CS de Oeiras acolhe espaço de leitura infantil
DATA
08/05/2009 12:33:09
AUTOR
Jornal Médico
CS de Oeiras acolhe espaço de leitura infantil

O Plano Nacional de Leitura, a APMCG e a Sociedade Portuguesa de Pediatria ofereceram ao CS de Oeiras um espaço de leitura...

O Plano Nacional de Leitura, a Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral e a Sociedade Portuguesa de Pediatria ofereceram ao Centro de Saúde de Oeiras, no âmbito do projecto Ler + dá Saúde, um espaço de leitura e uma biblioteca. A dádiva, composta por 1300 livros, mobiliário diverso e todos os componentes necessários para um cantinho literário e hospitaleiro, é cortesia da empresa Modelo. Trata-se de um empurrão importante para um projecto que já abrange 116 unidades dos cuidados de saúde primários, focado na importância da leitura em fases precoces da vida da criança

 

Foi na presença de Isabel Alçada, escritora e comissária do Plano Nacional de Leitura (PNL), Rizério Salgado (mentor do projecto Ler + dá Saúde e membro do Núcleo de Saúde Infantil da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral - APMCG), Vítor Cardoso, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Oeiras e Carlos Canhota, director clínico deste ACES, que decorreu a entrega dos materiais do novo espaço de leitura criado na Unidade de Saúde Familiar (USF) São Julião de Oeiras. O gesto reforça o peso do projecto Ler + dá Saúde naquela unidade e foi protagonizado por Jorge Simões, director do Modelo Bonjour de Oeiras, patrocinador da iniciativa. De referir que praticamente toda a equipa da USF de São Julião assistiu à cerimónia, que contou ainda com a presença de alguns utentes mais entusiásticos.

Trata-se do nono espaço de leitura com que o Modelo presenteia os centros de saúde (CS) portugueses (também já foram contempladas as unidades de Avintes, Bombarral, Lousã, Machico, Mangualde, Mozelos, Olhão e Palmela). De recordar que o Ler + dá Saúde, projecto do Núcleo de Saúde Infantil da APMCG, é hoje apoiado pelo governo (através dos Ministérios da Cultura e da Educação), conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República e tem como objectivo principal envolver os profissionais de saúde dos CS, em particular os médicos de família, na tarefa de promover a leitura junto das crianças, desde a mais tenra idade.

 

Cruzada literária favorece desenvolvimento infantil

 

Rizério Salgado frisou, durante a entrega do espaço de leitura (e respectiva biblioteca), que "estimular a leitura entre as crianças, a partir dos seis meses de idade, tem repercussões na saúde, desenvolvimento e capacidade de linguagem dos mais pequenos, bem como no relacionamento com o adulto. Nós, médicos e enfermeiros dos CSP, temos um papel estratégico e privilegiado na comunicação desta mensagem junto dos cidadãos".

Já de acordo com a comissária do PNL, a fundação nos CS de locais onde impera o prazer de folhear páginas, durante o tempo de espera, constitui "uma mais-valia que ajudará o projecto a estruturar-se de uma forma consistente". Mas, porventura mais importante, será a continuidade dos esforços levados a cabo no consultório pelos médicos de família, no sentido de mostrar a pais e crianças como o livro é um objecto acessível, educativo e até divertido.

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Isabel Alçada garantiu, em declarações ao nosso jornal, que embora o projecto seja relativamente recente, o número de equipas de saúde que se inscreveram para ajudar é esclarecedor: "o facto de termos 116 serviços a aderir é uma prova cabal de que os médicos conseguem desempenhar estas tarefas, integrá-las na sua rotina diária. Quem não conhece bem o projecto pode pensar que ele representa uma carga excessiva, em cima do tempo e do número de pessoas que devem ser atendidas diariamente. O que temos feito é divulgar, por via de filmes e testemunhos dos clínicos que já participam na iniciativa, como as actividades não são assim tão pesadas e maçadoras".

Também Rizério Salgado defende a excelente relação custo/benefício destas acções do Ler + dá Saúde. O impulsionador do projecto em Oeiras explica como faz, para integrar esta ferramenta no seu arsenal de cuidados antecipatórios: "quando a criança chega ao consultório, entrego-lhe o livro, sem sequer falar dele. A seguir, coloco aos pais as perguntas normais de uma consulta e, no final, dou-lhes alguns conselhos práticos. Digo-lhes que partilhar todos os dias um livro é muito importante para o desenvolvimento infantil e, quando é oportuno, ofereço-lhes uma brochura. Depois, destaco o facto da criança se ter relacionado de modo natural com o livro. Tudo isto pode demorar menos de um minuto. Não é um gasto de tempo, desde que os segundos sejam bem rentabilizados".   

 

Oferta de livros, nos CS, não tardará

 

O MF Rizério Salgado ilustra as vantagens da promoção da leitura no contexto clínico, com dados suportados por evidência científica: "diversos estudos provam o facto de a intervenção de técnicos de saúde, nesta área, conduzir as famílias mais conscientes da importância do livro, possuidoras de mais livros em casa e dispostas a lerem mais frequentemente com as crianças".

Por todas estas razões, o Ler + dá Saúde tem vindo a colocar nos CS recursos que facilitam as tarefas de promoção da leitura. A começar por folhetos que informam os profissionais de saúde sobre a natureza do projecto, mas também brochuras que devem ser entregues, em mão, a pais e acompanhantes. Estes materiais explicam a relevância da leitura e como o desenvolvimento da criança se processa por intermédio dela, nas diversas idades.

Depois, estão disponíveis caixas com livros, para que os médicos possam explicar aos pais o tipo de leitura mais adequado ao seu filho, em determinada fase do processo de crescimento. "Quando se mostra um livro a uma criança, a sua reacção é, em geral, positiva e encoraja os pais a procurar, noutros contextos, a repetição do mesmo reflexo", garante Isabel Alçada.

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A escritora de literatura infantil adiantou-nos também que o Ministério da Educação (em conjunto com os Ministérios da Saúde, Cultura e Solidariedade Social) está a congregar apoios para que seja possível aos médicos oferecerem gratuitamente livros às crianças, à saída da consulta.

"Assim, o médico não só recomenda o livro, como o tem junto de si, disponível para que a criança o leve para casa", diz a escritora. Mas há outras ideias com potencial, a explorar. Por exemplo, a possibilidade de as bibliotecas públicas (em especial as municipais) convidarem os pais que receberam livros nos CS a deslocarem-se às suas instalações. O intuito é o de não deixar morrer o gosto entretanto acicatado, alargando o leque de lugares onde pais e crianças podem conviver em torno dos livros. "Deste modo, fechamos um ciclo de instituições que se manifestam dispostas a trabalhar em articulação, para uma meta comum", avança a comissária do PNL.

As certezas enganadoras sobre os Outros
Editorial | Mário Santos
As certezas enganadoras sobre os Outros

No processo de reflexão da minha prática clínica, levo em conta para além do meu índice de desempenho geral (IDG) e da satisfação dos meus pacientes, a opinião dos Outros. Não deixo, por isso, de ler as entrevistas cujos destaques despertam em mim o interesse sobre o que pensam e o que esperam das minhas funções, como médico de família. Selecionei alguns títulos divulgados pelo Jornal Médico, que mereceram a minha atenção no último ano: