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USF 3 Rios e S. Nicolau: exemplo de trabalho e persistência
DATA
18/09/2008 07:51:46
AUTOR
Jornal Médico
USF 3 Rios e S. Nicolau: exemplo de trabalho e persistência

O trabalho e a resistência das equipas das USF, que não desistem, apesar das dificuldades foi elogiada pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, na inauguração das USF 3 Rios e S. Nicolau, dos centros de saúde de Penafiel e Guimarães

O trabalho e a resistência das equipas das USF, que não desistem, apesar das dificuldades inerentes à concretização dos projectos, foi elogiada pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, na inauguração das USF 3 Rios e S. Nicolau, dos centros de saúde de Penafiel e Guimarães, respectivamente. A persistência dos profissionais representa um estímulo para a tutela nesta acção de requalificação do Serviço Nacional de Saúde, afirmou o governante

 

A USF 3 Rios, do Centro de Saúde de Penafiel, nasceu do propósito de um grupo multiprofissional que, já habituado a trabalhar em equipa, decidiu abraçar o projecto de constituição de uma unidade de saúde familiar. A designação de 3 Rios advém de um fenómeno natural: em Penafiel afluem o Douro, o Tâmega e o Sousa. Mas, para os profissionais, é muito mais do que isso: “As USF são constituídas por três grupos profissionais – médicos, enfermeiros e administrativos - que possuem autonomia organizativa, funcional e técnica”. Por outro lado, “regem-se por três princípios fundamentais - cooperação, solidariedade e gestão participativa – e oferecem um aumento de eficiência, eficácia e equidade”. O número três adquire, pois, “outro significado, para além daquele que a natureza nos deu”, explicou o coordenador, Álvaro Mendes, na cerimónia de inauguração da USF, pelo Secretário de Estado, Manuel Pizarro.

 

Dificuldades são inerentes à reforma

É certo que o grupo sentiu, de início, algumas dificuldades. Mas, na opinião do médico, elas são inerentes a qualquer processo de reforma: “há sempre situações instaladas, antiquadas e, por vezes, retrógradas” que é necessário ultrapassar. A ajuda da Missão para os Cuidados de Saúde Primários, da Equipa Regional de Apoio (ERA) do Norte e da própria equipa de engenharia da ARS, “que concluiu as obras em tempo recorde” foi essencial para a concretização de um projecto que visa, essencialmente, “a melhoria da prestação dos cuidados à população”, através do aumento da acessibilidade e da “abertura da USF à comunidade”.

 

Autarquias continuam a apoiar desenvolvimento das USF

O momento actual da reforma dos Cuidados de Saúde Primários é considerado pelo representante da Câmara Municipal de Penafiel, Jaime Neto, como “emblemático”. Na sua opinião, “o Serviço Nacional de Saúde foi a melhor conquista do pós 25 de Abril e portanto, todas as acções inovadoras da Saúde devem ser orientadas no sentido de o reformar e actualizar”. Hoje, pese embora a grande importância que os centros de saúde tiveram, “há a necessidade de aproximar mais, e de forma integrada, os profissionais da população que servem”. E as USF “são a forma de o fazer”.

O apoio da autarquia ao processo de desenvolvimento das unidades de saúde familiar foi igualmente patente na USF S. Nicolau, do Centro de Saúde de Guimarães, inaugurada no mesmo dia. “Estamos disponíveis para continuar a colaborar e é com agrado que deixo aqui uma palavra de simpatia aos profissionais da Saúde. São eles, na prática, que nos fazem encontrar soluções de complementaridade com o Governo, para as preocupações que atingem o concelho e a população”, afirmou o presidente da Câmara Municipal e utente da USF, António Magalhães.

 

Prestes a atingir a meta para 2008

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O projecto da USF S. Nicolau, a 141ª a nível nacional, foi aprovado em Maio de 2007. Todavia, só começaria a funcionar cerca de um ano mais tarde. A persistência da equipa foi elogiada pelo Secretário de Estado da Saúde, António Pizarro. Com a abertura da oitava unidade de saúde familiar do concelho de Guimarães, “mais de 80 mil cidadãos são já atendidos nestes novos modelos”. De acordo com o governante, está prevista, até ao final do ano, a entrada em funcionamento de mais uma USF, ainda em instalações provisórias, “até que se realizem as obras que nos permitirão, em 2009, completar a rede de Cuidados de Saúde Primários em Guimarães”.

Na realidade, a nível nacional “estamos perto de atingir a meta a que nos tínhamos proposto, de 150 USF até ao final do ano. Como os nossos detractores não conseguem dizer mal, apenas que o ritmo era lento, não sei o que dirão agora que estamos quase a chegar à meta proposta para 2008...”, ironizou Manuel Pizarro.

 

Previsões apontam para 300 internos de MGF em 2009

Manuel Pizarro reconhece que existem algumas dificuldades na concretização das prioridades dos Cuidados de Saúde Primários. “Entre meados da década de 80 e 90, os numerus clausus foram muito apertados, o que fez com que estejamos hoje com problemas geracionais”. Todavia, “estamos a fazer um grande esforço para alterar essa situação, com o alargamento do acesso às faculdades de Medicina”. Quanto ao segundo problema – o desequilíbrio entre especialidades – António Pizarro admite que “a Medicina Familiar não foi suficientemente bem tratada nos últimos 15 anos e isso criou alguns problemas”. Todavia, “o grupo que entrou em 2008 para a formação complementar em Medicina Familiar já era superior a 250 médicos e estou em condições de anunciar que, no concurso de 2008/2009 teremos, pelo menos, 300 jovens médicos”.

 

Trabalho dos profissionais é um estímulo para os governantes

António Pizarro defende que “o Serviço Nacional de Saúde é, porventura, a mais importante conquista do regime democrático português”. Permitiu “modificar radicalmente o panorama e os índices da saúde pública dos portugueses”. Por isso, convida “os que acham que as alternativas liberais seriam melhores”, a compararem a mortalidade infantil em Portugal (3,4%) com a registada nos Estados Unidos. No país “que constitui o paradigma da medicina liberal” aqueles índices são praticamente o dobro dos nossos. “O Serviço Nacional de Saúde, com as características que foram definidas de acesso geral e universal, é a resposta que o país necessita. Naturalmente, com as adaptações e a qualificação necessária para se adaptar às mudanças tecnológicas na Medicina e na sociedade. E o que se está a passar com as USF estimula-nos muito a prosseguir esta acção de requalificação”.

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Editorial
Rui Nogueira
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