

Entre 6 de Maio e 5 de Junho, a página contabilizou 3.053 visitas, sendo que destas, 32,95% respeitam a novos visitantes. A taxa de retorno ao website foi de 29,64% e o tempo médio de consulta de oito minutos

 

Organizado pelo Núcleo de MGF da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral (APMCG), com o patrocínio exclusivo da AstraZeneca, o 1º Congresso Virtual de Medicina Geral e Familiar (MGF) arrancou a 1 de Abril, com mais de 1.200 inscritos em todo o mundo… E está prestes a findar. Os números de utilização do website (www.congressovirtualmgf.com) revelam uma boa adesão a esta iniciativa pioneira. Entre 6 de Maio e 5 de Junho, a página contabilizou 3.053 visitas, sendo que destas, 32,95% respeitam a novos visitantes. A taxa de retorno ao website foi de 29,64% e o tempo médio de consulta de oito minutos

 

O 1º Congresso Virtual de Medicina Geral e Familiar vai decorrer até ao próximo dia 30 de Junho, data para a qual estão agendadas “algumas surpresas”, adianta a comissão organizadora, que aconselha, por isso, os participantes a não desligarem já os computadores…

De acordo com a mais recente edição do jornal semanal do Congresso – publicada no site a 9 de Junho – os participantes poderão ainda desfrutar, em termos de conteúdos técnico-científicos, de uma conferência sobre Metodologias de criação e animação de Comunidades de aprendizagem e comunicação, a cargo do psicólogo organizacional Horácio Covita, e de um simpósio da AstraZeneca sobre Área Cardiovascular, investigação e prática clínica: o que ainda os separa, a cargo dos cardiologistas João Morais, Cândida Fonseca e Carlos Aguiar.

Satisfeitos com o “sucesso” que marcou a primeira edição do Congresso Virtual de MGF, os organizadores estão já a preparar uma segunda edição assente neste “novo paradigma de partilha de informação, conhecimento e saber inter-pares”.

Num editorial publicado a 2 de Junho no site do Congresso, um dos médicos da comissão organizadora, Jaime Brito da Torre, partilha com os colegas o seu grande entusiasmo face à iniciativa e a certeza de que “é imperioso aprender a usar e a difundir as potencialidades da world wide web (www) entre os colegas da MGF”.

 

Directamente do meio do Atlântico…

 

“Poder ter junto de nós, através de um click, colegas que se encontram fisicamente a uma enorme distância, e usufruir da oportunidade de assistir, sem sair de casa, em qualquer momento do dia e sem custos acrescidos, a todas as conferências, cursos, simpósios que quisermos, assim como discutir no fórum diversos assuntos de interesse comum, é realmente um privilégio”, descreve o médico de família (MF) do Centro de Saúde de Porto Santo, na ilha da Madeira.

É precisamente do meio do Oceano Atlântico (16º 20’ 30’’ de longitude W e 32º 59’ 40’’ de latitude N, a cerca de 500 milhas a SW do ponto mais ocidental da Europa) que Jaime Brito da Torre tem, nos últimos três meses, participado neste evento que une MF de todo o mundo (mais de 1.500, de 64 países).

De acordo com o clínico, em Porto Santo “cumpre-se a essência da especialidade de MGF”. Isto porque, o MF é, não só o primeiro contacto dos utentes com o sistema de saúde, mas o único contacto permanente. Na ilha onde viveu Cristóvão Colombo, não há hospital, apenas unidade de cuidados de saúde primários (CSP). Assim, diz Jaime Brito da Torre, “somos [MF] verdadeiros gestores de recursos, procurando coordenar os cuidados com os outros profissionais da área dos CSP, nomeadamente enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas da fala, psicólogos, assim como gerir o interface com os cuidados secundários.

Nesta pequena e isolada ilha do Atlântico Norte residem e trabalham três médicos de família, que contam com a colaboração de mais dois colegas que se deslocam até lá para ajudarem na cobertura de uma população de cinco mil habitantes no Inverno e de cerca de 20 mil, nas férias de Verão.

Com esta experiência profissional, o MF de Porto Santo não hesita em afirmar que “como muitos outros colegas que trabalham nas ultra-periferias insulares ou continentais, isolados, sentimos bem a necessidade de nos mantermos ligados em rede com os colegas de todo o mundo para uma constante actualização. Daí a importância de participar em eventos deste tipo”.

De acordo com Jaime Brito da Torre, “os congressos virtuais e o e-learning passarão a ser um paradigma da educação médica pós-graduada”.

 

Porque a opinião do informático conta!

 

Na edição de 9 de Junho do jornal semanal do Congresso, é dada voz a um profissional sem o qual esta iniciativa não teria tido pernas para andar…

João Ricardo Pereira é consultor de sistemas de informação e integra a Comissão Informática do Congresso. Durante estes três meses, foi a peça imprescindível para que tudo corresse sobre rodas.

“Na minha curta experiência profissional, tenho trabalhado, essencialmente, em projectos da área da Saúde”, refere o informático, para quem o 1º Congresso Virtual de MGF está a ser, sem dúvida, “uma experiência única e inesquecível, pelo pioneirismo e por todas as pessoas envolvidas”. 

Para João Ricardo Pereira, o e-learning será o futuro da formação em muitas outras áreas, que não apenas a Medicina. E o sucesso deste congresso está patenteado no número de congressistas inscritos, que continua a aumentar, e que pintam os cinco continentes do mapa-mundo. “As vantagens não são difíceis de apontar”, diz. “Desde a facilidade de acesso ao congresso, que pode ser realizada a partir da comodidade que cada um possui na sua residência, abolindo assim barreiras como a distância, passando pela duração do congresso, que não se restringe a apenas uns dias, permitindo uma maior flexibilidade de adaptação ao horário preenchido de cada um, e não esquecendo o custo de participação reduzido ou inexistente”.

Contudo, o informático não ignora as desvantagens deste tipo de iniciativa e deixa ao critério dos participantes “fazerem um levantamento do que consideram ser os pontos fracos deste evento, de forma a podermos efectuar uma análise extensiva e procurar suprimi-las, na medida do possível”, conclui.

 

Paul Serban:  As “más” condições dos CSP na Roménia rural

 

Na edição de 2 de Junho do jornal semanal do 1º Congresso Virtual de MGF, disponível em www.congressovirtualmgf.com, a rubrica Ao correr da pena dos congressistas foi assinada por um médico de família (MF) romeno, Paul Serban, para quem este evento é, antes de mais, “uma boa oportunidade para mudar a forma como as pessoas vêem o médicos de família”, assim como “conhecer os pensamentos e experiências dos colegas por esse Mundo fora”.

Paul Serban é MF numa zona rural, no distrito de Botosani, no Nordeste da Roménia, há cerca de duas décadas. Segundo ele, as condições de trabalho são extremamente duras: “as infra-estruturas são péssimas, o nível socioeconómico da população muito baixo, assim como o é o pagamento das nossas actividades”.

É desta forma que Paul Serban descreve o seu quotidiano profissional: “o meu local de trabalho é uma clínica de médicos associados onde trabalho com a minha esposa, também médica de família. Temos quatro assistentes e oferecemos cuidados a uma população de aproximadamente 5.500 pessoas, com ou sem seguro de saúde. Vivemos numa zona rural e asseguramos cuidados médicos permanentes e contínuos. Na nossa clínica oferecemos todos os tipos de serviço que estejam ao nosso alcance: médicos, cirúrgicos, pediátricos, ginecológicos e preventivos. Também temos actividade formativa. Somos orientadores e estamos associados em diversos projectos”.

Na Roménia, existe o Centro Nacional de Estudos em Medicina Familiar que coordena alguns projectos destinados aos MF: as Sentinelas da Rede (listagem de clínicas de MF em actividade); elaboração de guidelines para clínicos gerais (sobre hipertensão, lombalgia, gravidez não complicada, infecção urinária e diabetes tipo 2) e; o European Practice Assessment (EPA) que consiste num sistema de avaliação de unidades de medicina familiar.

“Os clínicos gerais exercem de forma liberal e assinam um contracto anual com a National House of Insurances (seguradoras de saúde). São pagos numa base capitacional, pelos serviços e directamente pelos doentes, por serviços não cobertos pelos seguros. Os clínicos gerais que exercem em áreas rurais recebem uma correcção da capitação, que vai de 10 a 100 por cento, dependendo das condições que desenvolveram nas suas clínicas”, explica Paul Serban.

 

Abdul Sattar Khan: MF: uma necessidade urgente para o Paquistão

 

Na mais recente edição do jornal semanal do Congresso, é a vez de um médico paquistanês assinar a rubrica Ao correr da pena dos congressistas.

De acordo com Abdul Sattar Khan, as más estatísticas de saúde do Paquistão têm muito que ver com o fraco investimento do Governo do país nos CSP.

“Actualmente, o sistema de saúde paquistanês está mais direccionado para as regiões urbanas, é curativo por natureza e acessível apenas a uma pequena parcela da população”, refere o MF, adiantando que “desde o anúncio da declaração de Alma-Ata pela OMS, desenvolvemos algumas infra-estruturas de saúde mas não estamos a conseguir utilizá-las no seu verdadeiro sentido”.

Segundo Abdul Sattar Khan, “embora já tenham sido dados passos ao nível pré-graduado para promover o ensino baseado emproblemas (problem based learning), através de educação médica orientada para a comunidade (community oriented medical education) após a licenciatura em Medicina, o governo não tem um bom programa de treino para os especialistas em MGF”.

E prossegue: “comparando com qualquer país desenvolvido, nós como país em desenvolvimento falamos sempre dos recursos. No entanto, países como o Sri Lanka, Bangladesh, Índia e Nepal – com problemas económicos semelhantes aos nossos – levaram a cabo significativas reformas nas suas políticas de saúde e deram uma grande importância à formação pós‐graduada em Medicina Familiar”.

No Paquistão, “o sistema permite a prática de Clínica Geral, sem restrições e independente, após a licenciatura e o Internato, sem a necessidade de formação específica em medicina familiar ou cuidados primários. Os custos crescentes dos cuidados hospitalares deixam pouco para os serviços clínicos essenciais e de saúde pública para o grande público. Uma equipa de cirurgiões e médicos puramente hospitalares cresceram como cogumelos e capturaram todo o sistema de saúde”, lamenta.

Na opinião de Abdul Sattar Khan, cabe ao Governo “encorajar o desenvolvimento de programas de formação em medicina familiar nas universidades existentes, eliminar todos os obstáculos e quebrar o monopólio de uma ou duas instituições”.

Para o MF paquistanês, “este é o momento e a oportunidade para os líderes provarem que estão muito preocupados com o desenvolvimento do sistema de saúde. Embora estejamos necessitados de hospitais topo de gama, não conseguimos construir edifícios altos sem alicerces. Por isso, é urgente produzir cada vez mais médicos de cuidados de saúde primários para corrigir os nossos problemas de saúde”.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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