USF Faria Guimarães: mega rastreio na Quinta da Saúde
DATA
31/07/2008 07:15:20
AUTOR
Jornal Médico
USF Faria Guimarães: mega rastreio na Quinta da Saúde

A Quinta da Saúde está aberta a todos os residentes na área de Paranhos e não apenas aos utentes da unidade de saúde familiar, responsável pela iniciativa

 usf_faria_guimaraes_2.jpgÀ entrada da Quinta Pedagógica do Covelo, um cartaz convida-nos a entrar e a unirmo-nos à Quinta da Saúde. Pelo portão cruzam-se autocarros e carrinhas. Vêm das escolas, dos lares de terceira idade, de associações...Todos querem participar nesta iniciativa da USF Faria Guimarães. É sexta-feira, os profissionais deixaram os gabinetes, as salas de enfermagem, os postos de atendimento administrativo e vieram para a Quinta do Covelo fazer a promoção da Saúde e rastreios. Há música... Balões... O ambiente é de festa... Aqui fala-se de Saúde, de prevenção, de comportamentos saudáveis. A doença, essa, ficou em casa...

A médica de família Luísa Santos e o enfermeiro António Festa recebem os visitantes. Os adultos e idosos são encaminhados para os numerosos postos de informação e de rastreio. As crianças são conduzidas à horta pedagógica. Levam mochilinhas às costas, chapelinhos vermelhos na cabeça...e uma imensa alegria. De mãos dadas com as monitoras e as enfermeiras, correm em direcção à horta, ao encontro dos espantalhos coloridos, dos patos e das galinhas, das árvores que escondem brinquedos e dos livros que contam histórias de encantar.
Na relva, fazem jogos de estimulação sensitiva e motora. Aprendem, enquanto brincam, pulam e riem...

Iniciativa aberta a toda a população do Centro de Saúde de Paranhos

Os autocarros e as carrinhas dos lares de terceira idade e associações não param de entrar. Luísa Santos, sempre com uma palavra de atenção e simpatia para com os utentes, vai-nos explicando que esta feira da saúde se insere num projecto da unidade de saúde familiar que visa divulgar o máximo de informação à população no que diz respeito à prevenção da doença e promoção da saúde. “Como médicos de família que somos, pensamos que antes que a doença surja, o melhor é ensinar as pessoas a evitá-la e preveni-la”. Para isso, a USF Faria Guimarães foi procurar parcerias com outras instituições. Desde a Junta de Freguesia, que disponibilizou o espaço da Quinta do Covelo, à Comissão Nacional de Luta Contra a Sida, a Associação para o Planeamento da Família (APF), o Instituto Português do Sangue, a Cruz Vermelha...
usf_faria_guimaraes_4.jpgÀ chegada, os visitantes recebem folhetos com informações sobre o programa da Quinta da Saúde e os rastreios que podem realizar: colesterol, diabetes, hipertensão e doenças de degeneração óssea.
Uma cópia dos resultados fica na posse dos profissionais de saúde. Mas toda a informação é confidencial. Os documentos incluem apenas a identificação antopométrica do utente, o nome do médico de família e os resultados dos rastreios.
A Quinta da Saúde está aberta a todos os residentes na área de Paranhos e não apenas aos utentes da unidade de saúde familiar, explica-nos o enfermeiro António Festa. “No momento em que iniciámos a candidatura da USF já era nossa intenção realizar programas de promoção da saúde inéditos na região de Paranhos. O nosso objectivo é aproximarmo-nos da população de uma forma mais informal e num ambiente mais relaxante do que o circuito habitual da unidade de saúde. Por outro lado, queremos fazer o diagnóstico da situação global dos utentes do CS de Paranhos, no qual a USF se insere”.
Os dados serão posteriormente trabalhados pela USF e partilhados com o centro de saúde. “É importante conhecermos e fazermos o estudo da nossa população”, diz Luísa Santos. “Este tipo de iniciativas dão-nos acesso a informação sobre a população com que trabalhamos e permite-nos orientar as nossas actividades de uma forma mais específica. Conforme a prevalência das situações patológicas e as necessidades dos utentes, assim iremos orientar as nossas actividades”.

Objectivo: aproximar a informação das pessoas

Mas as actividades da Quinta da Saúde não se esgotam nestes rastreios. Junto da carrinha do CAD (Centro de Aconselhamento e detecção Precoce do VIH) há uma fila de pessoas que aguardam pela sua vez de realizar o teste, e na tenda da Associação para o Planeamento da Família, as técnicas ensinam as mulheres a fazerem a despistagem do cancro da mama.
usf_faria_guimaraes_3.jpgAproveitando o espaço da Quinta Pedagógica, a equipa da USF desenhou passeios pedestres para o ensino e a estimulação do exercício físico dos idosos, fundamental para manter a mobilidade e o bom estado de saúde. “O que nos move não é a medicina curativa mas, fundamentalmente, trabalhar antes que a doença surja”. E isso, de acordo com a médica de família Luísa Santos, implica uma Medicina pró-activa, ou seja, “aproximar a informação das pessoas”.
Durante o mega rastreio, os profissionais receberam aproximadamente mil utentes. “Praticamente, deslocámos toda a unidade para cá”. Na USF, ficaram apenas as equipas necessárias para assegurar a consulta aberta, incluindo o coordenador da USF, Dagoberto Moura, e o subcoordenador, Fernando Faria.

Toda a equipa participou no projecto

Todos os profissionais – médicos, enfermeiros e administrativos – participaram na organização da feira da saúde. E de futuro, “iremos desenvolver muitas outras actividades”, garante o enfermeiro António Festa, satisfeito pelo trabalho em equipa e pela oportunidade que a Quinta da Saúde proporcionou à USF de “divulgar a imagem da nossa casa, trazer o nosso símbolo para o exterior e mostrar o amor que temos à camisola”.
Todos os profissionais são igualmente unânimes em elogiar o esforço e o envolvimento das sete estagiárias da Escola Superior de Enfermagem do Porto no projecto. “Estamos a realizar o estágio profissional na USF Faria Guimarães. Os profissionais convidaram-nos a participar na organização e realização da feira da saúde. Pareceu-nos uma excelente oportunidade para o nosso desenvolvimento. Não é muito frequente que os alunos participem em eventos deste género, tão importantes para a promoção da saúde dos utentes”, declarou ao nosso jornal Ana Silva.
Quanto à passagem pela USF Faria Guimarães, Ana Silva destaca: “a metodologia e a organização do enfermeiro de família nesta unidade é, para nós, fundamental, porque permite praticar uma enfermagem reconhecida como a mais vantajosa para a população. Os enfermeiros da USF, com mais experiência que nós, guiaram-nos em todo este processo e, talvez por isso, conseguimos tão bons resultados”.
Ao final da tarde, também o professor Paulino de Sousa, presidente do conselho científico da Escola Superior de Enfermagem do Porto foi presenciar as actividades da Quinta da Saúde. Na sua opinião, estas iniciativas são importantes, “até no sentido de orientar algumas situações de risco para futuros acompanhamentos”. Por outro lado, “as pessoas aderem melhor a iniciativas mais informais, embora na afluência aos rastreios se note uma preocupação muito clara por determinadas áreas da saúde””.
Dentro de três dias, as jovens estagiárias terminam o curso. A Quinta da Saúde é o corolário de todo um trabalho desenvolvido na USF Faria Guimarães e um excelente incentivo para quem, dentro em breve, irá iniciar a carreira de enfermagem.

Próxima iniciativa poderá ser realizada em conjunto com outras USF

Já para o final do dia, também o coordenador da USF, Dagoberto Moura, se uniu, ainda que por breves instantes, aos profissionais, na Quinta da Saúde. E traz novidades: “a iniciativa vai continuar”. Mas com uma dimensão ainda maior. É que “várias unidades de saúde familiar mostraram-se interessadas numa iniciativa conjunta”, explica.
A população “está do nosso lado”. Por isso, “a ideia é ir para a frente” com uma segunda iniciativa. Provavelmente, já no próximo mês de Setembro ou de Outubro.

Utentes reclamam: Deviam fazer isto, mais vezes!

Mas o que pensam, efectivamente, os utentes? Enquanto esperavam pela sua vez de efectuar os rastreios, aproximámo-nos de alguns. O senhor António Pereira teve conhecimento da Quinta da Saúde através dos jornais. Na sua opinião, “estas iniciativas são sempre boas”. Já a esposa, a Dona Maria de Lurdes, soube da iniciativa através de um panfleto que encontrou numa clínica onde foi fazer um TAC. Já realizou vários exames: hipertensão, colesterol e diabetes...Só falta o rastreio da osteoporose. “Acho muito bonito o que estão aqui a fazer!” E enquanto aguarda, não se cansa de tecer elogios à sua médica de família: “ Ajudou-me e deu-me muita força nos momentos em que mais precisei!”.
A Dona Miquelina Sousa soube da feira no Centro Social Nossa Senhora da Areosa e veio de autocarro, em grupo. O seu objectivo é “ver, mais ou menos, se aquilo que eu sinto corresponde ao que encontram aqui”. Depois disso, “vou levar a informação à minha médica”. A sua preocupação é “ a respiração”. De resto, “está tudo mais ou menos como eu contava”.
No meio da conversa, junta-se-nos a Dona Maria de Lurdes Nobre Carlos, também do centro social. Considera que a iniciativa “é uma maravilha”. E acrescenta: “Andamos sempre aflitas, mancas e tal...e aqui até nos apetece fazer um piquenique!”.
O senhor José Luís Morais concorda: “para mim, chegam 50 sardinhas…”. Para a próxima vez, “pode ser que o presidente da Junta de Freguesia de Paranhos dê um jeito, que ele também é boa pessoa…”.
Já fez as análises à diabetes, colesterol e osteoporose e a menina (enfermeira) disse-lhe que está como novo. Por isso, despede-se, desejando muitas felicidades “tanto à menina como ao resto do pessoal de trabalho”. Já fez as análises à diabetes, colesterol e osteoporose e a menina (enfermeira) disse-lhe que está como novo. Por isso despede-se, desejando muitas felicidades, “tanto à menina como ao resto do pessoal de trabalho”.
Por último, aproximamo-nos da Dona Susana Pinto Magalhães, que veio à Quinta da Saúde acompanhada de dois simpáticos cãezinhos. “Soube pela minha afilhada, que tem aqui uma amiga enfermeira”, confidencia.
Pertence à USF Faria Guimarães e conhece bem os profissionais. Na sua opinião, “deviam fazer isto mais vezes. O ambiente é muito simpático. Por mim, até venho mais depressa aqui do que ao centro de saúde!”, confessa.

You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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No ano de 2021, foram realizadas 36 milhões de consultas médicas nos cuidados de saúde primários, mais 10,7% do que em 2020 e mais 14,2% do que em 2019. Ou seja, aproximadamente, a cada segundo foi realizada uma consulta médica.