Utentes e profissionais aderiram em massa
DATA
08/05/2009 10:17:10
AUTOR
Jornal Médico
Utentes e profissionais aderiram em massa

Os primeiros resultados da sondagem levada a cabo pelo CEISUC, com vista a avaliar os índices de satisfação nas USF, poderão ser divulgados ainda este mês...

Os primeiros resultados da sondagem levada a cabo pelo Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra, com vista a avaliar os índices de satisfação nas unidades de saúde familiar, poderão ser divulgados ainda este mês. Quem o afirma é Pedro Lopes Ferreira, director daquele centro de investigação. O mesmo responsável adiantou ao Médico de Família que a taxa de resposta do estudo, no caso dos profissionais, foi de 85%. No que respeita aos utentes, a adesão deverá rondar os 70%. Valores recorde, quando comparados com pesquisas similares realizadas no passado

 

Realizada ao abrigo de um protocolo assinado entre o Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC) e a Missão para os Cuidados de Saúde Primários (MCSP), em Novembro de 2008, o estudo tem por finalidade avaliar a satisfação de profissionais e utentes de 146 unidades de saúde familiar (USF) - organizadas em modelo A ou B -, inauguradas até ao final de 2008. O estudo envolveu 12.713 utentes com questionários validados, bem como 2.398 profissionais de saúde. Nesta fase, os dados estão a ser tratados e consolidados e - segundo pudemos apurar - não tardará muito para que o Ministério da Saúde apresente as principais conclusões obtidas.

Os clientes das USF foram convidados a participar no dia 26 de Janeiro. Em alguns casos foram abordados por administrativos da sua USF, noutros por voluntários (estudantes de Medicina e Enfermagem, membros de núcleos de amigos, reformados, bombeiros, assistentes sociais, etc.). Estes elementos deram apoio no preenchimento dos questionários, 25 por cada lista de médico de família. Uma vez concluídos, os questionários foram depositados em urnas criadas especificamente para o censo e, posteriormente, remetidos para o CEISUC, onde são alvo de tratamento estatístico e análise.

Já no caso dos profissionais, o processo de recolha de dados (terminado durante a última semana de Janeiro) processou-se de forma diferente.

Os coordenadores das USF receberam envelopes fechados, contendo uma palavra-chave para cada elemento da USF. Munidos desta palavra-chave e através de um site na internet, os profissionais puderam então dizer de sua justiça, sob anonimato.

 

Choveram comentários sobre a prestação das USF

 

Segundo Pedro Lopes Ferreira, economista da saúde e director do CEISUC, verificou-se um fenómeno bastante interessante no decurso do estudo, que demonstra a apetência de utentes e profissionais no sentido de cooperarem: "chegaram-nos 400 páginas de comentários extra-questionário, da parte dos utentes, e outras 600, com origem nos profissionais de saúde".

Numa primeira abordagem, Pedro Lopes Ferreira considera que se verificou "uma enorme adesão dos utilizadores e dos profissionais de saúde a estes questionários. Há dois anos, realizámos um estudo com todos os CS do país e a taxa de resposta foi inferior, em particular do lado dos profissionais. Não estava à espera deste resultado. Julgo, aliás, que revela um envolvimento profundo e sincero".

Na perspectiva do académico, "as pessoas aderiram bem a este processo de sondagem de opinião e fizeram sugestões para melhorar os serviços. Isto é óptimo! Na realidade, sempre pretendemos mais do que uma avaliação estatística; que fosse possível, através do estudo, aperfeiçoar os cuidados prestados e as condições de trabalho". 

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Graças à pesquisa, o CEISUC pretende identificar áreas problemáticas, que exijam maior investimento por parte das USF. Em acréscimo, a investigação ajudará a encontrar as razões que estão por detrás dos referidos défices, retratando os aspectos avaliados de maneira positiva ou negativa.

Será igualmente possível reconhecer as USF que estão a dar uma resposta adequada às expectativas dos utilizadores. O CEISUC produzirá um relatório global (disponível para consulta pública), o qual envolverá a totalidade das USF estudadas. Depois, haverá um relatório para cada USF, a entregar ao respectivo coordenador. "Assim, os coordenadores poderão comparar a sua unidade com todo o universo avaliado, de modo a retirar ilações importantes", explicou ao nosso jornal Pedro Lopes Ferreira.

O investigador reforça o objectivo duplo do estudo: reter dados que permitam, a partir de agora, um acompanhamento sustentado do modelo USF ao longo do tempo (em busca de melhorias) e, por outro lado, captar informações sobre cada USF em concreto, que possam ser utilizadas no imediato enquanto ferramenta de diagnóstico. "Deste modo, os responsáveis das USF têm a possibilidade de pegar nestes resultados e adoptarem as medidas que façam sentido, no intuito de melhorar a qualidade", conclui o director do CEISUC.

As certezas enganadoras sobre os Outros
Editorial | Mário Santos
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No processo de reflexão da minha prática clínica, levo em conta para além do meu índice de desempenho geral (IDG) e da satisfação dos meus pacientes, a opinião dos Outros. Não deixo, por isso, de ler as entrevistas cujos destaques despertam em mim o interesse sobre o que pensam e o que esperam das minhas funções, como médico de família. Selecionei alguns títulos divulgados pelo Jornal Médico, que mereceram a minha atenção no último ano: