Sistema de saúde português na cauda da Europa
DATA
19/11/2008 06:28:50
AUTOR
Jornal Médico
Sistema de saúde português na cauda da Europa

Portugal surge em 26º lugar numa classificação dos sistemas de cuidados de saúde que abrangeu 31 países europeus. A análise, levada a cabo pela organização Health Consumer Powerhouse (HCP), e divulgada no passado dia 13, em Bruxelas, sublinha o “deficiente acesso aos tratamentos e tempo de espera” que se verifica no nosso país.

 
 
Portugal surge em 26º lugar numa classificação dos sistemas de cuidados de saúde que abrangeu 31 países europeus. A análise, levada a cabo pela organização Health Consumer Powerhouse (HCP), e divulgada no passado dia 13, em Bruxelas, sublinha o “deficiente acesso aos tratamentos e tempo de espera” que se verifica no nosso país.
Com um total de 507 pontos em mil possíveis – no conjunto de 34 indicadores de desempenho, divididos em seis categorias – Portugal é o quarto país da União Europeia (UE) com pior resultado, surgindo na lista apenas à frente dos grupos Roménia/Bulgária e Croácia/Macedónia, e da Letónia.
O 26º lugar atribuído a Portugal representa uma queda vertiginosa relativamente aos rankings elaborados em anos anteriores, já que em 2006 Portugal surgia na 16ª posição e no ano passado ocupava o 19º posto.
De acordo com o estudo, “uma das razões subjacentes para a má classificação do sistema de saúde português é o facto de o acesso aos cuidados de saúde ser um dos piores da Europa”.
Em comunicado publicado no seu site (www.healthpowerhouse.com), a HCP refere mesmo que “apesar de os países da Europa Central e de Leste serem os habituais detentores dos últimos lugares deste ranking, há um país ocidental que este ano se destaca no fundo da tabela: Portugal”.

Tempos de espera ficam mal na fotografia
“Portugal ainda não conseguiu resolver o seu problema de acesso e de tempo de espera para tratamento, o que tem graves implicações para os doentes e para a capacidade do sistema em prestar cuidados de qualidade”, comentou Arne Björnberg, director de investigação do Euro Health Consumer Índex (EHCI), inquérito anual sobre os cuidados de saúde na UE.
Por seu turno, o presidente da organização, Johan Hjertqvist, defende que “a transparência asseguraria que os utentes pudessem fazer escolhas com conhecimento de causa para obterem os melhores cuidados possíveis. Geralmente, esta característica é muito importante, ainda mais quando o desempenho é tão fraco como o português”, observou.
Apesar de o Ministério da Saúde apresentar a transparência como uma das suas prioridades – estando actualmente a preparar uma versão pública do SIGIC, acessível a todos os cidadãos –, parece haver ainda muito para fazer neste domínio, de acordo com as conclusões deste estudo europeu.
Publicado pela primeira vez em 2005, este Índice é compilado pela HCP, uma organização sueca especializada na informação aos consumidores sobre cuidados de saúde, a partir de estatísticas públicas e de pesquisa independente.
O Euro Health Consumer Índex consiste na classificação anual dos sistemas de saúde nacionais da Europa, com uma posição centrada no interesse dos consumidores, em seis áreas distintas: direitos e informação dos pacientes, e-Saúde, tempos de espera para tratamento, resultados, variedade e alcance dos serviços prestados e produtos farmacêuticos.
A classificação abrange os 27 Estados-membros da União Europeia, os países candidatos Croácia e Macedónia, e ainda a Noruega e a Suíça.
“Obama, põe os olhos na Holanda!”
No primeiro lugar da classificação deste ano aparece a Holanda, com 839 pontos, imediatamente seguida da Dinamarca (820) e da Áustria (784). O país das túlipas reconquista, assim, o primeiro lugar alcançado em 2005. Nos vários inquéritos, a Holanda ocupou sempre lugares cimeiros deste ranking dos sistemas de saúde na Europa, com uma pontuação elevada em praticamente todas as categorias avaliadas.
A performance dos dinamarqueses, húngaros, luxemburgueses, cipriotas, franceses e portugueses contrastam de forma acentuada com os resultados obtidos no EHCI de 2007, tendo os primeiros três alcançado uma pontuação muito melhor e os restantes descido bastante na tabela das classificações.
De acordo com a HCP é ainda de registar a tendência de alguma pioria em países como a Bélgica, a França e a Suécia, onde os sistemas de saúde não acompanham o nível de melhoria conseguido pelos dinamarqueses, irlandeses checos e húngaros.
“A Holanda, por seu turno, tem-se mantido sempre no top. Este país é, sem dúvida, detentor do melhor serviço de saúde europeu, tendo trabalhado afincadamente no domínio do empowerment do cidadão, o que lhe permitiu obter óptimos resultados em saúde”, refere a HCP.
É neste sentido que a Health Consumer Powerhouse deixa, na sua página na Internet, e a propósito deste estudo, uma mensagem ao recém-eleito presidente dos Estados Unidos da América: “Se pretendes levar a cabo uma boa reforma do sistema de saúde norte-americano, põe os olhos na Holanda, Obama!”.
Do EHCI deste ano, a organização retira uma conclusão: “para melhorar os cuidados de saúde, é importante reconhecer a ligação entre os resultados em saúde e a acessibilidade aos serviços e uma informação de qualidade aos cidadãos”. E sublinha: “Uma boa gestão da Saúde não é apenas uma questão de dinheiro!”.
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Editorial | Jornal Médico
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