Concelho de Tavira deixa de ter  utentes a descoberto
DATA
19/11/2008 06:57:07
AUTOR
Jornal Médico
Concelho de Tavira deixa de ter utentes a descoberto

Com a entrada em funcionamento da USF Balsa, o concelho de Tavira deixou de ter utentes sem médico de família atribuído. A terceira unidade de saúde familiar do Algarve arrancou com sete médicos de família, oito enfermeiros e oito administrativos. Com a incorporação na equipa do anterior director do centro de saúde, a USF vai abranger cerca de 13 mil utentes. Destes, 3.900 não tinham médico de família

 

Com a entrada em funcionamento da USF Balsa, o concelho de Tavira deixou de ter utentes sem médico de família atribuído. A terceira unidade de saúde familiar do Algarve arrancou com sete médicos de família, oito enfermeiros e oito administrativos. Com a incorporação na equipa do anterior director do centro de saúde, a USF vai abranger cerca de 13 mil utentes. Destes, 3.900 não tinham médico de família

A abertura da Unidade de Saúde Familiar (USF) Balsa, do Centro de Saúde de Tavira representa um ganho de quase quatro mil utentes que anteriormente, não tinham médico de família atribuído.
Com as unidades de saúde familiar, “abre-se uma nova forma de estar e de proximidade”, afirmou Rui Lourenço, presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve, por ocasião da inauguração da USF. “Tem sido grande a dificuldade em termos de acessibilidade aos cuidados de primeira linha. As USF são uma forma de resolvermos, talvez de uma forma decisiva, esse problema”.
A USF Balsa arrancou com sete médicos de família (seis do Centro de Saúde de Tavira e um de Albufeira).
Em Setembro de 2008 foi reforçado com incorporação de mais um médico, até à data director do Centro de Saúde de Tavira.
A equipa de enfermagem conta com oito elementos e o secretariado administrativo iniciou com sete, passando em Setembro de 2008 a oito elementos. Todos eles pertencem ao Centro de Saúde e, de acordo com o coordenador da USF, Victor Palmeira, aderiram de imediato ao desafio proposto pelos médicos.

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Alargamento de horário
A equipa da USF vai abranger cerca de 13 mil utentes. Para além da grande mais-valia para o concelho, que deixa de ter utentes a descoberto, os profissionais decidiram alargar o horário de funcionamento aos sábados, domingos e feriados, entre as 8 e as 14 horas, com excepção do Natal e Ano Novo.
Segundo Victor Palmeira, esta decisão resulta de uma necessidade percebida pelos profissionais que trabalham no centro de saúde há muitos anos. “Verificámos que muitos utentes recorrem à urgência aos fins-de-semana e feriados. Decidimos, então, continuar a dar-lhes cobertura os sete dias da semana mas, agora, com outra qualidade. A abertura da USF aos fins-de-semana visa aumentar a acessibilidade de modo a que os utentes inscritos na nossa USF não tenham necessidade de recorrer a nenhum outro serviço, excepto em situações de real urgência e emergência”. Além do alargamento de horário e do aumento dos ficheiros para 1.700 utentes, a equipa implementou uma consulta de cessação tabágica. O apoio domiciliário, destinado a pessoas dependentes ou acamadas, vai registar um novo impulso.
Todas estas mais-valias representam “um esforço muito grande. Por isso, não queremos alargar a carteira de serviços até termos a certeza de que podemos responder cabalmente a todos os compromissos que assumimos”. A equipa avançou com o Modelo A. “Mais tarde, decidiremos se continuamos neste regime ou se nos candidatamos ao Modelo B. Tudo depende da progressão da equipa”, diz o coordenador. USF_Balsa-02.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Processo foi relativamente rápido
De acordo com Victor Palmeira, o processo de implementação da USF foi relativamente rápido. As primeiras reuniões do grupo tiveram lugar em Novembro de 2006. “Apresentámos a candidatura em Abril de 2007, e a 3 de Dezembro começámos a funcionar”, embora em instalações provisórias. Com efeito, a equipa ocupou o espaço correspondente a um módulo do centro de saúde, localizado no rés-do-chão do edifício.
Em Outubro de 2008 a USF foi transferida para o espaço actual, correspondendo o rés-do-chão ao antigo serviço de atendimento complementar e o 1º andar ao Serviço de Saúde Pública, tendo sofrido obras de beneficiação.

Mudança desejada há muito tempo
De acordo com o coordenador, o processo decorreu com toda a normalidade nos dias prévios à abertura da Unidade de Saúde Familiar, embora com alguma azáfama, uma vez que foi necessário proceder à transferência de ficheiros e objectos pessoais de um local de trabalho para outro.
Para Victor Palmeira, o primeiro dia de actividade da USF representou o culminar de uma mudança há muito desejada por todo o grupo.
Para os profissionais, “foi um dia diferente”. E o mesmo se passou com os utentes que já perceberam que, tanto nas consultas programadas, como “em todas as situações de doença aguda”, devem procurar a USF Balsa. Como refere o Guia do Utente da Unidade de Saúde Familiar, “só os utentes em situação de emergência e encaminhados pelo 112 podem ir ao serviço de urgência”.
Ainda ao nível do atendimento médico, o Guia explica que os utentes com marcação prévia só devem dirigir-se à USF 15 minutos antes da hora marcada pelo administrativo. No que se refere às consultas sem marcação, depois de avaliado pelo médico ou enfermeiro, o utente “será atendido no próprio dia ou, caso se justifique, será marcada consulta” posterior.
De acordo com o coordenador, a primeira hora de consultas do dia – entre as 8 e as 9 horas – é destinada a atender as situações agudas. A partir daí, cada clínico destina 15 minutos de cada hora para as consultas não programadas.
Em qualquer circunstância que implique a ausência do seu médico, o utente “será acolhido e encaminhado por outro clínico”, ou seja, a intersubstituição está assegurada.

Macário Correia: USF têm o nosso total apoio”

O presidente da Câmara Municipal de Tavira, Macário Correia, esteve junto dos profissionais e comemorou com eles o primeiro dia de funcionamento da USF. A sua opinião, relativamente às unidades de saúde familiar, garante, “ é muito positiva, na medida em que permitem uma flexibilidade de gestão diferente, sem a burocracia habitual da Função Pública, o que dá hipótese a mais utentes terem médico de família”. Destacando o facto de a USF Balsa ter um horário de atendimento alargado aos fins-de-semana e de absorver milhares de utentes que anteriormente não tinham médico de família atribuído, o autarca do PSD afirma, sem hesitar: “o nosso apoio a este processo é total”.

 

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