O que mudou no seguimento dos doentes?
DATA
08/05/2009 06:15:26
AUTOR
Jornal Médico
O que mudou no seguimento dos doentes?

As melhorias nos cuidados de saúde, decorrentes da entrada em funcionamento das unidades de saúde familiar, são inegáveis...

As melhorias nos cuidados de saúde, decorrentes da entrada em funcionamento das unidades de saúde familiar, são inegáveis... Dizem-no os utentes, afirmam-no os profissionais e sustentam-no, ainda, os responsáveis das urgências hospitalares, onde os benefícios da implementação das USF também já se fazem sentir, nomeadamente em Santa Maria da Feira. No II Encontro das USF deste concelho, médicos de família, enfermeiros e administrativos debateram o que mudou no seguimento dos doentes com a nova forma de organização

 

"O acompanhamento que mais terá melhorado com o aparecimento das unidades de saúde familiar (USF) foi o dos diabéticos. No entanto, esta evolução não começa hoje, mas traduz uma mudança no paradigma da prestação de cuidados de saúde primários (CSP) em Portugal, nas duas últimas gerações".

Quem o diz é Marco Pinto, enfermeiro da USF Saúde Mais, convidado a falar sobre o acompanhamento dos grupos de risco, na perspectiva da enfermagem, numa mesa-redonda intitulada O que mudou no seguimento dos doentes?, moderada pela médica de família (MF) da USF Fronteiras, Miquelina Redondo.

Marco Pinto fez uma retrospectiva do acompanhamento dos diabéticos no Centro de Saúde (CS) da Feira, lembrando que este passou por três fases distintas: o período da "picada no dedo", as primeiras consultas multidisciplinares de diabetes e, mais recentemente, o enfermeiro de família.

Na primeira fase, "a percentagem de diabéticos a fazerem a auto-vigilância era residual, não havia agendamento e os doentes deslocavam-se ao CS para que os enfermeiros lhe picassem o dedo", recorda o enfermeiro de família, salientando que a glicemia era avaliada "quando mais convinha", que os doentes passavam "horas em jejum" até chegar a sua vez e que "os registos eram feitos em papel, no processo de enfermagem, faltando a articulação com os cuidados médicos".

A segunda fase - a das consultas multidisciplinares de diabetes - partiu da iniciativa de alguns médicos que decidiram implementar uma consulta diferenciada, mas que "cedo perceberam que sozinhos não conseguiam trabalhar todas as dimensões", lembrou Marco Pinto. A colaboração dos enfermeiros, revelou-se essencial.

 

Enfermeiro de família traz vantagens

 

O actual modelo de prestação de cuidados aos diabéticos - assente na figura do enfermeiro de família - trouxe grandes vantagens ao seguimento destes doentes, referiu Marco Pinto.

"Actualmente, enfermeiro e MF formam uma equipa, que trabalha para atingir objectivos previamente acordados e contratualizados. O enfermeiro de família tem uma maior disponibilidade, sendo sempre o mesmo profissional a acompanhar uma determinada população", explicou o profissional da USF Saúde Mais.

As mais-valias deste modelo são, segundo Marco Pinto, "a atitude de incentivo face à frequência da consulta (com convocatórias, consulta pós-laboral e consulta domiciliária) e a melhor definição do trabalho a desenvolver com esta população, com indicadores construídos para monitorização do trabalho das USF e normas e critérios de actuação clínica estabelecidos pela equipa".

De acordo com Marco Pinto, a consulta de enfermagem do CS da Feira tem hoje, como fenómenos e intervenções mais trabalhados, a adesão à vacinação, hipertensão, obesidade, auto-vigilância, gestão do regime terapêutico, ensinamento sobre estratégias de adaptação e promoção do envolvimento da saúde no que toca à aceitação do estado de saúde.

As certezas enganadoras sobre os Outros
Editorial | Mário Santos
As certezas enganadoras sobre os Outros

No processo de reflexão da minha prática clínica, levo em conta para além do meu índice de desempenho geral (IDG) e da satisfação dos meus pacientes, a opinião dos Outros. Não deixo, por isso, de ler as entrevistas cujos destaques despertam em mim o interesse sobre o que pensam e o que esperam das minhas funções, como médico de família. Selecionei alguns títulos divulgados pelo Jornal Médico, que mereceram a minha atenção no último ano: