Associação já tem estatutos aprovados
DATA
19/06/2008 15:04:41
AUTOR
Jornal Médico
Associação já tem estatutos aprovados

Em sessão plenária, os cerca de 120 profissionais presentes no II Encontro das USF do Norte, aprovaram na generalidade os estatutos da Associação de Profissionais das USF.

 

Em sessão plenária, os cerca de 120 profissionais presentes no II Encontro das USF do Norte, aprovaram na generalidade os estatutos da Associação de Profissionais das USF. A comissão instaladora vai enviar convites a todas as unidades de saúde familiar (USF), sendo de prever que, nos próximos dias, se verifique a integração de profissionais das Regiões Centro e Sul do país

 

Ao todo, 39 unidades de saúde familiar do Norte enviaram representantes – um por cada grupo profissional – ao segundo encontro de trabalho das USF da Zona Norte, que visou dar continuidade à partilha de experiências e aos trabalhos iniciada na primeira reunião, em 12 de Fevereiro passado.

Nesta ocasião, para além da aprovação dos estatutos da Associação, foram discutidos temas relacionados com cada um dos sectores profissionais das USF. Ao nível do secretariado clínico, a discussão incidiu sobre o facto de estes profissionais terem, hoje, um novo e motivador desafio: participar de forma activa e com funções bem definidas, de acordo com as suas competências, na equipa multiprofissional, contribuindo para a prestação de cuidados e resultados de saúde.

No que se refere à área de enfermagem, dominou a programação do trabalho do enfermeiro de família, de acordo com áreas geográficas bem definidas. Todavia, as conclusões do encontro apontam no sentido de que “não podem ser impostos modelos de funcionamento iguais a realidades diferentes”, ou seja, “cada USF deve ter autonomia para decidir o modelo a adoptar”.

 

Plataforma virtual visa dinamizar a partilha de Boas Práticas

 

O terceiro grande tema da reunião incidiu sobre a partilha de Boas Práticas, no âmbito da qualidade, governação clínica, formação, investigação e gestão do risco. Como exemplos práticos, foram apresentadas e discutidas experiências de aplicação do ciclo de avaliação e garantia da qualidade desenvolvidas pelas USF Nova Via, Valongo e Serpa Pinto. Para dar continuidade a esta partilha de conhecimentos, os profissionais decidiram criar uma plataforma virtual e incentivar as visitas mútuas, além de apresentarem uma proposta de conteúdo do que poderá ser, no futuro, o Manual de Boas Práticas das USF.

 

Evolução dos sistemas informáticos é uma das prioridades

 

Ao nível da contratualização, teve lugar uma sessão plenária, durante a qual os profissionais analisaram, pormenorizadamente, cada um dos indicadores. “Para atingir as metas propostas e contratualizadas pelas USF é necessário um verdadeiro e eficaz trabalho de equipa multiprofissional”, preconiza Bernardo Vilas Boas, médico da USF Serpa Pinto e organizador das jornadas.

Os sistemas de informação estiveram igualmente em destaque, com a presença de elementos da anterior e actual equipa da Missão para os Cuidados de Saúde Primários (MCSP). Uma das principais conclusões retiradas desta sessão é que os sistemas informáticos “têm que evoluir no sentido de dar resposta eficaz às necessidades. Por exemplo, permitindo listas de utentes e alertas em relação ao não cumprimento dos requisitos e dos objectivos dos programas de saúde”.

 

Preocupações ao nível da implementação dos ACES

 

Bernardo Vilas Boas assinala que “a grande motivação e o espírito responsável dos profissionais, conscientes da autonomia das USF e da necessidade de exercerem o poder que abraçaram e lhes está atribuído legalmente”, foi transversal a todo o encontro. Por outro lado, “os profissionais têm consciência de que a sua melhor defesa é a qualidade da respectiva organização e dos cuidados de saúde”. Nessa perspectiva, e de acordo com as conclusões do grupo de trabalho sobre as Boas Práticas, “as USF em Modelo B estão preocupadas e na disposição de assumir o seu papel, para chegarem à acreditação, no prazo de três anos, como está legalmente previsto”.

O atraso na implementação dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) foi outro dos pontos discutidos no encontro. “Não só pelas dificuldades colocadas à articulação dos centros de saúde com as USF – nomeadamente, no que diz respeito à definição do manual de articulação – mas também como factor limitador da descentralização e do avanço da reforma dos cuidados de saúde primários”, esclarece Vilas Boas.

 

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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