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O Lado Humano da Medicina: IX Edição bate recorde com 17 contos
DATA
08/04/2009 06:34:18
AUTOR
Jornal Médico
O Lado Humano da Medicina: IX Edição bate recorde com 17 contos

Os exemplares do livro disponíveis em Vilamoura voaram num abrir e fechar de olhos e os autores não tiveram mãos a medir perante a interminável fila de leitores que aguardavam por um autógrafo... No final, alguns queixavam-se de tendinite...

 

O lançamento do IX volume da colecção O Lado Humano da Medicina - a colectânea de contos médicos, seleccionados no âmbito do passatempo promovido pela Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral e pela editora Padrões Culturais, através do Jornal Médico de Família, com o patrocínio da AstraZeneca - decorreu no ambiente descontraído do espaço APMCG. Os exemplares do livro disponíveis em Vilamoura voaram num abrir e fechar de olhos e os autores não tiveram mãos a medir perante a interminável fila de leitores que aguardavam por um autógrafo... No final, alguns queixavam-se de tendinite...

 

A adesão à nona edição do passatempo foi a mais numerosa de sempre. Ao todo, integram este nono volume dos Contos Médicos 17 autores, médicos de família e internos da especialidade, oriundos das mais diversas regiões do país, ilhas incluídas.

A maior parte dos autores do livro agora apresentado são reincidentes nas lides da escrita. É o caso do presidente honorário da APMCG, Mário Moura, que neste nono volume volta a brindar os leitores com uma das inúmeras histórias que recheiam a sua vivência longa na prática da MGF. O beijo! - "esse acto cheio de carga afectiva" (porque é de afectos que O Lado Humano da Medicina se faz) - é o título sugestivo do conto deste autor, assíduo desde a primeira edição.

contosmedicos-03.jpgEduarda Sousa, médica de família da USF Nova Via, é outra das repetentes. Ladrão reconhecido é a história que podemos ler neste volume dos Contos Médicos. No seu currículo literário, tem ainda dois livros de poesia publicados.

Em Vilamoura, a médica de Vila Nova de Gaia, prometeu que este não será o seu último conto. E relembrou o que a motiva a participar neste passatempo: "são histórias da vida de outros que preenchem a minha, de alegrias e de tristezas. Em cada história está um passo da nossa vivência e são todos estes passos juntos que fazem mover as montanhas que pensávamos inamovíveis. A vida de médico é, na verdade, um sacerdócio. Não temos a faculdade de adivinhar se o desfecho destas histórias reais será aquilo que pensamos ser o melhor para os intervenientes, mas lutamos vivamente para que seja auspicioso".

Eduardinha, como é conhecida entre amigos, fez ainda questão de salientar: "sempre me empenhei para que a grandeza humana prevalecesse no meu contacto com a pessoa que me solicitava cuidados médicos. Ser sensível para compreender o sofrimento, ser humilde para reconhecer os limites do saber humano... Esta atitude acabou por me proporcionar um enriquecedor envolvimento como ouvinte e espectadora, incentivando-me a memorizar tudo o que de perto me era permitido presenciar".

contosmedicos-01.jpgMas a obra apresentada no 26º Encontro Nacional também é feita de novidade e de caras novas... É o caso de Ricardo Gabriel, interno do 3º ano de MGF na USF Cruz de Celas, que se estreia com O Destino da Chuva. Apesar de curta, a carreira na Medicina Familiar já mostrou a este jovem médico que esta é uma especialidade feita de emoções, que, de uma forma natural, fluem para a escrita.

Para o interno de Coimbra, este passatempo é importante em duas vertentes distintas. Primeiro, porque permite dinamizar "uma dimensão cultural historicamente ligada à Medicina, que deveria ser mais acalentada, no seio das organizações médicas, enquanto promotoras de arte e cultura nas suas mais diversas formas". Por outro lado, adiantou o jovem clínico, estes contos são "um hino ao lado humano da Medicina, que tem vindo a perder-se, devido à crescente técnica".

Neste sentido, Ricardo Gabriel deixou um apelo à participação de todos os médicos de família neste passatempo - "para que possam crescer, enquanto clínicos e enquanto pessoas", salientou.

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