Quando o Interior... Apetece!
DATA
19/11/2008 07:23:07
AUTOR
Jornal Médico
Quando o Interior... Apetece!

E se de repente lhe acenassem com uma proposta irrecusável? Casa paga, complemento remuneratório, uso gratuito de equipamentos desportivos, de lazer e culturais, à sua espera num local aprazível, rodeado por paisagens deslumbrantes e gentes que fazem hábito de estimar quem delas trata... Bom demais para ser verdade? Nem por isso... Em muitas povoações do Portugal profundo, a falta de médicos levou a que autarquias e população engendrassem planos para atrair médicos de família. Em Baião, por exemplo, qualidade de vida é a palavra-chave que tem cativado os profissionais mais jovens a criar raízes 

 

E se de repente lhe acenassem com uma proposta irrecusável? Casa paga, complemento remuneratório, uso gratuito de equipamentos desportivos, de lazer e culturais, à sua espera num local aprazível, rodeado por paisagens deslumbrantes e gentes que fazem hábito de estimar quem delas trata... Bom demais para ser verdade? Nem por isso... Em muitas povoações do Portugal profundo, a falta de médicos levou a que autarquias e população engendrassem planos para atrair médicos de família. Em Baião, por exemplo, qualidade de vida é a palavra-chave que tem cativado os profissionais mais jovens a criar raízes 

Na vila de Baião – situada a pouco mais de 60 km do Porto – os responsáveis autárquicos cansaram-se de esperar por médicos de família. Em desespero de causa, decidiram adoptar uma posição de força, para bem da população carente. Assim e perante o insuficiente número de médicos de família (MF) a trabalhar no concelho – o quadro do centro de saúde (CS) incorpora 19 vagas, mas apenas dez estão preenchidas – o presidente da autarquia resolveu  espicaçar o mercado. Corria o ano de 2007. O estímulo: habitação gratuita, mobilada a expensas do município, acessível a clínicos interessados em fixar residência por aquelas bandas. Acrescente-se, ainda, a utilização livre e gratuita de todos os equipamentos sociais, culturais e desportivos geridos pela autarquia (cinema, teatro, pavilhão multiusos, piscinas, ginásio, etc.).
A medida surtiu efeito. De há algum tempo a esta parte, quatro internos da especialidade beneficiam deste tipo de condições preferenciais. O mesmo sucede com uma especialista em Medicina Geral e Familiar (MGF), destacada para a Extensão de Santa Marinha do Zêzere. E se é verdade que diversas comarcas portuguesas desenvolvem há já algum tempo projectos similares, é de inteira justiça referir que se ousa dar um passo adiante no concelho mais interior do distrito do Porto, demarcado pela Serra do Marão e pelo Douro. Não espanta, pois, que se discuta já um complemento remuneratório a entregar aos médicos que venham de armas e bagagens, que será suportado pela autarquia, mediante protocolo assinado com a Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN). A concretizar-se, tal acordo teria um cariz, sem dúvida, original, quem sabe reprodutível em outras paragens onde a carência de médicos se eterniza.

Arrepiar caminho

Com vista a acolher os quatro internos e a especialista que hoje beneficiam de condições excepcionais em Baião, os responsáveis municipais disponibilizaram um imóvel pertença da autarquia, alugaram um segundo na vila e adquiriram um apartamento em Santa Marinha do Zêzere, cujo valor estimado é de 65 mil euros. Estes apartamentos foram mobilados, a expensas municipais, com vista a responder às necessidades dos recém-chegados. Desde o arranque do programa, mais duas médicas gozaram de vantagens similares, mas por questões familiares ou pessoais decidiram não ficar. Refira-se, a propósito, que a edilidade tudo fez para as manter nas redondezas (ajudou, inclusive, a encontrar um posto de trabalho para o cônjuge de uma das médicas). 
José Carlos Carneiro, presidente da Câmara Municipal de Baião, explicou à nossa reportagem o que o convenceu a investir no apoio à residência: “a nossa maior preocupação é a de conseguir fixar mais especialistas de MGF na região. Uma vez que o internato já está implantado no CS, temos a esperança de que alguns destes jovens gostem das condições de vida do município. Desse modo, lutarão por cá permanecer”.

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O interior é fascinante

O edil realça que viver em Baião é uma experiência surpreendente, pela positiva. A começar com o baixo custo do alojamento e da alimentação, em confronto com a região metropolitana do Porto. Mas também pela proximidade à Invicta – 45 minutos de distância – e pela qualidade da paisagem e do ar. O Rio Douro banha o concelho ao longo de 30 quilómetros, o que também ajuda a fazer de Baião um local onde apetece desfrutar do tempo. Perante este cenário, impõe-se a pergunta: porque não chegam mais médicos a Baião? “É notório um preconceito cultural relativamente à vida no campo, que assenta num desconhecimento sobre as formas de vida em municípios com estas características”, responde o autarca.
Todas estas visões pré-concebidas são facilmente derrubadas pelo contacto humano, incontornável em locais como Baião: “o médico aqui é tratado com um carinho e uma estima excepcionais, recebe um tratamento que não conhece nas grandes cidades”, explica José Carlos Carneiro.
O mesmo responsável lembra que, no Grande Porto, um casal de classe média gasta algo como 300 euros para colocar uma criança num infantário onde esta beneficie de actividades de enriquecimento curricular. Em Baião, a mesma criança goza de igual privilégio... Mas a custo zero.

Insuflar o salário médico

A autarquia de Baião pondera, neste momento, atribuir uma remuneração adicional a MF que decidam fixar-se no concelho. Caso decida avançar por tal caminho, procurará garantias de que o seu investimento é compensado. “Teremos de considerar algumas obrigações, para todos os profissionais que venham a usufruir dessas vantagens”, declara José Carlos Carneiro. Até agora, a autarquia não sujeitou nenhum dos beneficiários do apoio à habitação a deveres especiais, pelo que qualquer profissional poderia abandonar a vila a qualquer altura, sem compromissos. Segundo o edil de Baião, “a autarquia estaria disposta, por exemplo, a assumir um complemento mensal de 500 euros, se um determinado médico decidisse vir trabalhar para Baião e ficasse com parte do seu tempo afecto à Unidade Móvel de Saúde (UMS). Esta unidade dá hoje uma resposta, de certa forma aleatória, quando existe disponibilidade por parte de médicos do CS, ou da própria directora da instituição”. A Câmara de Baião faz, então, ponto de honra de um funcionamento optimizado da unidade móvel, que no seu entender responde a muitos dos anseios da população e às características do município. É importante não esquecer a enorme dispersão de povoamento no concelho de Baião, onde existem 20 freguesias e 560 lugares, servidos por uma rede de transportes públicos muito incipiente.

Unidade móvel: peça crítica no xadrez regional

Por todas as razões atrás referidas, a autarquia vê as UMS como uma solução ajustada ao território e suas limitações. Assim, faz depender uma possível atribuição de complementos remuneratórios aos médicos, da dinamização das unidades móveis. “O complemento salarial depende sempre da capacidade da autarquia ter uma palavra a dizer, nas áreas da saúde que considera estarem hoje a descoberto”, preconiza o autarca.
Para concretizar a ideia de um apoio financeiro indirecto, será necessário criar uma parceria entre câmara, CS e ARSN, algo que segundo José Luís Carneiro nem seria muito difícil de alcançar: “basta um protocolo entre as partes, no qual se estabelece que a câmara municipal dedica uma parte do seu orçamento anual à melhoria da eficiência dos cuidados de saúde primários na região. Tal apoio revestiria a forma de um bolo de 25 mil ou 50 mil euros, por exemplo, a transferir para a entidade que procede ao pagamento dos profissionais”.
Desde 1 de Junho de 2007 que está disponível em Baião uma UMS, ao abrigo de um protocolo entre a câmara e a ARSN. Até hoje foram realizados cerca de 14 mil atendimentos através deste meio móvel, valor que poderia ser bem mais elevado, caso o CS pudesse disponibilizar recursos médicos apropriados. A rentabilidade desta UMS – e a de uma segunda unidade, entretanto prometida – está, pois, dependente da presença de mais médicos em Baião. Assim, a autarquia está disposta a complementar os salários dos médicos que venham para Baião se existir um compromisso, por escrito, que os ligue a actividades regulares nas UMS.

CS coopera na mudança

Segundo a directora do CS de Baião, Helena Oliveira, “para quem vive dentro de um perímetro razoável, em relação ao concelho, já possui habitação e família enraizada num determinado local, o alojamento gratuito terá um interesse relativo. Às tantas, haverá outras formas de aliciar os profissionais, concretamente o complemento de ordenado”. Esta responsável ressalva o facto de os contratos anuais renováveis serem pouco apelativos para os médicos, do ponto de vista financeiro, limitando também o número de horas extraordinárias semanais que estes profissionais podem fazer.
Actualmente, o CS de Baião conta com 5 mil utentes a descoberto, a que se juntam as listas de dois médicos ausentes, nos últimos tempos, por períodos prolongados. Em resumo, dos 22 mil utentes inscritos no CS, nove mil acabam ver restringido o acesso a CSP. Os médicos, apesar de terem ficado desobrigados em relação ao horário no SAP – hoje a cargo de uma empresa privada –, têm de cumprir horas de reforço e assistiram a um alargamento das suas listas, no âmbito de um acordo com a administração.
Os recursos médicos são manifestamente escassos, o que coloca em causa o funcionamento da tão desejada UMS. Daqui se depreendem as enormes esperanças que o CS coloca nas medidas adoptadas pela câmara municipal. “Nos dias que correm, as nossas tarefas acabam por estar muito mais apoiadas no imediato, do que em programação de serviços ou em profilaxia. As actividades de prevenção que vamos realizando surgem um pouco por carolice e boa vontade das pessoas, muitas vezes fora do horário regular”, sublinha Helena Oliveira.
A tudo isto acresce o facto de os serviços de saúde concelhios estarem muito fragmentados, com sete unidades físicas, o SAP, área de internamento e UMS. “A pulverização de recursos é impossível de contornar”, afirma a directora do CS. Uma das actuais extensões serve pouco mais de 600 utentes (por via de uma consulta semanal) e na freguesia de Teixeira foram inauguradas recentemente, por Correia de Campos, novas instalações dimensionadas para 1.100 pessoas. “Este cenário é fruto da política de proximidade que tem sido seguida, bem como das dificuldades de acesso que afectam algumas localidades. Nem sempre as “macro” políticas funcionam bem e há que pensar nas necessidades reais das pessoas, em cada meio específico”, defende Helena Oliveira.

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Moda dos incentivos alastra

O programa de incentivos em Baião apenas conseguiu, até ao momento, fixar uma especialista no concelho. Porém Helena Oliveira garante que as notícias saídas na imprensa têm despertado enorme atenção: “já fui contactada por colegas dos Açores. Um médico belga, que trabalha no Alentejo, também chegou a ponderar a hipótese de nos visitar”.
A ideia é boa e a prová-lo está a circunstância de outros concelhos do Baixo Tâmega se regerem pela mesma bitola – Amarante e Marco de Canavezes são exemplos conhecidos. Mas ao contrário dos seus vizinhos, o município de Baião nem sequer exigiu contrapartidas aos médicos que beneficiam de condições preferenciais, forçando-os, por exemplo, a permanecer na região durante um determinado número de anos. “A câmara foi tão pró-activa, teve tanta vontade de resolver este problema depressa, que nem sequer colocou questões prévias. Isto é um sinal claro de boa fé”, sublinha a directora do CS de Baião.
É importante perceber que Helena Oliveira foi a última MF a mudar-se para Baião, já lá vão 16 anos. “Nessa altura, os acessos eram terríveis e pensava-se que Baião era o fim do mundo. Eu vinha para ficar apenas alguns meses, como assistente eventual, mas acabei por não sair. Constitui família e o meu filho já nasceu baionense”. Nessa fase inicial, Helena Oliveira não teve a sorte que hoje está reservada a outros colegas: “ninguém cá estava para me ajudar com as despesas. Tive de pagar, na altura, 250 euros de renda de casa”.
Relativamente a estas “diferenças”, a autarquia tem revelado alguma preocupação em não estimular desigualdades entre os profissionais de saúde do concelho, através dos incentivos que atribuiu a quem acaba de chegar. Helena Oliveira, em jeito de brincadeira, dá uma sugestão para equilibrar o panorama: “já tive a oportunidade de dizer ao presidente da câmara que ele bem nos podia dispensar de pagar o Imposto Municipal sobre Imóveis! Bem vistas as coisas, os mais antigos pagam para cá viver, enquanto os novos colegas recebem incentivos para se instalar”.

Da estranheza ao calor do lar, num ápice

Emília Mendes chegou, em Março de 2007, a Santa Marinha do Zêzere. À sua espera estava um T3 novinho em folha, que teve a oportunidade de mobilar a gosto, a expensas da autarquia. Durante mais de ano e meio tem trabalhado em regime de contrato administrativo de provimento, ao mesmo tempo que aguarda pelo resultado do concurso de colocação em que se encontra inscrita. “Fiquei muito bem impressionada com Baião e Santa Marinha do Zêzere. O povo é hospitaleiro e amável. E os colegas proporcionaram-me uma excelente integração”, reconhece a médica de família.
Para Emília Mendes, o futuro dependerá do andamento do concurso. Se dependesse apenas de si, a permanência na região seria “uma forte possibilidade”.
Em retrospectiva, a circunstância de ter casa gratuita em Baião facilitou, de forma clara, a aventura em que se meteu: “sou do Porto e a disponibilidade imediata de uma casa facilitou muito a minha vinda, até porque trouxe os meus pais comigo. Enfrentava uma vida nova e este cenário permitiu-me estar perto da família, acompanhá-la no dia-a-dia”. 
Sem casa no pacote promocional, dificilmente Emília Mendes teria aceite o convite. Até porque as deslocações de e para o Porto, mesmo que curtas, resultariam num custo mensal considerável.
Hoje, a dez minutos de distância do seu local de trabalho, esta MF conquistou uma paz de espírito que muitos invejariam: “mesmo a nível emocional, tenho hoje uma enorme estabilidade. Posso até, entre os doentes da manhã e os da tarde, ir a casa almoçar e descansar um pouco. Tudo isto contribuiu para aumentar a eficácia no atendimento”.
Emília Mendes julga ter encontrado na casa que lhe foi oferecida um verdadeiro porto de abrigo: “posso dizer que é um lar, não apenas um apartamento onde durmo”. 

 Instalações de luxo a caminho

O Centro de Saúde (CS) de Baião poderá, no curto prazo, transfigurar-se. Tudo porque está prevista a abertura de novas instalações, que implicarão um investimento de um milhão e setecentos mil euros. A autarquia prestou-se a contribuir para o projecto, encarregando-se do parque de estacionamento adjacente ao edifício. “Julgo que as novas instalações irão oferecer condições materiais e de trabalho que estão ao nível do que de melhor existe na Europa. Elas serão, esperamos, mais um elemento de atractividade para quem venha trabalhar junto de nós”, assegura o presidente da autarquia de Baião, José Luís Carneiro.
O novo edifício foi pensado para duas unidades de saúde familiar (USF) e Helena Oliveira, actual directora do CS, acredita que a formação deste tipo de grupos de trabalho poderia convencer mais especialistas a juntarem-se à equipa de Baião: “a visão do MF, na sua aldeia ou vila, a resolver em isolamento todos os problemas que surgem faz cada vez menos sentido. Trabalhar sozinho numa unidade de saúde é limitativo e a melhoria de cuidados obtém-se, sem dúvida, através da articulação entre profissionais”.
Do ponto de vista pessoal, Helena Oliveira mostra-se interessada em aderir ao modelo USF, mesmo que ainda não tenha encontrado companhia para altos voos: “em breve tenciono fazer prospecção de mercado, se não conseguir reunir um grupo à minha volta. De facto, a maioria dos médicos nesta parte do país já só pensa na reforma. Pessoalmente, vejo as USF como uma mais-valia em termos de organização de serviço; a hipótese de participar numa equipa coesa”.

Surpresa agrada a internos

O internato de Medicina Geral e Familiar (MGF) em Baião é uma realidade recente – a sua história conta menos de dois anos. A dinâmica, todavia, é viva e indesmentível. Prova disso é o Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte, realizado entre os dias 16 e 18 de Outubro deste ano naquela vila do Baixo Tâmega. A iniciativa, subordinada ao tema “Medicina Geral e Familiar: na Rota da Vida”, contou com o precioso contributo dos internos do Centro de Saúde (CS) de Baião, os mesmos que têm vindo a beneficiar do programa de apoio instituído pela autarquia.
Marília Azevedo, originária dos Açores, cumpre o segundo ano do internato da especialidade. Antes de se apresentar ao serviço em Baião, para o início da formação especializada, soube pela directora do CS que poderiam fazer algo por si, no que respeita ao alojamento. Estava, contudo, longe de adivinhar o presente que lhe ia caber em sorte: “quando me disseram que estariam dispostos a ajudar no âmbito da habitação, pensei que me apoiaram no sentido de encontrar uma casa, para arrendar ou comprar. Só depois me apercebi da natureza da oferta”. A colega Ana Lopes – partilha a casa com Marília Azevedo – recorda que a autarquia “apresentou várias habitações, a partir das quais foi possível optar”. Das conversas que mantêm com internos de outras regiões, as jovens médicas garantem que a sua experiência é olhada com curiosidade: “muitos ficam admirados e classificam a iniciativa da Câmara de Baião como formidável”, assegura Ana Lopes.
Já Cristiana Ribeiro, interna do 1º ano, chegou plenamente avisada dos apoios autárquicos, que lhe permitiram assentar arraiais perto do Vale do Sousa, como sempre pretendeu. “Uma médica que havia passado por Baião deixou uma casa vaga, onde acabei por ficar. É tudo novo e as condições são óptimas”, testemunha Cristiana Ribeiro. Para esta interna o alojamento gratuito significou um maior enraizamento: “sem ele, é provável que não ficasse a residir em Baião. Ou seja, acabaria por não me ligar muito à terra”.
Caso abram vagas para o CS Baião – e os concursos decorram satisfatoriamente – qualquer uma destas três médicas veria com bons olhos a continuidade na vila. Ana Rodrigues salienta que Baião “está acessível a partir do Porto, sem grandes demoras” e que o “grupo de trabalho é muito bom”. 

 

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Editorial | Jornal Médico
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