Vale a pena ser USF?
DATA
08/05/2009 09:02:37
AUTOR
Jornal Médico
Vale a pena ser USF?

Realizou-se, nos dias 16 e 17 de Abril, o II Encontro de USF de Santa Maria da Feira, organizado pela USF Egas Moniz...

Realizou-se, nos dias 16 e 17 de Abril, o II Encontro de USF de Santa Maria da Feira, organizado pela USF Egas Moniz, no âmbito das comemorações do seu segundo aniversário. O grande objectivo da iniciativa - que teve lugar no auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira e reuniu médicos, enfermeiros e administrativos das oito USF já em funcionamento no concelho - foi fazer um balanço do muito trabalho já realizado neste novo modelo organizativo. A contratualização e a formação nas USF foram dois dos principais temas em debate

Com mais de uma centena de inscritos, um programa apetecível, sessões sempre muito participadas e a presença de responsáveis de topo do sector da Saúde - presidentes da Administração Regional de Saúde do Norte e da direcção do Hospital de São Sebastião - a segunda edição do Encontro das USF do concelho de Santa Maria da Feira foi "um verdadeiro sucesso".

A organização deste evento esteve, uma vez mais, a cargo da equipa da USF Egas Moniz, uma das primeiras unidades de saúde familiar (USF) a abrir portas no concelho, a 17 de Abril de 2007.

Vale a pena ser USF? foi um dos temas centrais debatidos pelos vários profissionais dos cuidados de saúde primários (CSP) presentes no auditório da Biblioteca Municipal da Feira. A esta pergunta, o coordenador da USF Egas Moniz, Mário Canossa Dias, responde com um "Sem dúvida alguma que sim!". Já em resposta à questão que deu título à sua apresentação - USF tipo A ou B? - o médico de família (MF) reconhece vantagens ao modelo B - em vigor na USF Egas Moniz desde o dia 1 de Julho de 2008 - mas também alguns problemas...

Entre as USF de modelo A e B, Mário Dias salientou, como semelhanças, "as características de se ser USF, o compromisso assistencial, a contratualização e a possibilidade de se aceder a incentivos institucionais". No que toca a diferenças, na passagem a modelo B, o coordenador da USF Egas Moniz apontou, à cabeça, "o vencimento", seguido de aspectos como "a necessidade de monitorização dos utentes inscritos com maior frequência, a contratualização e a possibilidade de ter incentivos financeiros".

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Mas nem tudo são rosas no modelo B... E os espinhos, segundo Mário Dias, vêm em forma de "módulo estatístico, fragilidades dos sistemas de informação, unidades ponderadas que não contam para a reforma dos enfermeiros e dos funcionários administrativos". Estas duas categorias profissionais são ainda penalizadas em situação de doença, recebendo apenas o vencimento base.

Em jeito de conclusão, o coordenador da USF Egas Moniz salientou que "o modelo B é mais exigente do ponto de vista organizativo, exige muita qualidade na prestação de cuidados e dá mais trabalho... Mas, promove o desenvolvimento da equipa, dá mais satisfação e maior compensação pelo desempenho".

Para além disso, acrescentou, "o modelo B permite à equipa lidar com novos desafios, aumentar a eficácia da organização, adquirir novos conhecimentos, na medida em que favorece o enriquecimento pessoal através da troca de ideias, a responsabilidade é distribuída por todos os membros da equipa e promove o espírito de entreajuda, gerando relações de confiança e flexibilidade".

 

Educação para a saúde sai a ganhar com USF

 

Enquanto base do trabalho em CSP, a educação para a saúde foi o tema abordado por Joana Dias, enfermeira da USF Egas Moniz, na sessão Vale a pena ser USF?.

Na óptica desta profissional, a implementação das USF e a figura do enfermeiro de família abriram novos horizontes a este aspecto crucial da prestação de CSP. Assim, muita coisa mudou na educação para a saúde com as USF... De acordo com Joana Dias, "há uma maior motivação por parte dos profissionais, que têm mais tempo livre para dedicar à prevenção, bem como uma maior confiança do utente na sua equipa MF/enfermeiro de família".

As certezas enganadoras sobre os Outros
Editorial | Mário Santos
As certezas enganadoras sobre os Outros

No processo de reflexão da minha prática clínica, levo em conta para além do meu índice de desempenho geral (IDG) e da satisfação dos meus pacientes, a opinião dos Outros. Não deixo, por isso, de ler as entrevistas cujos destaques despertam em mim o interesse sobre o que pensam e o que esperam das minhas funções, como médico de família. Selecionei alguns títulos divulgados pelo Jornal Médico, que mereceram a minha atenção no último ano: