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Viseu: CS sem condições para realizar IVG
DATA
18/09/2008 07:01:11
AUTOR
Jornal Médico
Viseu: CS sem condições para realizar IVG

Os centros de saúde (CS) do distrito de Viseu não estão a realizar interrupções voluntárias da gravidez (IVG)... Porque a maioria das infra-estruturas não dispõem de condições para efectuar abortos voluntários com recurso a “pílula abortiva”.

De acordo com o coordenador da SRS de Viseu, José Carlos de Almeida, em causa estão apenas as condições das infra-estruturas e não o número de médicos que declararam o estatuto de objectores de consciência. O responsável admite, porém, que os “profissionais de saúde não se sentem motivados” para efectuarem a IVG nos centros de saúde

 

Os centros de saúde (CS) do distrito de Viseu não estão a realizar interrupções voluntárias da gravidez (IVG), conclui um estudo levado a cabo pela Sub-Região de Saúde (SRS) de Viseu no ano de 2007, que explica que a maioria das infra-estruturas não dispõem de condições para efectuar abortos voluntários com recurso a “pílula abortiva”.

De acordo com o coordenador da SRS de Viseu, José Carlos de Almeida, em causa estão apenas as condições das infra-estruturas e não o número de médicos que declararam o estatuto de objectores de consciência. O responsável admite, porém, que os “profissionais de saúde não se sentem motivados” para efectuarem a IVG nos centros de saúde.

Em 2007, a Direcção-Geral de Saúde (DGS) deu permissão aos CS para realizaram a IVG, para que as unidades hospitalares não ficassem sobrecarregadas com o procedimento. A DGS pretendia que os hospitais ficassem apenas responsáveis pelos casos de aborto voluntário por via cirúrgica.

O coordenador da SRS de Viseu salienta que, para além da falta de infra-estruturas adequadas, “não tem havido necessidade” de recorrer aos centros de saúde, estando o Hospital São Teotónio a “dar uma resposta eficaz” a todos os casos. O Hospital de Viseu é a instituição pública da região Centro, em conjunto com o Hospital Distrital da Figueira da Foz, onde as grávidas, que decidem interromper a gravidez, esperam menos tempo por esta intervenção. Entre a consulta prévia e a realização da interrupção voluntária da gravidez (IVG), as mulheres esperam em média 3,6 dias.

José Carlos de Almeida acredita que dentro de alguns anos todos os CS estarão preparados para realizar a IVG. Actualmente, os centros de saúde do distrito são responsáveis pelas consultas de aconselhamento e por encaminhar, quando necessário, as mulheres para o Hospital.

Segundo dados da DGS, no distrito de Viseu, o acesso ao serviço para a IVG foi efectuado, em 63% dos casos, por iniciativa da própria mulher, embora cerca de 15,5% destes tenham sido encaminhadas pelos centros de saúde.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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